Retorno do técnico ucraniano à seleção, desejo de algumas atletas, causa criseem pleno Pan de Guadalajara

As duas medalhas de bronze na ginástica artística feminina, conquistadas nesta sexta-feira por Daniele Hypólito (salto e barras), foram um final menos melancólico para as garotas responsáveis pela explosão do esporte no Brasil – ao contrário dos homens, que demoraram um pouco mais para evoluir e saíram de Guadalajara com três ouros e uma prata. A crise na equipe das mulheres escancarou no México, com as atletas a favor da volta de uma equipe permanente contra aquelas que preferem continuar treinador separadamente, nos clubes.

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O “culpado” disse tudo é o técnico ucraniano Oleg Ostapenko, que comandou a seleção feminina de 2002 a 2008, período no qual o crescimento se acentuou (com a conquista, por exemplo, da primeira medalha de ouro em Mundiais, com o ouro de Daiane dos Santos em 2003). Ostapenko e sua mulher, Nadijia, que sempre o acompanha como auxiliar, acertaram para comandar o Centro de Excelência de Ginástica, em Curitiba – o que fez Daiane sugerir por sua volta.

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“Eu prefiro continuar treinando no Flamengo, no Rio”, disse Daniele Hipólyto , antes de conquistar as medalhas de bronze. Com elas no peito, o que seria a prova de que o trabalho fora da seleção dá resultado, ela preferiu diminuir a polêmica: “Não falo mais sobre isso. Vou continuar treinando, apenas isso”, falou a ginasta de 27 anos.

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Na quinta-feira, a ginasta Adrian Nunes , 21 anos, quarto na final de salto, disse que há brigas e intrigas na equipe feminina, que ficou fora do pódio em um Pan pela primeira vez desde 1999, em Winnipeg . “A maioria não tem coragem de falar os problemas com as outras. As outras são mais quietas e não falam nada. Só que elas falam umas das outras por trás. É difícil assim”, disse Nunes, favorável à volta de uma equipe permanente em Curitiba.

A divisão ocorre porque algumas meninas preferem a volta da seleção permanente. Daiane dos Santos é favor do retorno de Ostapenko, algo que é improvável porque a direção da CBG (Confederação Brasileira de Ginástica) mudou e a nova diretoria não cogita o retorno do ucraniano.

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Apesar de ter sido o responsável pela melhora técnica da ginástica, Ostapenko era criticado pelo rigor de exigência em treinamentos. Daniele já avisou que não gostaria de voltar a trabalhar com ele.

Homens

A vitória da equipe masculina foi “um tapa na cara” de quem cogita técnicos estrangeiros, ouviu o iG de um integrante da ginástica. Comandada por brasileiros, os homens evoluíram a ponto de ter agora o grande ginasta do Brasil, Diego Hypólito , que já está classificado para as Olimpíadas no solo – Arthur Zanetti também tem vaga, nas argolas.

“O que posso falar para as meninas é que elas têm que treinar, só isso. Não adianta falar em seleção permanente, ou treinamento em clube, tem que treinar. Veja o exemplo da Daniele, que saiu daqui com duas medalhas”, disse Diego, ouro no solo, no salto e por equipes no Pan-Americano .

A equipe feminina segue comandada por um estrangeiro, Iryna Ilyashenko, também ucraniana, que ocupou a vaga de Ostapenko, com quem trabalhava. Ela não concedeu entrevistas para explicar sobre a queda de rendimento da ginástica brasileira. As meninas ainda não têm nenhuma vaga nas Olimpíadas e terão chance no evento teste de janeiro, em Londres – a estrela Jade Barbosa não foi ao México porque estava machucada.

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