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Estádio pela metade e trânsito caótico escancaram rusga política no Pan

Partidos rivais comandam estado de Jalisco e cidade de Guadalajara, o que fez obras atrasarem e faixa de carros exclusiva fracassar

Marcel Rizzo e Vicente Seda, enviados iG a Guadalajara |

O improviso no estádio de atletismo nos primeiros dias de disputa da modalidade nos Jogos Pan-Americanos de Guadalajara escancarou a disputa política que cercou o torneio mexicano e que atrapalhou parte dos preparativos e agora a execução da competição. Os dois principais partidos políticos do país, o PAN (Partido de Ação Nacional) e o PRI (Partido Revolucionário Institucional) são rivais históricos e comandam o estado de Jalisco e a cidade de Guadalajara, respectivamente. É algo como PSDB x PT no Brasil.

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Na divisão de tarefas para a realização, cada um quis, à sua maneira, atrapalhar o outro e o saldo é equipamento incompleto, trânsito caótico e acusações de que houve dinheiro desperdiçado – Emílio Márquez, o governador, é presidente do COPAG (Comitê Pan-Americano de Guadalajara), enquanto Jorge Aristóteles Sandoval, o prefeito, é o vice. Mesmo assim, um evita aparecer ao lado do outro em fotos e até convites para eventos são feitos separadamente.

Leia mais sobre o Pan-Americano e natação no blog do Rogério Romero

O custo total do Pan foi de R$ 2,27 bilhões, valor extra-oficial, e foi pago quase que na totalidade pelo governo de Jalisco, estado que está Guadalajara. Emílio Márquez quis transformar os Jogos de Guadalajara em Jogos de Jalisco – outras cidades, como a litorânea Puerto Vallarta (350 km distante da sede principal) e a interiorana Ciudad Guzmán (130 km) foram contempladas com competições, e Márquez, empolgado, chegou a lançar a candidatura do estado (e não da cidade) para as Olimpíadas de 2024. Isso desagradou Sandoval, do partido que faz oposição ao presidente Felipe Calderón. No ano que vem haverá eleição presidencial e Enrique Peña Nieto, do PRI de Sandoval, é favorito no momento.

Leia também: Brasil supera EUA e “hermanos” e vence Pan da areia em Puerto Vallarta

Marcel Rizzo, enviado iG a Guadalajara
No primeiro dia de provas do Pan, TV do estádio de atletismo ainda estava com plástico
A rusga atrasou as obras no estádio de atletismo. O local no qual seria construído mudou duas vezes, uma por problemas ambientais, mas outra porque o terreno não havia agradado, localizado em parte mais central da cidade. Como o governo já havia vendido o nome do equipamento para a empresa de telefonia fixa Telmex, do grupo do bilionário Carlos Slim, a empresa preferiu que fosse construído perto de um auditório que tem na cidade de Zapopan, ao lado de Guadalajara.

A prefeitura da cidade não gostou, mas teve que engolir – o patrocínio, que arcou com boa parte dos R$ 45 milhões da obra, foi conseguido pelo governador. O PRI teve boas relações com a Telmex porque no início dos anos 90, quando governava o país, autorizou a privatização (a oposição, na época, disse que a preço de banana) da telefonia do país. Mas a perda do poder nacional pela primeira vez em 71 anos, em 2000, fez com que agora encabece campanha para reestatizar o serviço. Portanto a relação com Slim não é das melhores.

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O valor conseguido com os patrocinadores da competição, que bancaram outros três equipamentos, também foi questionado pela prefeitura. O banco canadense Scotiabank financiou parte dos R$ 53 milhões do parque aquático que leva seu nome, a Telcel (do mesmo grupo da Telmex) bancou o complexo de tênis, que custou pouco mais de R$ 30 milhões, e a Nissan, japonesa de automóveis, construiu o ginásio de ginástica, valor não divulgado. O prefeito diz que os valores pagos pelos parceiros foram baixos, o governo diz que pôde arcar com mais de 80% das obras, mas ninguém mostra documentos que comprova o que dizem.

O trânsito
O ápice da confusão foi no setor que mais preocupava (com razão): o trânsito caótico da cidade. Com motoristas que não respeitam sinalizações por causa da fiscalização ruim, o COPAG decidiu criar o “carril pan-americano”, algo como a faixa pan-americana. Seriam trechos exclusivos para carros e ônibus credenciados, que levam atletas, funcionários e jornalistas para os ginásios e estádios.

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Márquez decidiu que aquele carro que invadisse a faixa seria multado. Sandoval resolveu contrariar o rival e revogou a decisão, algo que pode fazer dentro de sua jurisdição. Sem multa, a faixa não funciona e os carros a invadem, causando confusão.

Para os microfones, ambos não se afagam, mas estão longe de criticar o evento: “Está tudo muito bom, uma organização perfeita. Construções novas que podem levar o estado a ser sede da uma Olimpíada”, disse Márquez. “O povo de Guadalajara tem que estar orgulhoso de sua hospitalidade e organização”, falou Sandoval. Sorrisos não faltam.

Galeria reúne as falhas do Pan-Americano de Guadalajara. Veja as fotos:

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