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Entre a estética e os músculos, Aline Ferreira leva prata inédita

Lutadora deixou a chance de ouro escapar, mas vê evolução na luta olímpica brasileira e brinca com agressividade da modalidade

Vicente Seda, enviado iG a Guadalajara |

A primeira medalha de ouro do Brasil na luta olímpica feminina pelo Pan-Americano escapou das mãos de Aline Ferreira na noite de sábado. Mas a medalha de prata, igualmente inédita, já demonstra uma evolução da modalidade no país e, em especial, de uma lutadora de 19 anos que não quer nem ouvir falar de parar. Formada em estética, Aline, com dois campeonatos mundiais nas costas, um deles disputado na categoria sênior aos 16 anos, perdeu o lugar mais alto do pódio em uma final controversa, com nítida confusão dos árbitros, mas nem por isso deixou de sorrir.

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Jovem e já experiente, a paulista deixou o tatame reclamando da arbitragem, com motivo para tanto, mas não sem deixar de reconhecer que “um atleta de alto nível, se estiver forte o suficiente, torna a arbitragem um mero detalhe”. Maturidade que vem de uma década treinando artes marciais. Primeiro o judô e, a partir de 2002, a luta de estilo livre, pela qual se interessou porque sua “galerinha” da escola disputaria um campeonato da modalidade, que acabou vencendo com os golpes da arte japonesa.

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“Eu já estava meio desanimada no judô mesmo. Aí o pessoal que andava comigo, meu namoradinho, todos ficaram insistindo para que eu entrasse no torneio. Adorei, acabei ganhando e não larguei mais”, conta.

Corpo de músculos, trejeitos de mocinha, Aline não quer perder o seu lado feminino em meio a tantos gestos agressivos. Arrancou gargalhadas dos presentes ao revelar a brincadeira que é obrigada a escutar nos corredores do Pan: “O pessoal brinca comigo: ‘Você é uma ‘veada’, tem de lutar feito homem!’”, diz Aline, antes de explicar o motivo da formação em estética. “Gosto muito de mexer com maquiagem, essas coisas. Isso dá dinheiro, rapaz! Mulher não pensa duas vezes na hora de gastar com beleza!”.

Agora cursando Educação Física, ela se espanta com a pergunta a respeito da formação acadêmica já ser um sinal de que idealiza o que quer fazer quando parar de lutar. “Parar? Está doido? Nem pensei nisso ainda, falta muito, mas muito mesmo!”, retruca, sorridente.

Acompanhe o quadro de medalhas do Pan 2011

Sobre a luta em si, ela explicou que, depois da confusão dos juízes, realmente se desestabilizou. “Claro que você fica um pouco desesperada, pois passa a ter de pontuar e, com isso, é obrigada a se expor. Mas os próprios árbitros não estavam se entendendo, tanto que mudaram a decisão algumas vezes. Acabou que a paralisação serviu para a cubana (Lisset Hechevarria) descansar, mas não dá para ficar só reclamando, dizendo que fui roubada. Só sei que os dois primeiros pontos não existiram (a luta terminou 3 a 1).”

Confira fotos das brasileiras em ação pela luta de estilo livre em Guadalajara:

Aline viveu um drama este ano. Com hipertireoidismo, perdeu bastante peso, o que atrapalhou sua performance em competições como o Mundial da Turquia. “Ainda não estou 100% recuperada, não deu para me tratar de forma adequada, mas estou ficando boa”, avisa a lutadora, que chegou a ter o nariz sangrando por causa do ar seco de Guadalajara.

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Treinada por três cubanos, ela vê uma evolução no esporte brasileiro e aposta em bom desempenho do país nas Olimpíadas de Londres, em 2012. Diz que eles “têm técnicas que a gente não conseguia enxergar, pois são um país de tradição no esporte”. Fã da lenda russa da modalidade, Alexandr Karelin, ela considera que os campeonatos mundiais são mais difíceis do que o torneio olímpico em si, por conta do número de lutas. “Complicado mesmo é se classificar. Depois de conseguir a vaga, o torneio em si é mais curto”. Falta, portanto, carimbar o passaporte para a terra da rainha.

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