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Diego Hypólito aprendeu a gostar da cor de outras medalhas

Em entrevista exclusiva ao iG, destaque brasileiro no Pan de Guadalajara diz que tombo em 2008 o fez aprender a ser menos exigente

Marcel Rizzo e Vicente Seda, enviados iG a Guadalajara |

AP
Diego Hypólito comemora a conquista do seu terceiro ouro no Pan de Guadalajara

O tombo no solo nas Olimpíadas de Pequim, em 2008, não tira o sono do ginasta Diego Hypólito pouco mais de três anos depois. Mas ele aprendeu duas coisas ao ficar em sexto lugar na prova na qual era favorito: primeiro que não é preciso ser obcecado pelo ouro, segundo que é desnecessário jogar toda a responsabilidade de uma modalidade sobre suas costas.

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Com três ouros nos Jogos Pan-Americanos de Guadalajara (salto, solo e por equipes), o que o fez o primeiro ginasta brasileiro a conquistar o feito, Diego foi “o cara” da delegação da segunda semana de competições no México e ganhou como prêmio ser o porta-bandeira na cerimônia de encerramento, à meia-noite (horário de Brasília).

“Todo mundo já sabia que eu seria (porta-bandeira) antes das provas (de sexta-feira), mas só me falaram depois. Não poderia me desconcentrar”, disse, em entrevista exclusiva ao iG. Leia abaixo o que diz o ginasta:

iG: Já caiu a ficha que você teve desempenho impressionante e é o grande ginasta brasileiro em Pans?
Diego:
É o reconhecimento de um trabalho bem feito. Tive problema de lesão, eu tive ajuda, não desisti e fui recompensado. Treinando bem, você compete bem.

iG: E o reconhecimento foi quase instantâneo. Já se acostumou com a ideia de ser o porta-bandeira no encerramento?
Diego:
Uma tremenda honra, têm alguns medalhistas olímpicos aqui em Guadalajara que poderiam ter sido escolhidos e acabaram optando por mim. Estou ansioso já.

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iG: Você falou em medalhistas olímpicos e sempre disse ser um sonho para você conquistar o ouro de uma Olimpíada. O erro em 2008, a queda no solo, ainda te perturba?
Diego:
É uma situação que aconteceu pra mim e um exemplo para muitas coisas. Eu estava em um ciclo muito bom naquele ano, tinha chance, mas aconteceu a falha. Ganhei experiência pelo que passei naquela Olimpíada e estou chegando com outra cabeça em Londres (Diego já tem vaga assegurada no solo pelo bronze conquistado no Mundial deste ano, em Tóquio). Sabe, eu acho que foi importante ter acontecido aquilo, muitas vezes parece ruim , mas você pega como experiência e se transforma em ponto positivo. Você aprende.

iG: O que você aprendeu com a queda em 2008?
Diego:
Naquele ano era muito importante para mim ser campeão olímpico e eu, e mais ninguém, joguei uma responsabilidade muito grande sobre mim mesmo. Eu treino pra ser campeão olímpico, é um sonho, mas ao mesmo tempo aprendi a valorizar cada resultado, a valorizar um bronze, uma prata, como não valorizava. Antes, na minha cabeça, eu tinha uma chance, que era o ouro, e agora são três chances.

iG: Depois do ouro no salto em Guadalajara você falou em melhorar a performance. O que é preciso para ter essa medalha olímpica?
Diego:
Dificultar minhas séries. Depois da lesão, acabei começando do zero (Diego teve problema nos ligamentos do tornozelo esquerdo logo depois de Pequim e precisou operar duas vezes). A ginástica é um esporte que você trabalha com dor, no limite, e voltando de lesão, acaba sendo um reinício. Por isso vou aumentar essa dificuldade na saída e nas execuções, ao pouco. Ainda tem dois ou três atletas no mundo com exercícios mais difíceis.

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iG: A equipe masculina conseguiu ouro inédito em Pans. É possível medalha olímpica?
Diego:
Sempre é possível. Já conseguimos passar de 17° para 13° no ranking, é uma melhora grande. Eu falei para os meninos quando chegamos aqui, que eu acreditava, que podíamos. E deu certo (a equipe masculina tentará a vaga olímpica em janeiro, no evento-teste, em Londres).

iG: O time estava mais unido que o feminino?
Diego:
É até bom falar nisso para acabar de vez com essa polêmica. As meninas precisam treinar, só isso. Discutir seleção permanente ou não é o de menos, é preciso trabalhar para conseguir os bons resultados. A Daniele é um exemplo disso (sua irmã, que e contra a equipe permanente, saiu com dois bronzes de Guadalajara, na trave e no solo).

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iG: Imaginava anos atrás que seria reconhecido tão longe do Brasil (os mexicanos têm assediado muito o ginasta brasileiro)?
Diego:
O mais importante é o reconhecimento do trabalho, saber que as pessoas falam de você, do resultado que conseguiu. Quando era mais novo, nunca imaginei ser reconhecido nem no Brasil, imagina em outros lugares (risos). Mas sei que a ginástica é passageira na minha vida, por isso quero aproveitar o máximo até as Olimpíadas do Rio, em 2016 (com 25 anos, Diego é nascido em Santo André, no ABC paulista, mas vive desde os sete anos no Rio).

iG: E o que vai fazer quando parar com a ginástica com pouco mais de 30 anos?
Diego:
Tranquei a faculdade de educação física até as Olimpíadas de Londres (de 27 de julho a 14 de agosto de 2012), porque quero treinar muito. Para isso tenho que abdicar de algumas coisas que me atrapalham, coisas que gosto, mas que tenho que deixar de gostar porque atrapalham. Não queria passar o Natal fora de casa, é a data que mais aprecio com minha família. Mas tenho que me dedicar pelo sonho.

Relembre imagens das conquistas de Diego nos Jogos de Guadalajara:

 

 

 

 

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