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Público fica aquém do esperado e organizadores são obrigados a remanejar parte dos espectadores para preencher espaços vazios

Jefferson Bernardes/VIPCOMM
Show de luzes e cores na cerimônia de abertura da 16ª edição dos Jogos Pan-Americanos
A organização dos Jogos Pan-Americanos teve trabalho redobrado momentos antes do início da cerimônia de abertura da 16ª edição dos jogos, na noite desta sexta-feira, em Guadalajara, no México. Isso porque, boa parte dos quase 50 mil lugares do Estádio Onmilife estavam vazios e os organizadores tiveram de remanejar parte do público para preencher espaços.

Isso, entretanto, não estragou a animação da festa. Os ensaios feitos antes do início valeram a pena e o público presente, ainda que aquém do esperado, foi parte determinante do show de luzes, que da arquibancada realçava o brilhos dos fogos de artifício, e destacava ainda mais a presença de artistas mexicanos consagrados, autoridades locais e é claro, dos atletas. Ao chegar ao estádio, os espectadores receberam lanternas de cores variadas e ficaram por pelo menos 40 minutos ensaiando junto com organizadores os movimentos da ola luminosa que mais tarde comporia o espetáculo de luzes.

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A pira Pan-Americana foi acesa pela atleta mexicana Paula Espinoza, campeã mundial de saltos ornamentais em 2009 e medalha de bronze dos Jogos Olímpicos de Pequim, na categoria plataforma de 10 metros sincronizado (ela competiu ao lado da saltadora Tatiana Ortiz). Com a ajuda de cabos conectados à própria estrutura do estádio, ela voou por cima de atletas e público para acender o fogo Pan-Americano na grande tocha posicionada no topo da cobertura do estádio. Nesse momento, a chama da pira se mesclou à mais intensa sequência de fogos de artifício usada na cerimônia.

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Os artistas que participaram da festa atenderam a diferentes gostos de variadas gerações. Do tradicional cantor Vicente Fernandez, que já publicou mais de 100 discos e fez o primeiro show da noite, passando pelo popstar colombiano Juanes, ganhador de 17 prêmios Grammy, até a banda pop Maná, que recentemente também agitou o público no Rock in Rio, e igualmente empolgou o Estádio Onmilife. Nem os atletas resistiram ao clima de festa e durante a apresentação do Maná, esqueceram o protocolo e resolveram dançar ao som dos ídolos. Os organizadores tiveram de intervir para que os atletas voltassem aos seus lugares. Outros presenças ilustres na festa foram da Miss Universo 2010, a mexicana Ximena Navarrete, e o ex-boxeador, Julio Cesar Chavez. Os dois estavam entre o grupo que conduziu a bandeira olímpica pelo estádio.

Festa particular

Hugo Hoyama entrou com a bandeira brasileira e levantou a torcida presente no estádio
Jefferson Bernardes/VIPCOMM
Hugo Hoyama entrou com a bandeira brasileira e levantou a torcida presente no estádio
A delegação brasileira só perdeu em popularidade para os donos da casa. Foram entusiasticamente aplaudida pelo público tão logo apontaram na área de desfiles, montada dentro do campo especialmente para a ocasião, já que o estádio não tem pista de atletismo. A exemplo do que aconteceu em outras edições, nem todos os competidores puderam desfrutar da festa ao vivo, somente 270 integrantes da delegação, entre atletas e comissão técnica, participaram do desfile de abertura.

Os motivos para as ausências variam. Alguns competidores já enfrentam disputas na manhã deste sábado e preferiram não ir à cerimônia. Outros ainda não chegaram ao México para o torneio. Entre os atletas nacionais, compareceram ao Estádio Onmifife competidores do hipismo, lutas, nado sincronizado, tênis, tênis de mesa, tiro com arco, tiro esportivo, futebol, pentatlo moderno, ginástica rítmica, ciclismo, boxe, taekwondo e squash.

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O porta-bandeira Hugo Hoyama abriu o caminho dos atletas brasileiros no desfile. A delegação do país optou por trajes leves, que combinaram com o clima caribenho. Os atletas vestiram calças brancas e camisas com estampas que imitam o calçadão de Copacabana, no Rio de Janeiro, em três versões diferentes, cada uma numa das cores da bandeira nacional: verde, amarelo e azul. Também calçavam sapatos brancos e usavam chapéus da mesma cor. O figurino é assinado pelo gaúcho Oskar Metsavaht.

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[]Os atletas deixaram as formalidades e esbanjaram animação. Enquanto as delegações desfilavam no Estádio Onmilife, os brasileiros engataram um trenzinho, pulando e cantando próximo à fileira de  cadeiras especialmente reservada às delegações em volta da pista central. A empolgação se espalhou por parte do público, especialmente na área do estádio mais próxima de onde os brasileiros estavam posicionados. Os atletas tiravam fotos e convidavam o público em volta a aderir.

Falta de quórum

A exemplo do que aconteceu nas arquibancadas do Estádio Onmilife, muitas cadeiras reservadas para os atletas também acabaram desocupadas. Os organizadores jogaram a responsabilidade em algumas delegações, em especial as dos Estados Unidos, Canadá e República Dominicana. De acordo com os anfitriões, esses países haviam passado uma lista de atletas maior do que de fato levaram à cerimônia. Uma vez mais, por causa disso, houve improviso: no meio da festa, os organizadores espalharam os atletas pelas cadeiras vagas para evitar espaços vazios em volta da passarela. Algumas delegações foram literalmente separadas.

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Se a quantidade de atletas acabou superestimada, o comparecimento das autoridades não deixou a desejar. Até o presidente mexicano, Felipe Calderón, participou da festa. Em rápido discurso, o mandatário anfitrião destacou os jogos como uma oportunidade de união fraterna e paz para todos os povos da América. Calderón desejou sorte a todos os atletas e foi muito aplaudido. Emílio González,
governador do estado de Jalisco (onde está localizada a cidade de Guadalajara), destacou a necessidade de liberdade e fraternidade entre os povos do continente. Também marcou presença Mario Vásquez Raña, presidente da Organização Desportiva Pan-Americana (Odepa). Ele lembrou de todo o esforço do México para conquistar o direito a sediar o Pan, parabenizou os atletas e desejou sucesso aos competidores.