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Casa do futebol brasileiro é preterida pelo Pan e pelos turistas

Estádio Jalisco, sede de lances imortais de Pelé, quase não recebe visitas e é atualmente administrado por clubes de pouco recurso

Marcel Rizzo e Vicente Seda, enviados iG a Guadalajara |

Preterido pelo Pan, o estádio que recebeu cinco dos seis jogos do Brasil na Copa do Mundo de 1970 e outros tantos no Mundial de 1986 está às moscas. Ao contrário do Maracanã, que mesmo antes da reforma para a Copa de 2014 era um dos pontos turísticos mais visitados do Rio, o Jalisco hoje perde até para uma arena de touradas do outro lado da avenida no interesse dos visitantes.

nullNum domingo de sol em Guadalajara, no México, ninguém circulava pelos corredores do local onde Pelé quase fez seu gol do meio de campo, ou onde Zico perdeu o fatídico pênalti contra a França em 1986. O colosso para pouco mais de 56 mil pessoas foi erguido há quase 60 anos.

O estádio é administrado por uma coligação de clubes, da qual o Chivas Guadalajara, hoje abrigado no moderníssimo Omnilife, o estádio utilizado pelo Pan, já fez parte. Como o clube mais abonado saiu do grupo, o Jalisco pena para se manter em boas condições, recebendo jogos do Atlas e alguns outros eventos.

Outra jogada de Pelé, além da tentativa de gol do meio do gramado, foi imortalizada na grama do Jalisco. O drible de corpo no então goleiro uruguaio Mazurkiewicz. A bola não entrou, mas ninguém se esqueceu.

O carinho dos mexicanos em relação aos brasileiros virou nome de praça. “Plaza Brasil” é o nome do jardim em frente ao estádio, onde foi erguido um monumento em homenagem à seleção de craques comandada por Mário Jorge Lobo Zagallo.

Vigia do estádio, Saul Pallares, 47 anos, relutou em abrir os portões para a reportagem do iG, mas acabou cedendo. É difícil um pedido de brasileiro não ser atendido na casa que recebeu a seleção no Mundial de 70 e, mais recentemente, no Sub-17, realizado em julho deste ano. Ele não chegou a ver Pelé e companhia, mas assistiu à Copa de 86, ainda que pela televisão. Escolheu sem hesitar o seu jogador preferido: Zico, apesar do pênalti perdido que resultou na eliminação do Brasil naquela competição.

Saul admitiu que a procura pelo Jalisco vem diminuindo bastante e que o estádio atualmente é muito pouco visitado por turistas. “Quase não vem ninguém, agora a maioria vai ao Omnilife”, lamentou.

Perto dali, uma senhora de 77 anos vende balas em uma barra improvisada desde os tempos em que os brasileiros se sagraram tricampeões mundiais. Não chegou a ver nenhum dos craques, pois nunca teve acesso ao interior do estádio, mas adora os brasileiros de qualquer maneira. Diz que são festeiros e, claro, bons compradores.

“Não nos deixam ir lá dentro, ficamos sempre, desde aquela época, aqui fora. Na Copa de 70 eu já tinha a minha barraca aqui e os brasileiros sempre foram muito simpáticos”, disse Maria Capristo, acanhada com a entrevista.

Além do monumento na praça mal cuidada em frente ao Jalisco, nenhuma referência aos tempos áureos do estádio é visto por ali. A concorrência do outro lado da avenida vem vencendo com sobras, a julgar pela quantidade de turistas na arena de touradas a uma calçada de distância. Lá, uma cena curiosa. O touro que entraria na arena horas mais tarde trazia no dorso uma marca registrada do Jalisco: 70.

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