Até a polícia será acionada para evitar que substância proibida por agência antidoping contamine atletas

Cinco dias depois da visita de emergência feita pela direção da Agência Mundial Antidoping (Wada, na sigla em inglês), o comitê organizador dos Jogos Pan-Americanos anunciou que fará um controle específico sobre a procedência da carne bovina que será consumida pelos atletas na Vila do Pan. Carlos Andrade Garín, diretor do comitê, descreveu como “cuidados extremos” os processos que envolverão a compra e transporte da carne. A medida é uma das respostas ao problema de contaminação pela substância clembuterol, detectado por autoridades mexicanas em suprimentos de carne por todo o país. Os Jogos Pan-Americanos serão realizados na cidade de Guadalajara, de 14 a 30 de outubro.

Garín garantiu que até mesmo a polícia será acionada para garantir que a carne consumida dentro da Vila do Pan esteja livre de contaminação. “A carne será trazida somente de criadores confiáveis. São pessoas que fazem um acompanhamento especial de seus animais. Quando levam o gado para os mercados, eles o mantêm sob vigilância. Durante o corte, a carne é refrigerada e amostras são analisadas. Além disso, os refrigeradores em que a carne será armazenada terão a proteção de policiais, e o transporte até a Vila do Pan será feita sob escolta da polícia”, disse Garín. Apesar de proibido no México, o clembuterol é usado por criadores para engordar o gado. Além de males à saúde, ele também consta na lista de substâncias proibidas pela Wada, já que um de seus efeitos pode ser o de induzir o ganho de massa muscular.

A questão tem gerado desconforto também entre executivos da Odepa (Organização Esportiva Pan-Americana). Mario Vázquez Raña, presidente da entidade, classificou o problema como “uma nova desgraça” para o Pan de Guadalajara, que já acumulou atrasos em obras de algumas sedes. Apesar do tom crítico, Raña procurou tranquilizar a opinião pública em posterior encontro com a imprensa. “A Wada confia plenamente em nossos esforços e só fez questão de ressaltar os pedidos para que tenhamos cuidado com esse problema”, afirmou o dirigente. De acordo com a Odepa, durante o Pan deverão ser feitos pelo menos 1400 exames de urina e 300 exames de sangue nos atletas para prevenção de casos de doping.

O problema da carne contaminada veio à tona no México durante o mês de maio. Na ocasião, cinco jogadores da seleção mexicana que estavam nos Estados Unidos para a disputa de um jogo válido pela Copa Ouro foram flagrados no exame antidoping , justamente pela presença de clembuterol. Os atletas acabaram inocentados pela comissão disciplinar, que considerou a contaminação como acidental. A Wada, no entanto, recorreu da decisão. Ainda não houve desfecho sobre o caso.

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