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Líbero brasileira, pivô do incidente que tirou a ponta do Pan, saiu de quadra com a camisa 8 e duas medalhas para entregar à amiga

Campeã pan-americana em final dura contra Cuba ,a  seleção de vôlei feminino embarca na manhã desta sexta-feira para o Brasil com um peso extra na bagagem. Como Jaqueline pediu , em ligação para o técnico José Roberto Guimarães no dia da final do Pan de Guadalajara , a medalha de ouro da camisa 8 não foi esquecida no México. A líbero Fabi se encarregou de colocar o prêmio no pescoço e saiu de quadra com o uniforme da amiga, com quem se chocou em quadra na estreia, em incidente que terminou ocasionando uma lesão na coluna cervical da jogadora e o seu afastamento da competição.

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Vicente Seda/iG
Fabi deixou a quadra da final em Guadalajara com duas medalhas de ouro e a camisa de Jaqueline
“Não sei se poderei entregar pessoalmente. Tomara que ela vá ao aeroporto. Quero vê-la com aquele pescoção”, brincou a líbero, se referindo ao colete cervical que Jaqueline terá de usar de quatro a seis semanas até que esteja recuperada e possa voltar a treinar. “Falei com ela após a partida (final contra Cuba) , estava chorando, muito emocionada. Não foi fácil, não”.

O técnico José Roberto Guimarães não conseguiu conversar com a jogadora, que não disputará também a Copa do Mundo que começa no dia 4 de novembro, no Japão. Mas afirmou que houve um pedido mais cedo, antes da conquista do ouro que escapou no Rio, em 2007. “Não deu tempo ainda”, disse o treinador na coletiva logo após a decisão. “Mas pela manhã nos falamos, e ela pediu para não esquecermos a sua medalha”, contou.

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Outras jogadoras, como Sheilla , reconheceram que a ausência de Jaqueline abalou o grupo e foi sentida na decisão contra Cuba. “Claro que sentimos a perda, é uma grande jogadora”, disse, endossada por Mari : “Quando uma jogadora da importância da Jaqueline fica fora da equipe, a gente tem de se unir ainda mais, porque faz muita falta. Fica um cobertor curto”.

Veio a revanche
José Roberto bem que tentou deixar de lado o revanchismo pela derrota brasileira na final do Pan de 2007 para a seleção cubana. Mas as jogadoras reconheceram que não a história não é bem essa. Admitiram que havia um certo nervosismo pela responsabilidade de não deixar as rivais subirem novamente ao lugar mais alto do pódio, desta vez em solo mexicano.

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Sheilla afirmou que a pressão pela derrota no Rio contribuiu para a instabilidade do time brasileiro, que alternou bons e maus momentos na final desta quinta-feira. Ela não hesitou em afirmar que a perda do ouro em casa estava presente na cabeça das brasileiras. “Ficou engasgado mesmo, não tem como dizer o contrário. Acho que ninguém saiu de quadra muito satisfeito com o que jogamos, mas valeu pelo ouro”.

O treinador, por sua vez, foi um pouco mais político. “A final de 2007 poderia ser a final olímpica de 2008, mas Cuba acabou perdendo para os Estados Unidos. Não passou pela minha cabeça que poderíamos perder pela forma como o Brasil começou o set decisivo. Cuba é uma equipe jovem e que evoluirá muito até as Olimpíadas de Londres . Vai incomodar. Não havia um sentimento de vingança, havia uma responsabilidade de ganhar. Desde o primeiro dia eu falei que a gente tentaria ganhar o ouro.”

Paula Pequeno , que se jogou ao chão chorando no fim da partida contra as cubanas, contou que precisava desabafar. Além da derrota em 2007, disse que toda a emoção foi relacionada também a problemas pessoais que preferiu não comentar. “Foi uma emoção enorme, um sentimento de dever cumprido, dá uma sensação gostosa. São momentos difíceis que nos fortalecem. Eu passei por situações complicadas e tive de me virar na raça, meus amigos e família sabem o que foi. Uma sensação de desabafo.”

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