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Antes do ouro, Rosângela Santos quase largou tudo

Velocista leva uma hora se arrumando antes de correr, sonha virar passista da Mocidade, mas embala só com "música de gente doida"

Marcel Rizzo e Vicente Seda, enviados iG a Guadalajara |

Nascida nos Estados Unidos, criada no Rio de Janeiro, neta de fundador da Mocidade Independente de Padre Miguel, frequentadora do baile charme de Madureira, Rosângela Santos vibrava com unhas nas cores do Brasil com o ouro nos 100m rasos em sua primeira participação em Jogos Pan-Americanos (ficou na reserva em 2007). Antes dela, apenas Esmeralda Garcia, em Caracas 1983, havia conseguido o feito. Motivo para dancinha ao som de Beyoncé e Jay-Z antes e depois da prova, que ainda teve a também brasileira Ana Cláudia Lemos em quarto lugar.

Atletismo segue com suas competições. Confira o calendário completo do Pan

Antes de iniciar a coletiva, ela brinca: “Gente, pega leve, tá?”. Vaidosa, demorou um tempo se arrumando na Vila Pan-Americana. “Gosto de me cuidar para sair bem na foto. Para sair da vila fiquei uma hora me arrumando. Unha, cabelo, maquiagem, tem de estar tudo perfeito”, disse a velocista, que por pouco não desistiu de disputar o Pan.

“De início tinha decidido não participar, competi bastante este ano, e o meu treinamento foi feito para o Mundial, em agosto. Já estava com fadiga muscular, a minha perna doendo, me sentindo cansada. Mas a confederação e os patrocinadores falaram para esticar um pouquinho, meu técnico também falou que poderíamos fazer um ciclo de 45 dias para poder estar bem”, afirmou.

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Bem o suficiente para ganhar o ouro. A disposição de Rosângela, além dos treinos, vem da infância em Padre Miguel, zona oeste do Rio, onde desde pequena vivia entre a vila olímpica local e a quadra da escola de samba Mocidade Independente. “Eu nasci em Washington, nos Estados Unidos, fui para o Brasil com um ano de idade por conta de uma pneumonia forte. A minha mãe decidiu me levar para cuidar de mim lá. Quando fiz nove anos, comecei a praticar o atletismo por intermédio do meu primo, que hoje mora na Suécia. O meu avô é um dos fundadores da Mocidade, Orozimbo de Oliveira, tem 89 anos e está lá firme e forte, deve estar muito feliz com a minha vitória”, contou.

Os dois últimos anos, atrapalhados por seguidas lesões, a fizeram pensar em desistir do esporte. “No Rio fui reserva no revezamento, em 2008 fui para as Olimpíadas, ficamos em quarto no revezamento 4 x 100 m, perto do bronze. Esses últimos dois anos foram bem difíceis, me lesionei bastante, e sem apoio não conseguia treinar, fui desmotivando, pensei em desistir. Agradeço ao meu técnico Paulo Cervo e à minha tia Maria das Graças, porque sem eles eu não teria essa medalha hoje”.

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Apreciadora de “música de gente doida”, como descreveu, adora dançar hip-hop e charme, o que faz no conhecido baile no viaduto de Madureira, no Rio. É o som que a embala antes das provas, apesar da ligação com o samba. Ela sonha ser passista da Mocidade, mas a roupa, ou a falta dela, é o obstáculo.

“Nas horas vagas, só tem um lugar que eu vou, sábado, que é o viaduto de Madureira, onde toca o que eu gosto, o que me acalma, charme e hip-hop. Vou muito na quadra da Mocidade também. Já desfilei, mas hoje em dia tem carnaval que eu tenho de treinar. O meu sonho é sair de passista, mas a minha tia não deixa, por causa do tipo de roupa (risos). A minha família é toda envolvida, tenho tio mestre de bateria, a minha tia tinha uma ala, eu já saí uma vez no carro, mas não gostei muito porque passou rápido demais”, lembrou a atleta, em uma observação curiosa para quem sua carreira se baseia na velocidade.

Os planos para os próximos anos são ambiciosos. Sonha com medalha olímpica em Londres e, quem sabe, ouro nos Jogos do Rio, em 2016. “A próxima meta agora é chegar às Olimpíadas, ir à final, conseguir uma medalha para o Brasil no revezamento, defender o meu título no Pan, disputar o ouro nos Jogos do Rio em 2016... Enfim, crescer.”

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