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A realidade dos não-olímpicos: 'Tem de rebolar, dançar o tchan'

Campeão brasileiro de squash, Rafael Alarcon pede carinho do governo e brinca com dificuldades de quem não irá a Londres em 2012

Vicente Seda, enviado iG a Guadalajara |

Campeão brasileiro de squash, prata por equipes em Santo Domingo, em 2003, Rafael Alarcon, principal atleta da modalidade na delegação no Pan de Guadalajara, diz que esta não é sua profissão. Praticante de um esporte fora da programação olímpica, convive com as dificuldades de quem vive à margem da Lei Piva - que chega a ceder R$ 2 milhões por ano para alguns esportes - e dos benefícios tributários permitidos apenas a quem poderá estar em Londres no próximo ano. Por isso, ele não hesita em responder o que faz:

“Tenho de rebolar, dançar lambada, fazer o tchan, qualquer coisa está valendo. Os atletas de squash sobrevivem, dão aulas em academia, vendem material esportivo, participam de clínicas, porque se for entrar no esporte pensando em ganhar dinheiro com isso, desiste. Parece clichê, mas é por aí mesmo: sou brasileiro e não desisto nunca”, brincou.

Vicente Seda
Rafael Alarcon vende material esportivo para poder defender o Brasil no Pan de Guadalajara
Esta é a realidade de nove modalidades que integram a agenda do Pan que começará nesta sexta-feira. Mas nem isso tira o sorriso e o bom humor do paulista, que pratica squash há 17 anos, metade da sua vida. “A minha profissão na verdade é vendedor de material esportivo de squash, sou representante de uma marca no Brasil. Distribuo, gerencio usando o nome que é uma referencia no esporte no país, dou aulas, a gente tenta tirar um pouco de cada lugar”.

Ele só torce o nariz quando compara o apoio que tem no Brasil em relação ao apoio que os seus adversários recebem de seus governos. “A gente é bem visto pelo COI (Comitê Olímpico Internacional) e pelo COB (Comitê Olímpico Brasileiro), mas o apoio é sempre privado. Só recebemos ajuda no ano do Pan, como foi em 2007 (Rafael foi eliminado nas quartas de final do Pan do Rio). A gente sobrevive de um bolsa-atleta da vida, mas com um pouco mais de carinho do governo, nem digo do COB, poderíamos fazer muito mais”, disse, antes de esclarecer o que quer dizer com “carinho”.

“Por exemplo, a gente não pode descontar os gastos com o esporte, viagens e outras coisas, do imposto, como as modalidades olímpicas podem. O squash traz medalha para o Brasil desde que entrou no Pan, em Mar Del Plata (Argentina), em 1995”, completou.

Ao analisar as chances brasileiras em Guadalajara, é realista. Brinca, mas reconhece que competir com adversários com condições de trabalho muito superiores é das tarefas mais complicadas. “Temos de falar que dá para buscar o ouro, temos de pensar isso, mas a realidade mesmo é que você compete com atletas subsidiados por seus governos, como Estados Unidos, Canadá, México e Colômbia. Todo ele tem centro de treinamento, recebem ajuda financeira, todas as despesas são pagas. Quando a gente vai para um ‘qualifying’ do outro lado do mundo é complicado”.

Mais difícil que tudo isso, porém, é pensar na hora de parar. Rafael tem calafrios do tema. Apesar dos obstáculos, não troca as viagens e a convivência com atletas de todo o mundo por nada. “Aqui na Vila, por exemplo, o pessoal todo me conhece, não só os brasileiros. Falo com todo mundo, brinco. Aqui tem boxeador que vigia carro, corredor que é gari, é a realidade do esporte no Brasil, a não ser o futebol”.
 

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