Tóquio 1964: Nasceu o sol nascente

Por iG São Paulo

compartilhe

Tamanho do texto

O esporte começava a virar coisa séria (e rica), e o reconstruído Japão fez de tudo para mostrar em 1964 que poderia ter destaque, enquanto o mundo vivia sob forte tensão pela ameaça nuclear

O capitão da seleção húngara recebe a medalha de ouro após vitória sobre a Tchecoslováquia
EFE
O capitão da seleção húngara recebe a medalha de ouro após vitória sobre a Tchecoslováquia


Cruzar o oceano, mandar imagens ao vivo para o planeta todo, desenvolver sistemas eletrônicos para cronometragem e chegada. Gastava-se mais e mais dinheiro com os Jogos, que, por sua vez, arrecadavam mais a cada dia. O esporte começava a virar coisa séria (e rica), e o Japão fez de tudo para mostrar em 1964 que tinha lugar de destaque naquela grandiosidade toda.

Os tempos de corrida espacial tinham suas conseqüências prosaicas, e a primeira Olimpíada realizada na Ásia foi também o primeiro programa de televisão a cruzar o Pacífico, com a transmissão quase-ao-vivo (na época o sinal andava com mais calma) para os Estados Unidos, por meio do satélite Syncom 3.

As menções à política e à tensão nuclear foram uma constante durante os Jogos de Tóquio. Começando pela cerimônia de abertura, quando o jovem Yoshiori Sakai – nascido em 6 de agosto de 1945, dia da bomba atômica de Hiroshima – foi o escolhido para acender a pira olímpica, numa homenagem às vitimas e um apelo para a paz mundial (como se pode perceber, frustrado). Para piorar, justo durante os Jogos a fogueira ganhou mais lenha, com a saída inesperada de Nikita Khruschev do comando da URSS e os primeiros testes nucleares da China.

Faltou bem pouco para o Brasil passar absolutamente desapercebido no Japão e sequer figurar no quadro de medalhas. Quem nos salvou foi a geração talentosa do nosso basquete, que chegou ao segundo bronze consecutivo – atrás, outra vez, de Estados Unidos e URSS.

Vitor, Succar, Amaury e Wlamir, bronze no basquete em Tóquio 1964
Arquivo CBB
Vitor, Succar, Amaury e Wlamir, bronze no basquete em Tóquio 1964


Fogo na pira! | 10 fatos que marcaram aqueles Jogos

01 - Entre os 68 atletas da delegação brasileira, havia apenas uma mulher: Aída dos Santos. Ela viajou sem treinador e, na primeira fase do salto em altura, foi ajudada pelo saltador peruano Roberto Abugatas, que se ofereceu para dar dicas. Aída se classificou para as finais e, com a marca de 1,74m, terminou em 4o lugar.

02 - Se ganhar a maratona de Roma 1960 descalço não havia sido o bastante para que Abebe Bikila chamasse a atenção do planeta, em 1964 – já devidamente de tênis e meia – o etíope virou lenda quando, 40 dias depois de ter feito uma cirurgia de apendicite, bateu o recorde mundial e se tornou o primeiro bicampeão olímpico da maratona ate hoje.

03 - Além de se tornar tricampeã dos 100m nado livre, a australiana Dawn Fraser virou notícia por sua rixa com os dirigentes do país. Ela participou do desfile de abertura contra o desejo do comitê australiano, usou um maiô de marca diferente da do patrocinador porque era mais confortável e, finalmente, foi presa, acusada de roubar uma bandeira do palácio do imperador Hirohito – algo que não seria provado. Por isso tudo, foi banida pela federação australiana de natação, mas manteve o status no pais: em 1988, ela foi eleita para o parlamento do Estado de Nova Gales do Sul.

04 - Depois de Tóquio 1964, ficou fácil para a soviética Larysa Latynina definir a si mesma: simplesmente, a maior medalhista olímpica da história. Com dois ouros, duas pratas e dois bronzes, a ginasta chegou a um total de 18 em sua carreira, entre elas nove de ouro. Até hoje, nenhum atleta conseguiu tantas.

As Olimpíadas vão à Ásia pela primeira vez
EFE
As Olimpíadas vão à Ásia pela primeira vez

05 - O primeiro prémio Fair Play outorgado pelo COI foi a dois iatistas suecos, cujos bons modos e IDH alto levaram a uma altruísmo louvável: Lars Gunnar Kall e Stig Lennart Kall desistiram da vitória para socorrer um barco rival que afundava.

06 - Dois dos eventos mais populares da Olimpíada hoje em dia, o judô e o vôlei estrearam em Tóquio. O vôlei foi o primeiro esporte coletivo para mulheres da história olímpica.

07 - Se em Roma havia sido Muhammad Ali, Tóquio foi o palco para outro norte-americano futuro campeão mundial dos pesos pesados incluir o ouro olímpico em seu currículo: Joe Frazier.

08 - Rapidíssimo, forte, ambidestro e capaz de jogar na defesa e no ataque, o húngaro Deszo Gyarmati é considerado o Pelé do pólo aquático. Em Tóquio, ele deu o último passo de uma gloriosa carreira olímpica, quando se tornou tricampeão e chegou ao total de cinco medalhas consecutivas.

09 - Custou, mas no Japão o húngaro Imre Polyak acabou com a fama de amarelão nas finais olímpicas da luta greco-romana: após ficar com a prata três vezes seguidas, ele finalmente levou a medalha de ouro.

10 - Durante dez anos, mulher nenhuma do mundo saltava mais alto do que a romena Iolanda Balas. Entre 1957 e 67, ela quebrou o recorde mundial 14 vezes e venceu 140 provas –um bicampeonato olímpico 1960/64 incluído.

Leia tudo sobre: OlimpíadasRio 2016

compartilhe

Tamanho do texto

notícias relacionadas