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Olimpíadas
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Organizador de Barcelona 92 vê relação entre Jogos e crise atual da Grécia

Economista Ferran Brunet afirma que país europeu perdeu a chance de se desenvolver com Olimpíadas de 2004, o que poderia amenizar

Vicende Seda, iG Rio de Janeiro |

O economista Ferran Brunet, professor e economista da Universidade Autônoma de Barcelona, e organizador das Olimpíadas de 1992, afirma: a unidade das instituições envolvidas no grandes eventos que acontecerão nos próximos anos no Brasil é fundamental para que os resultados posteriores não sejam como os dos Jogos de Atenas, em 2004. Em palestra na Universidade Gama Filho, na Barra da Tijuca, ele afirmou que a dívida olímpica não chega a interferir na crise atual, mas que os problemas apresentados na organização da competição são os mesmos que levaram o país à situação atual.

“Diretamente não é uma das causas, a crise é por causa da dívida que se formou por diversos fatores. Mas indiretamente sim, é o mesmo problema de desunião política e social. A Grécia é um grande país, não tão populoso como o Brasil, mas sem dúvida há uma continuidade dos problemas que a Grécia teve para organizar os Jogos de 2004 e os problemas que enfrenta agora”, explicou Ferret, acrescentando que, se a Grécia tivesse aproveitado a chance de se desenvolver com os recursos aplicados no evento esportivo, a crise atual seria menor.

Vicente Seda, iG Rio de Janeiro
Para economista Ferran Brunet, crise na Grécia é resultado de desunião política e social
“A dívida não é diretamente uma causa, é pequena perto do que se mostra agora. O que se pode dizer é que se os Jogos tivessem ido muito bem, se tivessem aproveitado bem a oportunidade, a situação agora não seria tão séria, haveria menos conflitos. Então há uma relação”, analisou Brunet.

Para Ferret, um dos pontos mais importantes é o cumprimento do cronograma, por uma razão das mais óbvias. “Cumprir o cronograma é muito importante. Estava passando por uma rua e via a placa ‘metrô em 2016’. Aí eu pensei: ‘Por que não em 2014? Para que esperar?’. Tudo que começar antes será mais barato. Jogos Olímpicos e a Copa do Mundo são uma ótima desculpa para colocar uma cidade no mapa mundial. Essas competições têm audiência maior do que uma guerra. O país pode atrair investimentos, até mesmo não relacionados diretamente ao esporte”.

Analisando a situação de Barcelona cinco anos antes da realização da Olimpíada de 92, Brunet vê o Rio em uma posição favorável, especialmente em relação ao turismo. “O mundo vive uma situação econômica e esportiva diferente. Creio que estava melhor economicamente em 1992. Barcelona precisou se adequar às necessidades do mundo. O Rio é como Barcelona. Se trabalhar bem a partir de agora vai fazer uma ótima Olimpíadas. Barcelona era um Titanic antes dos Jogos. Depois, a cidade ganhou um atrativo e virou ponto turístico. O Rio tem uma oportunidade ainda melhor porque já é um destino turístico”.

O economista afirmou que o legado relativo a instalações esportivas representa menos de 10% do que deve ser o legado de uma competição como as Olimpíadas. Uma organização bem feita pode, segundo Brunet, até impedir que uma crise que aconteça pouco depois dos Jogos afete muito o Brasil. “As instalações esportivas representam 9% do legado após eventos grandes como estes. Os outros 91% são do desenvolvimento das relações comerciais e da experiência de organizar uma competição de grande porte. Não é só o legado material, é aquilo que não pode ser tocado. Todos ganham. Se houver uma crise depois dos Jogos, o país seria pouco afetado por causa desse legado”.

O espanhol disse ainda que o Brasil não deve se preocupar muito com o resultado financeiro da realização das Olimpíadas pois, se houver superávit, será pequeno. “É claro que o comitê organizador trabalha por superávit, mas é um lucro muito, muito limitado, coisa de R$ 1 milhão, podemos dizer. O dinheiro manipulado pelo comitê é pouco, na verdade, perto do total. Os ingressos, por exemplo, já são controlados, porque tem o COI (Comitê Olímpico Internacional) e também os patrocinadores, os gastos também são controlados, então a questão econômica não é exatamente o objetivo do comitê organizador. Importantes são os investimentos que serão atraídos em áreas como transporte, turismo e infra-estrutura. Boa parte do sucesso do negócio está na capacidade de o país desenvolver o projeto”.

Ele enxerga, contudo, um panorama diferente em relação às Olimpíadas de Londres, em 2012. “A situação de Londres é diferente porque já é uma cidade pronta, acabada. Organizar os Jogos é uma intervenção para arrecadar de dinheiro. Depois, as instalações esportivas serão universidades. Acredito que o Rio já trabalha bem, por causa da experiência que teve em 2007, no Pan-Americano. Mas pode ser ainda melhor”.

No fim da palestra, a Gama Filho anunciou a criação, nos próximos meses, de um Centro de Estudos Olímpicos, que englobará todos os aspectos envolvendo o esporte, do marketing à fisioterapia, além de questões sociais.

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