Confirmado o recredenciamento do LBCD (Laboratório Brasileiro de Controle de Dopagem) nesta quarta-feira, um grupo de atletas de ponta do país passará pela primeira vez a ter seu perfil de sangue e urina monitorados permanentemente

Após um sufoco que durou quase dois anos, o Brasil deve finalmente contar a partir desta quarta-feira novamente com um laboratório para realizar exames antidoping credenciado pela Wada (Agência Mundial Antidoping, na sigla em inglês). A confirmação da retomada da credencial pelo rebatizado LBCD (Laboratório Brasileiro de Controle de Dopagem) deverá acontecer em uma reunião da agência em sua sede, na cidade de Montreal (CAN).

Além de resolver uma das maiores pendências do país para a organização dos Jogos Olímpicos do Rio 2016, que era a de não ter um local reconhecido pela Wada para cuidar dos controles de dopagem do mega-evento, o LBCD terá condições de realizar algo inédito em termos de combate ao doping no Brasil, a criação de um passaporte biológico para um grupo de atletas de ponta do país.

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Confira imagens do LBCD, o laboratória brasileiro de controle de dopagem


“O passaporte biológico nos permite acompanhar e estabelecer um padrão daquele sangue ou urina ao longo de um tempo para assim identificar práticas como a manipulação de sangue”, explica Marco Aurélio Klein, secretário nacional da ABCD (Autoridade Brasileira de Controle de Dopagem).

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Criado pela Wada em 2009, após vários casos de desistência de atletas de competirem nos Jogos de Inverno de Turim 2006, por apresentarem alto nível e hemoglobina no sangue – o que segundo a agência poderia ser um efeito posterior do uso de doping –, o passaporte biológico traz um perfil genético do atleta. Uma vez realizado um teste-base de sangue, essa amostra servirá como referência para outros exames. Ou seja, se ocorrer alguma mudança de substâncias em coletas futuras, o atleta é investigado para justificar esta alteração. Se a justificativa não for considerada válida, ele será julgado como usuário de doping. 

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No caso do Brasil, após a modernização das instalações do LBCD (o antigo Ladetec), será possível realizar um controle semelhante com os atletas locais. Segundo Klein, um grupo formado por 157 atletas de ponta passará a ser acompanhando por meio deste passaporte. “Ainda este ano utilizaremos esta novidade em 37 destes atletas, cujos nomes serão anunciados em breve. Será uma verdadeira revolução no controle de dopagem no Brasil”, comemora Klein.

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Marco Aurélio Klein, da ABCD, disse que o passaporte biológico será uma revolução no combate ao doping no Brasil
Divulgação/ABCD
Marco Aurélio Klein, da ABCD, disse que o passaporte biológico será uma revolução no combate ao doping no Brasil

Mas este marca importante na guerra contra o doping ficou bastante ameaçada de não existir por conta do descredenciamento do Ladetec, em setembro de 2013, em razão de falhas de procedimento em dois testes habituais e um no chamado “teste dupla cego”, onde são enviadas amostras da própria Wada, mas sem identificação. Como se fosse uma carteira de motorista, o laboratório vai perdendo pontos de acordo com as  inconformidades, até que atinja a marca de 30 pontos e tenha sua credencial suspensa ou retirada pela Agência Mundial.

“Como não tínhamos tempo a perder, iniciamos nosso processo do zero. Fiz várias visitas à Wada, acompanhei de perto os procedimentos em vários países. Olhei tudo o que de melhor foi recomendado por eles, em busca de apoio”, disse Klein. Foi assumido um compromisso para que as novas instalações e os testes prévios feitos pela Wada fossem concluídos até março, para que os relatórios de avaliação fossem produzidos para serem analisados na reunião desta quarta-feira.

Com investimento total de R$ 188 milhões, sendo R$ 160 milhões do Ministério do Esporte (obras e equipamentos) e R$ 28 milhões do Ministério da Educação (obras), o LBCD está instalado no Instituto de Química da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) e já estará funcionando com 97% de seus equipamentos para os eventos-testes dos Jogos do Rio 2016, a partir de julho.

Se recuperar sua credencial, o laboratório brasileiro passará a ser o terceiro reconhecido pela Wada no Hemisfério Sul, ao lado de Sydney (Austrália) e Johannesburgo (África do Sul). Em todo o mundo, são 32 os laboratórios que contam com a credencial da Agência Mundial Antidoping.

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