Segundo Marco Aurélio Klein, que comanda a ABCD, acima da questão jurídica é preciso analisar o lado ético. “Não é possível que se dê guarida a um atleta que foi flagrado duas vezes”

A intenção de Anderson Silva em participar da seletiva para a equipe brasileira do taekwondo que disputará as Olimpíadas de 2016 , no Rio de Janeiro, foi vista como um “bilhete premiado da Mega Sena” pelo presidente da CBTKD (Confederação Brasileira de Taekwondo), Carlos Fernandes. Mas para a ABCD (Autoridade Brasileira de Controle de Dopagem) a história é bem mais complicada. Segundo Marco Aurélio Klein, secretario nacional responsável pelo órgão, uma possível presença do “Spider” nos Jogos do Rio é inaceitável. 

Marco Aurélio Klein se mostra absolutamente contrário à participação de Anderson Silva nas seletivas olímpicas do taekwondo
Divulgação/ABCD
Marco Aurélio Klein se mostra absolutamente contrário à participação de Anderson Silva nas seletivas olímpicas do taekwondo


“A minhas posição é absolutamente contrária a qualquer hipótese de Anderson Silva disputar os Jogos de 2016, caso esteja cumprindo suspensão, ainda mais por esteroide anabolizante. Não tem contaminação, não tem desculpa. Trata-se até de um agravante, pois dá uma vantagem física inaceitável em uma disputa com atletas que não usaram este tipo de substância proibida”, afirmou, em entrevista ao iG .

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Para Klein, mais do que ficar discutindo questões jurídicas que possam justificar uma possível participação do ex-campeão do UFC na seletiva olímpica do taekwondo, é preciso analisar o lado ético de todo este caso.  “A questão jurídica permite várias nuances. Mas é bom lembrar que o artigo 15 do código mundial antidopagem diz que comprovado o cumprimento de processos adequados, uma entidade pode reconhecer uma suspensão, independentemente de a entidade não ser signatária da Wada”, explicou o secretario.

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Ele  fez referência a uma posição oficial da Agência Mundial Antidopagem, que dizia nada poder fazer para impedir a intenção de Anderson Silva disputar a seletiva olímpica, mesmo tendo sido flagrado duas vezes em exames antidoping, antes e depois da luta contra o americano Nick Diaz, no final de janeiro deste ano.

“Neste momento, a nossa posição ter a ver com a questão ética e os princípios do olimpismo, sobretudo para Jogos Olímpicos. O Brasil e a América do Sul recebem as Olimpíadas pela primeira vez e não é possível que tenha um movimento que dê guarida a um atleta suspenso que comprovadamente fez uso de substância proibidas duas vezes”, afirma o secretário da ABCD.

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“Não tenho nada contra o Anderson Silva. Ele é um grande ídolo do esporte brasileiro. As pessoas lá na Wada não tem ideia da importância do Anderson Silva,  ídolo de crianças aqui”, explicou Klein. “Porém, neste sentido, que mensagem estaremos passando para estas crianças? Não é possível imaginar que um atleta punido troque seu esporte e nada aconteça. Como ficarão os atletas que vão disputar as seletivas com ele? Ou, caso ele se classifique, como ficarão aqueles que vem aos Jogos, sob intensos programas de controla de dopagem, sabendo que enfrentarão um atleta que usou esteroides?”, completou.

Por enquanto, Marco Aurélio Klein prefere aguardar o desfecho do caso do astro do UFC, que deve ser julgado pela Comissão Atlética de Nevada neste mês. “A ideia de que ele está liberado, pelo fato do UFC não ser signatário da Wada, é uma leitura livre. Eu diria que é preciso esperar. Ele ainda vai ser julgado. Hoje minha posição como secretario nacional da ABCD, e já a coloquei para a Wada, é que olhamos para esta questão para algo que ultrapassa todas as outras, que é a questão ética”, afirmou.

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