Mais de 37 toneladas de peixes já foram retiradas da raia do remo do Rio 2016

Por AP | - Atualizada às

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Autoridades não chegam a um acordo pelas causas do desastre ecológico na Lagoa Rodrigo de Freitas e temem que ocorra algo semelhante durante o período das Olimpíadas

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Ainda não se tem o real motivo do desastre ecológico que vem ocorrendo na lagoa Rodrigo de Freitas e que já causou a morte de mais de 37 toneladas de peixes desde a semana passada. O local receberá as provas de remo e canoagem velocidade nos Jogos Olímpicos do Rio 2016 e o acidente divide autoridades da cidade e biólogos sobre a causa da mortandade.

Remador treina em água repleta de peixes mortos na Lagoa Rodrigo de Freitas
AP Photo/Felipe Dana
Remador treina em água repleta de peixes mortos na Lagoa Rodrigo de Freitas


A empresa de coleta de resíduos Comlurb admitiu que na quarta-feira já havia retirado mais de 37 toneladas de peixes mortos da Lagoa Rodrigo de Freitas desde a última semana. Os peixes em decomposição são de uma espécie chamada savelha e estão causando um mau cheiro tão forte que vem provocando várias queixas dos vizinhos do local.

Fatos assim estão se tornando comuns na sede dos Jogos Olímpicos. Em fevereiro, outras espécies de peixes boiavam sem vida na Baia de Guanabara, que receberá as provas de vela nas Olimpíadas.

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Para a Secretaria de Meio Ambiente do Rio, o atual incidente é resultado de uma mudança brusca na temperatura da água. "As chuvas intensas que aconteceram na semana passada e um aumento nos níveis do mar levaram a um pico na entrada de água no lago, causando um choque térmico", disse o órgão em um comunicado, informando que a temperatura da água no lago diminuiu quatro graus em um curto período de tempo.

No entanto, vários cientistas rejeitaram essa explicação, dizendo que a poluição é realmente a culpada. Estefan Monteiro da Fonseca, oceanógrafo da Universidade Federal Fluminense, disse que a explicação oficial não faz sentido. "O lago continua recebendo grandes quantidades de esgoto e tem grandes concentrações de enxofre por causa do material orgânico despejado nele, e, dependendo dos ventos, o material sobe para a superfície e mata os peixes", afirmou.

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A qualidade da água do Rio tornou-se uma das questões mais controversas na reta final da preparação do Rio 2016. As autoridades afirmaram por muito tempo que as Olimpíadas seriam o catalisador para a despoluição das águas da lagoa e da Baia de Guanabara, mas com a proximidade do evento, já admitem que as promessas não serão cumpridas.

O governador do Rio de Janeiro, Luiz Fernando Pezão, reconheceu no início desta semana que não haverá tempo hábil para a despoluição das águas e que talvez isso ocorra até o final de 2018.

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Marinheiros têm manifestado repetidamente preocupações sobre possíveis ameaças para a saúde ea segurança decorrentes dos concorrentes nas águas do Rio. O oceanógrafo Estefan Fonseca terme pelo que possa ocorrer durante as Olimpíadas. "Uma outra mortandade de peixes durantre as Olimpíadas poderia abalar bastante a imagem do Rio de Janeiro, até de forma irreparável", afirmou.

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