O bom início de temporada não ilude Arthur Zanetti, que trabalha firme de olho no Pan de Toronto e Mundial de Glasgow. E o bi olímpico no Rio 2016 nas argolas? "Primeiro eu tenho que garantir meu lugar na equipe", avisa o ginasta

Arthur Zanetti começou bem a temporada de 2015, vencendo duas etapas da Copa do Mundo. Agora, o foco está no Pan de Toronto e no Mundial de Glasgow
Ricardo Bufolin/Photo&Grafia/CBG
Arthur Zanetti começou bem a temporada de 2015, vencendo duas etapas da Copa do Mundo. Agora, o foco está no Pan de Toronto e no Mundial de Glasgow

A temporada da ginástica artística de 2015 não poderia ter começado melhor para o ginasta Arthur Zanetti. Vice-campeão mundial na China nas argolas em 2014, o brasileiro começou o ano emplacando nada menos do que duas medalhas de ouro nas etapas da Copa do Mundo, em Cottubus (Alemanha) e Doha (Catar). Para o início da última fase de preparação antes das Olimpíadas do Rio 2016 , seria algo excelente, certo? Não para Zanetti, consciente de que os objetivos ainda estão muito longe de serem alcançados.

"Este será um ano muito importante, pois teremos o Pan de Toronto, no mês de julho, e o Mundial de Glasgow, em outubro. Tem muito trabalho pela frente", afirmou o ginasta, em entrevista exclusiva ao iG Esporte , evitando ainda falar em Jogos Olímpicos ou mesmo de participação no Pan e Mundial. "Primeiro eu preciso garantir meu lugar na equipe, né?", ponderou Zanetti, que é simplesmente o atual campeão olímpico das argolas.

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O que pode parecer absurdo - seria mais ou menos o equivalente a dizer que Neymar não tem vaga certa entre os convocados por Dunga na seleção brasileira de futebol - é encarado de forma natural por Zanetti, que faz um período de preparação no Rio de Janeiro com parte da seleção brasileira, no Centro de Treinamento do COB (Comitê Olímpico do Brasil), na Barra da Tijuca.

Veja imagens da carreira de Arthur Zanetti:




"Acho que este critério é totalmente justo, pois somos avaliados constantemente pelos treinadores da comissão técnica, que escolhem os melhores ginastas de cada aparelho", disse Zanetti. A informação é confirmada pelo coordenador da seleção brasileira masculina, Leonardo Finco. "Não existe vaga garantida, a equipe será definida pelas avaliações que faremos com todos os ginastas que estão no grupo de controle e a possibilidade de resultados que estes ginastas podem trazer para a equipe e o país", explicou.

Difícil saber se os rígidos critérios da CBG (Confederação Brasileira de Ginástica) colocariam de fato no condicional a participação de um astro como Zanetti em uma Olimpíada, por exemplo. Provavelmente não. O que se pode assegurar é que o ginasta não se assusta com a possibilidade de defender em casa o título olímpico obtido em Londres 2012. "Eu irei encarar os Jogos, caso esteja lá, de uma forma absolutamente tranquila, como uma competição qualquer", assegurou.

Confira abaixo a entrevista de Arthur Zanetti ao iG Esporte

iG Esporte: Como está sendo a preparação para o Mundial e o Pan-Americano?

Arthur Zanetti: Está tudo muito tranquilo. Tenho focado meu trabalho nos três aparelhos que eu participo (solo, cavalo com alças e argolas). Vejo o Pan de Toronto como uma competição muito importante e que não será nada fácil. Já soubemos que os EUA deverão mandar sua equipe principal, a Colômbia também tem mum bom time, enfim, não será fácil. Será também nossa última etapa da preparação da equipe para o Mundial de Glasgow, no final de outubro

O que representará disputar o Pan, mesmo depois de ter sido campeão olímpico?

Eu fiquei com a prata em Guadalajara 20111, quando perdi para o americano [Brandon Wynn]. Foi um pouco decepcionante, pois fiz uma boa apresentação, mas ele foi mesmo um pouco melhor do que eu.

O fato de você ter conquistado uma medalha de prata pouco antes, no Mundial de Tóquio, aumentou essa decepção?

Não, porque aquele tinha sido meu primeiro Pan-Americano, e foi uma experiência nova pra mim. Acabou no final sendo um resultado justo.

O fato de na época você ainda ser relativamente desconhecido pode ter pesado também para que os árbitros acabassem privilegiando o seu adversário?

Isso até pode acontecer. Acredito que hoje, por eu ser mais conhecido, tenha alguma vantagem, mas apenas isso não te assegura uma vitória. Eu preciso fazer a minha parte, conseguir executar bem os movimentos. É isso que acaba valendo no final.

Qual sua expectativa em relação à participação no Mundial de Glasgow?

O Mundial será ainda mais importante, porque teremos a grande chance para classificarmos uma equipe masculina completa do Brasil  para as Olimpíadas. Precisamos chegar à final do Mundial se quisermos atingir este objetivo.

Dá para ter alguma ideia do seu desempenho tendo como base seus resultados neste começo de temporada?

Participei de duas etapas da Copa do Mundo e venci as duas [nas argolas]. Mesmo assim, não é possível ter uma ideia porque nem todos os meus principais competidores disputaram todas as etapas. Além disso, os árbitros estão muito mais rigorosos este ano, o que exige que façamos uma apresentação muito boa para ter chance de medalha.

Quais serão seus principais adversários?

Tem os chineses Liu Yan (ouro no Mundial 2014, em Nanning, na China) e You Hao, os russos Denis Abliazin (3º em 2014) e Nikita Ignayev, além do grego Eleftherios Petrounias. Mas primeiro eu preciso me classificar para o Mundial, né?

Você ainda não tem vaga assegurada, mesmo tendo sido prata no ano passado e ser o atula campeão olímpico?

Oficialmente ainda não. E acho que o critério totalmente justo, pois somos avaliados constantemente pelos treinadores da comissão técnica, que escolhem os melhores de cada aparelho. Com isso, os melhores acabam sendo selecionados.

Como você tem lidado com a pressão de competir em casa nas Olimpíadas de 2016?

Todo atleta de alto nível sofre um pouco de pressão, ainda mais pelo fato de competir ao lado de sua torcida. Certamente teremos essa pressão a mais no no que vem, mas eu avalio que poderá ser uma coisa boa. Eu vou encarar os Jogos, caso esteja lá, de uma forma absolutamente tranquila, como uma competição qualquer.

Como você faz para lidar com essa pressão? Faz algum acompanhamento psicológico?

Em época de competições, a gente se isola um pouco mais, especialmente da imprensa, evita um pouco as entrevistas. No dia a dia, fazemos um acompanhamento no clube (SERC-São Caetano) há oito anos e os resultados têm sido muito bons. Fazemos trabalhos em grupo e se alguém sentir necessidade de algo a mais, há o atendimento individual também. Para o Mundial, vamos ver se a CBG consegue levar alguém para lá.

Em 2013 você reclamou muito das condições de trabalho oferecidas em seu clube, falta de aparelhos etc. Depois, passou a contar com mais apoio tanto da CBG quanto do Ministério do Esporte. Como está agora?

Muito melhor, sem dúvida. Hoje temos equipamentos de primeira linha, o COB, a CBG e o Ministério estão dando todo o apoio possível para que a ginástica masculina conquiste resultados nunca antes alcançados. Hoje temos um ótimo CT em São Bernardo e ainda contamos com uma boa estrutura no CT aqui do COB

Em 2012, o Marcos Goto, seu treinador, preparou novidades na sua apresentação, o que surpreendeu muitos adversários nos Jogos de Londres. Teremos surpresas para este ano e para o Rio?

Olha, se ele tem algo em mente, não me falou ainda (risos). Mas conheço o Goto há muito tempo e a cabeça dele não para nunca. De repente ele está preparando algo para o Mundial e as Olimpíadas, quem sabe...

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