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04/09 - 06:00

No Rio, paintball é brincadeira de gente grande
Com uso de estratégia e equipamentos modernos, esporte prova que é mais do que uma simples guerra de tinta

Anderson Dezan, iG Rio de Janeiro

O clima é tenso e o cenário é intimidador. Carcaças de veículos, pneus abandonados e homens com roupas camufladas dividem espaço em uma fábrica desativada, tendo ao fundo um intenso som de disparos. A descrição poderia ser perfeitamente de uma guerra, não fosse um detalhe. As pessoas envolvidas nessa situação são atingidas por tiros, mas de tinta e de várias cores. Tido por muitos apenas como uma opção de diversão entre amigos no fim de semana, o paintball tem crescido e, no Rio, já possui um campeonato com premiações que totalizam R$ 10 mil.

Criado nos Estados Unidos há cerca de 20 anos, o esporte possui três modalidades: Speed, Real Action e Cenário, sendo essa última a adotada na competição carioca. Nessa vertente o campo é temático, podendo simular uma área de batalha. No torneio, as partidas são disputadas entre duas equipes com 15 integrantes cada - sendo 12 titulares e três reservas - em dois rounds de 15 minutos. O objetivo: eliminar os adversários com disparos de tinta.

André Durão

Jogadores ajustam marcadores de tinta antes de entrar em campo

Minutos antes de a partida começar, a adrenalina entre os participantes é visível. Organizadas em tendas montadas em meio a árvores e folhas secas, as equipes cuidam de todos os detalhes para nada sair errado. Os marcadores de tinta - nome dado aos equipamentos semelhantes às armas -, postos lado a lado, são regulados.

Cada equipamento sai carregado com 200 bolinhas de tinta e com uma pressão de disparo de 280 fps (pés por segundo). Para se ter uma comparação, em um jogo de paintball de lazer a pressão média é de 160 fps.

Os capitães reúnem suas equipes e repassam a estratégia, ponto fundamental para se obter a vitória. Equipados com coletes, roupas especiais, máscaras, marcadores carregados e até quatro tubos extras com 140 bolinhas cada, os jogadores se posicionam como se estivessem indo para uma guerra.

“Com a pressão a 280, dói o disparo feito a uma curta distância. Sem uma proteção específica, pode causar um hematoma grande. Mas quem participa de campeonatos está preparado”, diz o presidente da Federação de Paintball do Estado do Rio, Ataíde Braga.

Assista ao vídeo com lances de uma partida de paintball:

Disputa

Uma sirene soa. Esse é o sinal, a disputa começou. Separados por uma tela de segurança, os torcedores - na maioria amigos e parentes dos jogadores - acompanham cada lance. Uns comemoram, outros avaliam o jogo com um olhar confuso.

“Caramba! Esse é cara é muito bom”, vibra do lado de fora o integrante reserva de uma das equipes ao ver o companheiro chegar perto da base adversária sem ser notado. “É mesmo”, concorda um amigo, com cara de quem não entendeu a importância do feito.

Pela regra, os torcedores podem fazer comentários entre si, mas não estão permitidos a passar informações para o jogadores, caso contrário, a equipe favorecida será punida. No campo, os participantes podem conversar, mas se forem atingidos por um disparo devem permanecer calados e aguardar o fim do round.

André Durão

A sirene soa e os jogadores deixam a base

Entre pneus e outros obstáculos, os jogadores se escondem para fugir dos “tiros”. Um jogador que atua em uma posição que necessita disparar muito usa em média 500 bolinhas de tinta em um round. Ao final da etapa, é feita a contagem de quantos foram atingidos em cada equipe e, assim, determina-se o vencedor.

“O jogo envolve muita adrenalina, mesmo sem trocar tiro com ninguém. Você fica naquele suspense de saber se vai confrontar com alguém. O competidor tem que ter muita frieza e calma”, avalia o empresário Jean Pereira, capitão da equipe GTP, uma das seis classificadas para a final do campeonato, a ser realizada neste domingo (5) no município de Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense.

André Durão

Jogador caminha lentamente para não ser pego de surpresa

Para o policial militar Walmir Ferreira, integrante da equipe Conquista, o paintball é uma forma que ele encontrou para se divertir, fazer novos amigos e aprimorar as técnicas que aprende na PM.

“O cenário é bem parecido com uma favela. Esse é o modo mais fácil de se aperfeiçoar aproximando-se da realidade”, compara, completando que sua profissão o favorece parcialmente. “Tem jogadores que não são militares, mas são bons. Têm técnica, garra e disposição. É muito relativo”.

Mesmo com a aparência inicialmente intimidadora, o presidente da federação, Ataíde Braga, incentiva qualquer pessoa a partir dos dez anos a jogar paintball – não em competição e, sim, em lazer. Segundo ele, os equipamentos envolvidos na partida passam por um controle rígido e os donos dos marcadores são obrigados a ter um registro junto ao Exército, a exemplo do que acontece com os atletas de tiro esportivo.

“O esporte é baseado nos valores da amizade, do respeito, da responsabilidade e da confiança. Como lazer, qualquer um pode brincar”, finaliza.

André Durão

Competidor é atingido por disparo e se rende


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André Durão

Equipe fica atenta a cada movimento em campo

Paintball no Rio
Competição usa estratégia e equipamentos modernos

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Equipe fica atenta a cada movimento em campo
Jogadores a caminho do campo de batalha
Competidor se esconde atrás de pneu para não ser atingido
No paintball, qualquer passo pode ser crucial
Torcedores acompanham todos os lances atrás de uma tela de segurança
O PM Walmir Ferreira aprimora suas técnicas com o paintball
Membros da equipe fazem ajustes nos marcadores
Equipamentos usados na partida lado a lado
Competidor carrega os tubos com as cápsulas de tinta
Tubos com bolinhas de tinta presos na cintura de jogador
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