Avô de Alexandre, da classe J24, classificou seleção de futebol para Copa de 70, mas não queria ver neto jogando futebol

Quarenta e um anos depois, um Saldanha é campeão no México. Alexandre Saldanha fez parte do time que neste domingo ganhou a medalha de ouro na classe J24 na vela, na cidade de Puerto Vallarta, a 350 km de Guadalajara . Ele é neto de João Saldanha, jornalista que assumiu a seleção brasileira em 1969, levou o time à Copa do Mundo do México, mas saiu antes da competição para dar vaga a Zagallo, que seria tricampeão.

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“Meu avô sempre incentivou para praticar vela. E digo que ele não queria que nos envolvêssemos com futebol. Nunca fui com ele ao Maracanã, porque ele dizia que para me levar teria que pedir favores, e não poderia já que depois poderia ter que criticar essa pessoa em suas crônicas ou na TV”, contou Alexandre , que tem 41 anos. Ele nasceu em outubro de 1970, quatro meses depois de o Brasil ser o campeão.

Bicampeão pan-americano da J24, Alexandre Saldanha é neto do ex-técnico da seleção
Marcel Rizzo/ iG
Bicampeão pan-americano da J24, Alexandre Saldanha é neto do ex-técnico da seleção

A saída de João Saldanha da seleção tem algumas versões: uma que não queria escalar Pelé, que segundo ele seria míope, outra que se recusou a convocar Dadá Maravilha, a pedido do então presidente Emílio Garrastazu Médici. A mais fiel é que tinha um gênio difícil e se desgastou com comissão técnica e jogadores - o avô do medalhista morreu em 1990, aos 73 anos.

“Eu tentei jogar golfe também uma época e ele me apoiava. Só não queria mesmo que jogássemos futebol”, disse Saldanha , sem explicar o motivo de tanta resistência

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Ao lado de Daniel Santiago , Guilherme Hamelmann e de Maurício Santa Cruz , na classe J24, Saldanha tem superstições, como levar sempre uma camisa amarela no barco. “Tem que ter a cor de ouro. Mas eu costumo usar sempre a mesma meia também. Hoje (domingo) tinha a molhada, de ontem, e uma seca. Peguei a molhada mesmo”, contou.

Os campeões precisaram usar a cabeça, e não só a habilidade de velejar, para virar o jogo contra os norte-americanos, que lideravam a regata. Era preciso colocar um barco entre eles e os adversários, mas para isso Saldanha contou que era preciso penalizar o time dos EUA (forçá-los a cometer alguma manobra ilegal).

“Conseguimos isso e depois foi velejar e velejar para passar um barco. E quem passamos? Justamente os “hermanos”. Deixamos os argentinos para trás e comemoramos”. Foi o segundo ouro na categoria, também vencedora no Pan do Rio, em 2007. Em Santo Domingo, em 2003, eles foram prata.

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