“Sei que vou disputar a minha vaga, mas sempre fica aquela coisa: ‘será que vou ter dinheiro e oportunidade de competir’”, fala Diogo Sclebin, representante do Brasil em Londres

Diogo Sclebin representou o Brasil em Londres 2012 e vai buscar uma vaga para 2016
Aretha Martins/iG
Diogo Sclebin representou o Brasil em Londres 2012 e vai buscar uma vaga para 2016

A corrida para a vaga no triatlo para as Olimpíadas do Rio 2016 começa apenas no ano que vem, mas já é tempo para os atletas começarem a preparação. E esse período inclui cuidar do psicológico para ficar dois anos apenas de passagem em casa e também para preparar o bolso.

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“Pelos resultados, acho que é possível sonhar com uma Olimpíada, mas o problema é patrocínio. Fizemos as contas e para competir um ano, gastaria R$ 150 mil e disputaria 15 provas”, fala Carol Furriela, terceira no ranking brasileiro e atual campeã nacional sub 23. 

A classificação olímpica inclui dois anos de provas internacionais que contam pontos para o ranking. A corrida começa em meados de 2014 e vai até às vésperas dos Jogos. Depois desse período, os 55 melhores garantem vaga, com limite de três atletas por país. Carol e o namorado, Danilo Pimentel, sonham em disputar a classificatória.

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Os atletas contam com ajuda da CBTri (Confederação Brasileira de Triatlo). Segundo a entidade, os técnicos enviam um planejamento com as provas pretendidas para quem integra a seleção brasileira. Diante disso, a CBTri se organiza e divide recursos para mandar os competidores para as provas, com todas as despesas pagas.

Diogo Sclebin foi, ao lado de Reinaldo Colucci, um dos representantes do Brasil nas Olimpíadas de 2012, em Londres. Ele contou com apoio da CBTri e também escolheu competir outras provas. “Para Londres eu fiz 25 provas e banquei seis”, afirma. “Tem que ter investimento próprio ou ajuda da confederação. Sei que vou disputar a minha vaga para o Rio, mas fica aquela coisa: ‘será que vou ter dinheiro e oportunidade de competir’”, comenta Sclebin.

“Sabemos das dificuldades, principalmente daqueles atletas que não estão na seleção e precisam disputar provas para subir no ranking e tentar uma vaga. Hoje temos um grupo de 20 ou 25 atletas e a CBTri é custeada pela Lei Piva, não tem um patrocínio. Mas estamos lutando até para trazer mais provas para o Brasil para melhorar o nível dos nossos atletas e conseguir expandir a nossa base”, afirma Roberto Menescal, superintendente da confederação.


Cabeça no lugar para a corrida olímpica

O Brasil já tem alguns nomes que devem buscar a classificatória para os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro. Além de Diogo Sclebin, Flávia Fernandes quer participar da corrida. Ela tentou em 2012, mas viu apenas Pâmela Oliveira conseguir vaga para Londres. Agora, sabendo que para chegar aos Jogos é preciso competir, e muito, fora do Brasil, Flávia aproveita a temporada para correr aqui no país, ganhar ritmo e também curtir a casa e a família.

“Na hora que começa a competir lá fora, tem que abrir mão de muita coisa e ficar só de passagem em casa. Você chega, troca de mala e sai de novo. Só em 2011 eu fiz 81 voo. Estive em três continentes diferentes em três finais de semana para competir”, conta a triatleta, atual tricampeã brasileira.

Detalhe dos arcos olímpicos tatuados na panturrilha de Diogo Sclebin
Aretha Martins/iG
Detalhe dos arcos olímpicos tatuados na panturrilha de Diogo Sclebin

Experiência pode contar nessa corrida também. “Ter ido para Londres mostra que eu conheço o caminho e isso me dá credibilidade. Pelo menos eu sei o que fazer para chegar lá”, fala Sclebin.

O triatleta, que é carioca já até planeja uma nova tatuagem se conseguir disputar as Olimpíadas em casa em 2016. “Sempre quis fazer uma tatuagem, mas não tinha um desenho. Queria alguma coisa que representasse muito e para a vida inteira. A ideia era fazer o logo de Londres 2012, mas disseram que era feio e não deixaram. Fiz os arcos na panturrilha esquerda. Mas se der certo agora, quero o logo do Rio 2016 na outra perna”, avisa Diogo Sclebin.

Ele também faz uma previsão para as provas. “Para 2016 é bem provável que o Brasil consiga duas vagas. No feminino, deve levar uma e tem a Pâmela”, comenta. Pâmela Oliveira foi campeã pan-americana no final de junho e é a líder do ranking nacional.

A concorrência de Pâmela não desanima Flávia Fernandes. E ela nem é vista como uma rival de fato. Quem sabe o Brasil não muda a escrita de Londres e compete com duas atletas no feminino por aqui? É a ideia de Flavia. Assista no vídeo abaixo:


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