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Paraenses disseram ter visto botos nos dias de treino para a prova na praia fluvial da Ilha do Mosqueiro e alertam para arrais e outros perigos

Elina Fàrrel é triatleta do Pará e dá dicas sobre os animais e o rio na prova de triatlo
Aretha Martins/iG
Elina Fàrrel é triatleta do Pará e dá dicas sobre os animais e o rio na prova de triatlo

A Ilha de Mosqueiro, a aproximadamente 70 km de Belém, recebeu a etapa do Pará do circuito de triatlo do Sesc no domingo. A prova de natação é disputada nas águas do rio que banha a ilha. E como se trata de natureza, vale seguir algumas táticas para espantar arraias ou simplesmente aproveitar a visita de alguns botos nos dias mais calmos.

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"Quem estava treinando lá na ilha que disse que viu uns botos lá no fundo. Acho que é a primeira vez que isso acontece", conta Giovana Cruz. Aos 14 anos ela competiu na natação no revezamento ( equipe formadas por três atletas, cada um para uma modalidade do triatlo). A adolescente não viu nenhum animal, mas mesmo acostumada ao rio de Mosqueiro, sofreu. "Estava puxando muito. A gente nadava, nadava e não saia do lugar", diz a menina após a prova.

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Wagner Cruz, pai de Giovana, disputou entre os amadores e fez um alerta. "Quando a maré está seca, costumam aparecer umas arraias por ali. Mas acho que com tanto movimento de atleta e gente na prova, não vai aparecer nenhum bicho", comenta o atleta de 35anos.

Para o caso de ter que cair na água mesmo com a maré baixa, há um jeito de se proteger. "É só entrar arrastando o pé na areia", simplifica Janaina Melo, coordenadora de esportes do Sesc do Pará. Mas ela garante que não existe perigo na competição. "Conversei com as arraias e falei para elas não aparecerem", brinca Janaina.


Em todo caso, é melhor ter cuidado. E até quem é de Belém ficou com um trauma das águas de Mosqueiro. Velasco Júnior era mais a participar do revezamento, só que no ciclismo. Natação, nem pensar. "Na minha primeira vez em uma prova na ilha, a maré estava seca e entrei no rio. Um rapaz que estava na minha frente caiu e eu pulei por cima dele, mas logo senti alguma coisa na minha perna. Era uma dor e queimava. Só melhorava se tirasse a perna da água. No agüentei e pedi para os bombeiros que auxiliam na prova que queria sair. Quando eles viram a minha perna, falaram que era como uma queimadura de água viva. Nem sabia que tinha isso no rio", lembra o atleta amador.

Outra atleta local que competiu no trajeto olímpico, o mais longo da prova, resumiu o que é a Ilha de Mosqueiro. "É o nosso mar de água doce. Dá até para pegar onda", diz Elina Fárrel. E ela ainda lembra a história do boto contada por Giovana e seu pai. "Se você pegar um barco e for lá no fundo e ficar quietinho esperando, pode ver os botos se aproximando", afirma.

Em sete anos de provas de triatlo na Ilha do Mosqueiro, nenhum animal apareceu na prova. "Eu nunca vi e já competi aqui umas cinco vezes. E espero não ver!", comenta Carol Furriela, atleta da elite, terceira colocada no ranking brasileiro, e que levou o segundo lugar na prova deste ano no Pará. Mais uma vez, sem nenhuma "visita".

Veja no vídeo como foi a prova na Ilha do Mosqueiro: 

*repórter viajou a convite da organização