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Scheidt luta por Star no Rio 2016, mas já pensa em alternativas

Chance do iatista competir ao lado de esposa, a lituana Gintare Volungeviciute, atual vice-campeã olímpica da classe Laser Radial, também existe

Gazeta Esportiva |

Robert Scheidt ainda não quer pensar na possibilidade de a classe Star ficar fora das Olimpíadas do Rio de Janeiro, em 2016, mas é preciso. Com o risco aumentando de acordo com o lobby dos delegados asiáticos e da Oceania da Federação Internacional de Vela (Isaf), o brasileiro já começa a pensar em alternativas para o futuro, apesar de todo o foco na campanha visando os Jogos de Londres, em 2012.

"Voltar para a classe Laser é uma possibilidade, mas não vai ser fácil fazer isso aos 42 anos, idade que eu vou ter em 2016", comentou o velejador, oito vezes campeão mundial e dono de duas medalhas olímpicas na Laser, considerado o barco mais popular do planeta. "Também poderia ir para o catamarã (multicasco), mas é muito diferente do que sempre fiz, pois você larga e acaba tudo muito rápido. Outra possibilidade é a classe Finn, mas aí eu teria que ganhar muito peso, pelo menos uns 10kg", explicou.

A chance de competir ao lado de sua esposa, a lituana Gintare Volungeviciute, atual vice-campeã olímpica da classe Laser Radial, também existe, já que nos Jogos do Rio de Janeiro a disputa na classe 470 deve ser mista. Neste caso, a europeia teria que se naturalizar brasileira. "Isso aí teria que ver com ela...Não sei, até porque ela é muito querida e conhecida na Lituânia, pois é a única medalhista olímpica mulher da história", desconversou o velejador, ciente das dificuldades deste processo.

Considerada a classe dos grandes velejadores da atualidade, a Star está momentaneamente fora dos Jogos do Rio de Janeiro porque, em reunião da Isaf realizada este mês em Atenas, sua participação foi vetada por 19 votos contra 16. A falta de representatividade do barco de quilha na Ásia e na Oceania, além da preferência dos dirigentes por barcos rápidos para atrair mídia estão entre as explicações para a decisão.

"Mas, ao meu ver, tirar a classe Star do programa olímpico é um erro tremendo, pois é o barco mais antigo e onde os grandes campeões velejam. É o caminho a ser seguido para quem já venceu na Laser e na Finn", comentou Scheidt, que ainda apelou para a competitividade das regatas. "Não são barcos rápidos, mas as disputas são metro a metro. Nas Olimpíadas de Pequim, havia um campeão olímpico diferente a cada bóia, a decisão só ficou para o fim", lembrou o medalhista de prata na China.

Os defensores da Star têm até maio para tentar reverter a situação, quando será realizada outra reunião da Isaf. "Depois, vai ficar difícil", avalia Scheidt, que vê dois caminhos como solução. "Um é tirar uma disciplina que já está no Rio 2016 e o outro, que é mais fácil, é incluir outra medalha de ouro nos Jogos. Se todas as outras classes diminuírem um pouco o número de participantes, tem como colocar os 16 barcos da Star porque o problema não é um pódio a mais, mas sim o número muito grande de atletas. O COI (Comitê Olímpico Internacional) quer evitar que os Jogos fiquem muito grandes", explicou.

Na verdade, a classe Star já saiu uma vez do programa olímpico: foi em 1997, mas por interferência do então presidente do Comitê Olímpico Internacional (COI), Juan Antonio Samaranch, a decisão foi cancelada no ano seguinte.

Agora, além do lobby necessário juntos aos dirigentes com poder de voto na Isaf, Scheidt prevê que a classe também precisará abrir mão de alguns aspectos. "O nosso barco encareceu muito nos últimos cinco anos devido à tecnologia. Pode ter algumas restrições", comentou o atleta. Segundo ele, uma embarcação que custava R$ 58 mil reias em 2005 sai atualmente por R$ 116 mil. "A classe tem que ceder também", afirma.

Apoio do COB
Cinco medalhas nas últimas seis edições dos Jogos Olímpicos (dois ouros, dois bronzes e uma prata). Este é o recente saldo brasileiro na Star, construído por Torben Grael e Robert Scheidt, um argumento que faz os velejadores confiarem no apoio do Comitê Olímpico Brasileiro (COB) para a manutenção da classe no Rio 2016.

"Eles podem e devem fazer isso. Soube que o Lars Grael já falou com o Nuzman (Carlos Arthur Nuzman, presidente do COB e do comitê Rio-2016) sobre este assunto e o Nuzman já teve contato com o Goran Petersson, presidente da Isaf", comentou Scheidt.

Oficialmente, o COB diz que não pode interferir no assunto, mas a entidade, de fato, já começou a trabalhar nos bastidores. Até porque, com Scheidt e os irmãos Grael como competidores, esta seria uma medalha praticamente garantida no Rio 2016.

"A Olimpíada do Rio vai ser atípica para a vela, pois não tem muito vento em agosto e já conhecemos todos os truques. É uma raia que vai beneficiar muito os brasileiros", admitiu o paulista. "O Brasil, com tanta tradição, perderia muito sendo a sede porque o interesse cairia muito. Vela já é um esporte difícil de ser televisionado, mas no Rio, com as grandes estrelas, com certeza chamará a imprensa", afirmou.

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