Campanha no Mundial pode diminuir importância do Pan na natação brasileira

Por Marcelo Laguna - iG São Paulo |

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Recorde de medalhas e boa campanha em Barcelona podem refletir em mudança de parâmetros neste ciclo olímpico

Al Bello/Getty Images
Cesar Cielo conquistou duas medalhas de ouro para o Brasil no Mundial de esportes aquáticos

Tradicionalmente, os Jogos Pan-Americanos sempre tiveram um papel importante na preparação das equipes brasileiras de natação. Mesmo sendo uma competição considerada de nível secundário, recebia tratamento especial da CBDA (Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos), que costumam mandar os principais nadadores à competição poliesportiva das Américas. Mas isso poderá mudar em breve. O desempenho histórico no Mundial de Barcelona pode mudar os parâmetros da natação brasileira.

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No recém-encerrado Mundial espanhol, a natação do Brasil terminou com uma participação recorde de dez medalhas, sendo cinco na natação e outras cinco na maratona aquática. Nas piscinas, foram duas de ouro (ambas com César Cielo) e três de bronze (duas com Thiago Pereira e uma com Felipe Lima), além de um total de 12 presenças em finais. No quadro geral de medalhas do Mundial, o Brasil terminou em sétimo lugar. Diante destes números, a opção de levar uma equipe forte ao próximo Pan-Americano, em 2015, na cidade de Toronto, pode ser revista. Na mesma época, haverá a realização do Mundial de Kazan, na Rússia.

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“Temos que estudar bem o calendário, mas é possível que o Mundial passe a ser a nossa prioridade”, disse Fernando Vanzella, coordenador técnico da seleção feminina brasileira, lembrando que o próximo Mundial irá anteceder os Jogos Olímpicos de 2016, no Rio de Janeiro. “O Pan sempre acaba gerando uma expectativa muito grande, especialmente por causa do grande número de pódios e medalhas que o Brasil conquista. Mas na verdade isso nada tem a ver com a realidade que enfrentamos numa Olimpíada. Por isso nossa referência tem que ser o Mundial”, argumenta.

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Alberto Silva, o Albertinho, coordenador da equipe masculina, acredita que esta mudança de referência para a natação brasileira poderá apresentar uma situação até hoje inédita. “Desde que eu faço parte da seleção, o Pan sempre foi prioridade, mas desta vez imagino que o próximo Mundial receberá uma maior atenção. Com isso, é possível imaginar o Brasil enviando uma equipe ao Pan sem sua força máxima, mesclando atletas mais experientes com novos talentos”, explicou.

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Outro objetivo da coordenação técnica da natação brasileira nos próximos três anos é tentar aumentar a possibilidade de nadadores participando de finais em competições de primeira linha. “O grupo que foi a Barcelona está amadurecendo, mas temos condições de chegar a mais finais. O importante é que temos uma filosofia sedimentada nas duas seleções, iniciamos a valorização do trabalho do feminino e demos seqüência ao que já estava sendo feito no masculino. Temos agora que aumenta nossa presença em finais”, disse Albertinho.

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