Nadador afirma que tirou um peso de uma tonelada das costas com a medalha e, agora, embarca para primeiro grande desafio depois de Londres 2012

Thiago Pereira comemora com a medalha de prata conquistada nos 400 m medley em Londres
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Thiago Pereira comemora com a medalha de prata conquistada nos 400 m medley em Londres

Thiago Pereira se sente mais leve. É assim que ele se vê para começar um ciclo olímpico depois de ter conquistado a prata na prova dos 400 m medley nos Jogos de Londres . Assim, mais tranquilo, busca o pódio que falta em sua carreira: o do Campeonato Mundial de piscina longa. 

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O nadador embarca nesta sexta-feira para Barcelona, sede do Mundial de esportes aquáticos. As provas de natação começam no dia 28 de julho e Thiago vai nadar os 200 m medley, os 100 m borboleta e o revezamento 4 x 100 m medley. 

"O ano passado foi o maior de todos. E a medalha tirou o peso de uma tonelada das minhas costas. Agora estou mais tranquilo. Me sinto mais leve depois da prata nas Olimpíadas", afirmou Thiago Pereira em uma coletiva após o último treino na piscina antes da prova. 

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O brasileiro teve que conviver com uma certa desconfiança até os Jogos Olímpicos de 2012. Ele somava um ótimo desempenho em Pan-Americanos e já tem 18 medalhas da competição no currículo, sendo 12 de ouro. Logo que despontou na natação, foi chamado de promessa. Estreou em Olimpíadas em Atenas 2004 e foi para final, mas acabou em quinto nos 200m medley. Quatro anos depois, em Pequim, foi o quarto colocado na mesma prova. O pódio veio em 2012 nos 400m medley e após mais um 4º lugar nos 200m da modalidade. 

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"Se eu não conseguisse aquela medalha ali, eu, Thiago, me sentiria muito cobrado porque eu queria há muito tempo. Agora isso diminuiu. Estou nadando mais tranquilo, consigo dosar mais a prova. Falavam que meu problema era o crawl, mas eu saia muito rápido no borboleta e cansava no crawl. O problema não era ali, era dosar a prova. Hoje eu nado com mais consciência", explica. 

A medalha olímpica teve um gosto especial por contar com grandes rivais na piscina. Thiago Pereira ficou atrás do campeão Ryan Lochte, mas superou Michael Phelps, que acabou em quarto lugar. "O Phelps nos motivou. A gente via e pensava que era um cara imbatível. Mas ficou claro que ninguém é imbatível. Ter ganhado a medalha com esses caras ali do lado teve um gosto muito melhor", afirma. 

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A maturidade também contou. "Acho que ter sido no ano passado foi bom. Talvez, se tivesse ganhado uma medalha logo em 2004 eu não teria dado o mesmo valor que dei agora. Hoje, depois de tudo que corri atrás, de todos os treinos, sei que quando bate a mão na borda, depois vai ter que esperar mais quatro anos para a próxima chance", comenta o nadador. 

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Já a medalha olímpica só fez bem, é hora de buscar outro objetivo. "Mundial eu posso dizer que é a única coisa que falta na minha carreira. Claro que sonho com um ouro em 2016, mas pensando em competições, o Mundial de longa é o que falta", diz Thiago Pereira. "Os 200 m medley é a prova que me colocou no cenário. É o meu xodó. Agora vou buscar a medalha que me falta", completa. 

E Barcelona é a volta ao ponto de partida. Foi lá que Thiago Pereira disputou o seu primeiro Mundial, em 2003. E já no torneio de 2009, em Roma, ele bateu na trave. "Em 2009 eu fiquei muito perto e até a bandeirinha eu era o 2º. Quando acabou, pensei: “Como assim fiquei em quarto?”. Foi diferença que não se consegue medir fora da água", lembra o nadador.

Agora, é sonhar com o pódio inédito, mas sem tirar completamente os pés do chão. "Mundial é o primeiro grande desafio depois das Olimpíadas. É claro que é bom começar ganhando, mas tenho uma coisa muito clara. O resultado, sendo positivo ou negativo, não vai me tirar ou colocar em 2016", afirma. 


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