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Medalhas no Mundial não escondem erros do judô rumo a Londres

Mulheres tiveram desempenho melhor que os homens em Paris, mas também precisam intensificar a preparação até 2012

Carlos Bortole, especial para o iG, em Paris |

O Brasil encerrou sua participação no Campeonato Mundial de Judô com um saldo bastante positivo no cômputo geral de medalhas. Mas precisar corrigir pontos falhos apresentados nestes seis dias de lutas nos tatames do Palais Ominisports Bercy, em Paris, caso pretenda chegar com chances reais de vitória nas Olimpíadas de Londres, em 2012. A direção e a comissão técnica da CBJ (Confederação Brasileira de Judô) sabem que precisarão fazer ajustes nesta preparação.

Na véspera do início do Mundial, ainda nos salões da prefeitura de Paris, onde ocorreram os sorteios das chaves, o presidente da CBJ, Paulo Wanderley Teixeira, cravou que 90% do time brasileiro para os Jogos Olímpicos de Londres poderiam ser conhecidos após o Mundial. Com o fim do torneio, a previsão não se concretizou. Garantiram vagas e boas colocações no ranking - importante para os sorteios das chaves nas Olimpíadas - apenas cinco atletas: Leandro Cunha, Leandro Guilheiro, Sarah Menezes, Rafaela Silva e Mayra Aguiar. Ou seja, menos de 50% do time.

Sinal amarelo
No masculino, o sinal de alerta foi ligado. Apesar da prata de Leandro Cunha e do bronze de Leandro Guilheiro, o desempenho da equipe esteve aquém do esperado. A performance de Cunha foi a mais equilibrada de todo o time nacional. Consistente, mostrou uma boa variedade de golpes e um excelente preparo físico. Já Guilheiro, mesmo muito superior técnica e fisicamente à grande maioria de seus rivais (apenas o coreano Jae-Bim Kim está um pouco acima de seu nível), teve imensas dificuldades de desenvolver seu melhor judô. Mas, mesmo assumindo ter estado em um mau dia, o brasileiro foi terceiro do mundo.

Reuters
Sarah Menezes vibra ao ganhar primeira medalha do Brasil no Mundial: bronze na categoria até 48 kg
Na sala de imprensa, Guilheiro tentou encontrar uma resposta para seu baixo desempenho. Reclamou de cansaço e excesso de competições, mas afirmou que ainda não tinha encontrado a resposta definitiva.

Os médiosTiago Camilo e Hugo Pessanha e os pesados Rafael Silva e Daniel Hernandez, nomes conhecidos em suas categorias e bem colocados no ranking, tiveram atuações abaixo da crítica. Tiago esteve longe de seus melhores momentos. Contra o ucraniano Valentin GreKov, nas oitavas de final, vencia por yuko quando foi projetado por wazari. Demonstrando cansaço, não conseguiu reverter o resultado. Pessanha, que venceu suas três primeiras lutas contra adversários desconhecidos, foi presa fácil para o grego Ilias Iliadis. Nesta categoria médio, Iliadis está sobrando há tempos.

Os pesados Rafael Silva e Daniel Hernandez tiveram destinos parecidos. Ambos perderam por ippon para os franceses Mathieu Battaille e Teddy Riner. Lentos e com pouca iniciativa, não colocaram obstáculos aos rivais europeus. O mesmo ocorreu com o meio-pesado Luciano Corrêa, que mesmo tendo ficado afastado dos tatames por cinco meses no início do ano, devido a uma cirurgia no ombro, não entrou no tatame do Palais de Bercy. Apático, foi derrotado pelo georgiano Irakli Tsirekidze após sofrer quatro punições consecutivas.

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Leo Leite, outro meio-pesado brasileiro, teve um bom sorteio de chave, mas, quando se deparou com um adversário um pouco mais quailificado, sucumbiu sem maiores dificuldades. O ligeiro Felipe Kitadai e o leve Bruno Mendonça também não foram bem. As vitórias nas primeiras rodadas não foram suficientes para levá-los adiante na competição. Os dois mostraram que ainda estão longe dos destaques de suas categorias e que terão que trabalhar duro até julho de 2012. Kitadai precisa adquirir força física para encarar os judocas do leste Europeu, e Bruno terá que subir alguns degraus em sua capacidade técnica para se igualar aos japoneses e coreanos.

A sombra encobriu o sol
Nos últimos 30 anos, desde que as mulheres brasileiras começaram a participar de torneios internacionais, ouvia-se o mantra de que elas viviam à sombra do judô masculino. Resultados isolados, como os títulos pan-americanos de Soraia André e Monica Angelucci, na década de 80, ou as primeiras medalhas em Mundiais com Danielle Zangrando, em 95, e Edinanci Silva, em 97, não animavam nem os mais otimistas dos torcedores. Foi preciso muita persistência e uma mudança drástica de atitude para que este quadro perverso se encerrasse e o judô feminino entrasse em um novo ciclo, vitorioso e promissor.

Reuters
Sarah Menezes vibra ao ganhar primeira medalha do Brasil no Mundial: bronze na categoria até 48 kg

Neste Mundial, pela primeira vez na história, as mulheres tiveram resultados superiores aos homens. Foram três medalhas, sendo uma de prata, com Rafaela Silva, e duas de bronze, com Sarah Menezes e Mayra Aguiar. Atletas que já vinham contabilizando expressivos resultados nas últimas duas temporadas, Sarah, Rafaela e Mayra demonstraram amadurecimento e personalidade suficientes para credenciá-las ao topo do pódio olímpico no ano que vem.

Jovens – Sarah tem 21 anos, Mayra, 20 anos, e Rafaela, 19 anos –, elas estão muito bem posicionadas no ranking mundial. Ao lado da meio-leve Erika Miranda, seguirão para treinamentos no Japão entre os dias 22 de novembro e 15 de dezembro, já que a dificuldade em enfrentar atletas asiáticas ficou patente neste Mundial.

Por outro lado, a meio-médio Mariana Silva, a médio Maria Portela e a pesado Maria Suellen Altheman ainda estão alguns degraus abaixo de suas companheiras e terão um longo caminho pela frente. Primeiro, precisam garantir a vaga olímpica e melhores colocações no ranqueamento. Paralelamente, dependem de muito treino e dedicação para surpreenderem em Londres.

Mayra Aguiar resumiu bem o momento do judô feminino, após ser questionada se esta nova fase era um caminho sem volta: “Não tem volta. É daqui pra frente”.

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