Judoca chegou a pensar em parar depois das Olimpíadas e, em 2013, faturou ouro inédito para o país no Mundial

Rafaela Silva comemora ouro no Mundial de judô na categoria até 57 kg
Silvia Izquierdo/AP
Rafaela Silva comemora ouro no Mundial de judô na categoria até 57 kg

Perfeito. Essa é a definição do ano de 2013 para a judoca Rafaela Silva. Foi a temporada que ela decidiu voltar a sua categoria de origem e mostrou que críticas e preconceito vividos depois da desclassificação nas Olimpíadas de Londres ficaram para trás com a conquista do ouro no Campeonato Mundial . Rafaela foi a primeira mulher a conseguir o feito na modalidade.

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“Está sendo muito bom porque eu recebi muitas críticas e falaram que o judô não era para mim. Agora ser campeã mundial, ainda mais logo no primeiro ano do novo ciclo, é muito bom. E todo o reconhecimento me ajuda a cada vez buscar o meu sonho, que é a medalha no Rio 2016”, disse Rafaela Silva durante a entrega do prêmio Brasil Olímpico , na última terça-feira, em São Paulo. Ela concorria a melhor atleta do ano, mas perdeu para Poliana Okimoto, da maratona aquática.

A judoca aplicou um golpe considerado irregular contra a húngara Hedvig Karakas nas oitavas de final em Londres e foi eliminada. Em seguida, recebeu diversas críticas nas redes sociais e chegou a perder a cabeça e responder com palavrões a alguns usuários

“Depois que eu perdi os Jogos Olímpicos, recebi muitas críticas dizendo que não tinha que estar nesse esporte, que lugar de macaco era na jaula e não na Olimpíada, que eu era vergonha para minha família. Mas eu continuei treinando, fui campeã mundial e mostrei para o pessoal que me criticou que eu posso estar no topo da minha categoria”, desabafa Rafaela.

Rafaela Silva exibe tatuagem que fez logo após as Olimpíadas de Londres
Aretha Martins/iG
Rafaela Silva exibe tatuagem que fez logo após as Olimpíadas de Londres


O desabafo da atleta também está na pele. Depois das Olimpíadas ela tatuou o desenho dos arcos no bíceps, rodeado pela frase: “Só Deus sabe o quanto eu sofri e o que fiz para chegar até aqui”. Apesar de ter diversos desenhos, não fez nenhum para o ouro mundial.

Boca fechada para voltar a sua categoria

Rafaela Silva chegou a pensar em deixar o esporte depois de Londres, mas mudou de ideia. A chance de mudar de categoria deu um ânimo a mais à judoca. “Às vezes, em algumas competições, eu chegava acima do peso. Era difícil manter o peso (57 kg). Eu já estava próxima da categoria de cima (até 63kg) e dessa que estou agora eu sou uma das mais altas, por isso perguntaram se queria testar. Depois de Londres, eu estava sem vontade de competir e sem vontade de treinar e resolvi tentar”, lembra.

Logo na primeira disputa, ela faturou o bronze no Grand Slam do Japão, em dezembro de 2012. Entretanto, a experiência na nova categoria não durou muito. “A confederação brasileira pediu para eu fazer um teste na categoria de cima e eu falei que toparia, mas se eu não me adaptasse, eu poderia voltar para a minha categoria. Um mês antes do Campeonato Mundial deste ano eu falei que queria lutar na minha categoria e foi a decisão certa”, detalha Rafaela.

Agora, a judoca conta com acompanhamento para se manter nos 57 kg. “Eu me mantenho certinho no peso com a dieta na minha nutricionista. Tem que fechar a boca mesmo. Mas agora nas festas, ela disse para eu relaxar um pouquinho”, diz. E o peru do Natal? “Sim, ela liberou, mas em janeiro já volta tudo de novo”, brinca Rafaela. Os treinos recomeçam no dia 6 do próximo mês.

E na pausa de final de ano, a atleta nem pensa duas vezes sobre o pedido para Papai Noel. “Sempre peço a minha medalha olímpica”, afirma.

Veja o que Rafaela Silva fala de seu ano no judô:


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