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De volta às Olimpíadas em 2016, CBG e empresas apoiam ações para deixar esporte mais acessível para amador e profissional

Golfistas Philippe Gasnier, Ronaldo Francisco, Daniel Stapff e Rafael Becker
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Golfistas Philippe Gasnier, Ronaldo Francisco, Daniel Stapff e Rafael Becker

Depois de mais de 100 anos, o golfe está de volta aos Jogos Olímpicos em 2016 e, como é o país-sede, o Brasil terá vagas na modalidade. Enquanto os profissionais no esporte buscam tais vagas, a CBG (Confederação Brasileira de golfe) e empresas que apoiam o esporte vão na onda dos Jogos para popularizar a modalidade por aqui.

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Nesta semana foi apresentada em São Paulo a equipe patrocinada pelas empresas YKP e o Azeite 1492, do Grupo Libra. Ela é formada pelos veteranos Ronaldo Francisco, líder do ranking brasileiro, Felipe Gasnier e por Daniel Stapff e Rafael Becker, os dois últimos recém-chegados ao circuito profissional. Eles foram chamados de “geração olímpica” e estão entre os golfistas do país que vão buscar um espaço para competir nos Jogos do Rio de Janeiro.


Entretanto, para se chegar lá é preciso competir e somar pontos no ranking mundial. E isso, muitas vezes, custa caro. Os brasileiros disputam o PGA Latinoamérica, um torneio de acesso ao PGA Tour, um dos mais importantes do mundo que mais pontua no ranking. Com competições em diversos países, se gasta o equivalente a uma viagem para Miami por semana.

“O que custa mais são as passagens. Vai do Brasil para o México, do México para a Argentina, depois para República Dominicana, depois Porto Rico e vai girando. Só de custo de passagem aérea vai uns mil e poucos dólares por semana. As pessoas vão passar férias em Miami e gastam um tanto de passagem. A gente gasta esse tanto por semana. Fora o custo de caddy. É obrigatório jogar com caddy e nisso são mais US$ 350 por semana. Ainda tem hotel, inscrição...”, explica Daniel Stapff.

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Ao ganhar torneio e “subir” de classificação, a vida melhora. Os cinco primeiros do PGA Latinoamérica se classificam para o Web.com Tour, torneio que leva os 25 primeiros ao PGA. “A partir do Web.com já ganha muito mais nos prêmios do que o que você gasta. Lá no Latinoamérica você tem que ficar entre os 15 primeiro para pagar os seus custos. No web.com, se ficar em 50º já paga os custos. Se ficar entre os 15 tem um lucro enorme”, completa Stapff.

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Aretha Martins/iG São Paulo
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Com a nova equipe, esses custos de logística estão cobertos. “Eu não tenho que botar na cabeça que eu tenho que ficar entre os 15 para pagar as minhas despesas porque isso estaria pago pelo patrocinador. É uma tranquilidade a mais, te faz jogar mais solto e, consequentemente, melhor”, afirma Stapff, golfista de 23 anos e profissional há um ano e meio.

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Já os investidores e a CBG querem, com o Brasil nas Olimpíadas, popularizar o esporte no país. Entretanto, se os profissionais sofrem com os altos custos para competir, quem está começando também ainda pode ver o golfe como um esporte de elite. Um taco custa de R$100 a R$200 e para começar é indicado uma bolsa com 8 tacos. Porém, há ações para mudar esse cenário.

“Hoje em dia, se você está em São Paulo, não precisaria de muito para começar a jogar. Já existe um centro de treinamento atrás do aeroporto e lá você não precisa ser sócio. Se quisesse, poderia jogar lá todo final de semana pagando uma taxa pequena. E lá tem os tacos, bolinhas e tudo para alugar. Não precisa comprar”, diz Paulo Pacheco, presidente da CBG. “Um conjunto de tacos não é muito caro. Tem uns a partir de R$ 500, o que é mais barato que uma raquete, às vezes”, compara o dirigente.

Assim como o CT em São Paulo, cerca de 60% dos campos de golfe no Brasil são chamados públicos. “Campo público quer dizer que a pessoa não precisa de filiação. Você vai lá e pode ter aulas com preços reduzidos e pode combinar e jogar uma partida com os amigos. Paga-se, por exemplo, R$ 30 para jogar nove buracos”, fala Pacheco.

Além disso, a CBG tem ações sociais, como o Golfe para Vida. O projeto é itinerante treina professores de educação física das escolas públicas e ensina crianças. Segundo a CBG, já são mais de 30 mil crianças. “A intenção é ter 200 mil crianças jogando golfe até 2016. Vai ser o maior projeto do mundo, depois dos Estados Unidos. Nosso país é muito grande, nós temos um clima favorável e temos uma população muito receptiva. Essa mistura faz com que desperte o talento”, comenta Paulo Pacheco.

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