Daniel Stapff disputa o torneio Brasil Classic nesta semana em São Paulo, é o quarto melhor brasileiro no ranking mundial e sonha com 2016

Daniel Stapff joga como profissional há 9 meses e sonha com vaga para as Olimpíadas de 2016
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Daniel Stapff joga como profissional há 9 meses e sonha com vaga para as Olimpíadas de 2016

De volta ao programa olímpico nos Jogos do Rio 2016 – participou pela última vez em Saint Louis (EUA), em 1904 - o golfe inspira uma promessa brasileira a sonhar com uma vaga para os Jogos. Daniel Stapff, jogador de 22 anos, é atualmente o quarto melhor brasileiro no ranking mundial da PGA (Associação dos Golfistas Profissionais), lista que provavelmente definirá os atletas participantes das Olimpíadas.

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“Sou o quarto brasileiro, mas sou profissional só há nove meses. Tenho mais três anos pela frente até as Olimpíadas e acho que estou bem”, afirma Daniel. Ele e os outros jovens Rafael Becker e Cristian Barcelos competem nesta semana o Brasil Classic em São Paulo convidados pela Confederação Brasileira de golfe. Rafael já bateu Daniel en confrontos diretos, mas ainda é amador e, por isso, 2016 pode estar muito perto para tentar uma vaga. Cristian ainda está no começo da carreira e também é amador. 

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Daniel é de Curitiba e começou no golfe por acaso, quando ainda tentava jogar tênis. Seu pai, Pablo Stapff, foi tenista profissional e o garoto queria seguir os mesmos passos, mas não teve sucesso. “Tentei o tênis dos 6 aos 12, mas eu não levava jeito. Era meio gordinho e era ruim mesmo”, lembra aos risos.

Enquanto ainda sonhava com as quadras, aos 11 anos, viajou ao lado do pai para um torneio e, por causa da chuva, o evento teve que ser cancelado. Como passar o tempo no hotel? “Não tinha o que fazer a gente resolveu jogar golfe. Só que a gente não sabia absolutamente nada. Alugamos uns tacos e umas bolinhas velhas que eu achava que fossem preciosidades. A gente nem sabia que tinha que colocar no buraco. Só queríamos bater”, conta.

Antes de competir no Brasil Classics, Daniel (direita) teve aula com multicampeão Gary Player e outras promessas Cristian Barcelos e Rafael Becker
Zeca Resendes/CBG
Antes de competir no Brasil Classics, Daniel (direita) teve aula com multicampeão Gary Player e outras promessas Cristian Barcelos e Rafael Becker

“Mesmo na chuva, a gente foi lá brincar. E tinha um laguinho que eu não passava de jeito nenhum e isso me deu uma frustração. Meu pai também quase quebrou uma janela da quadra de tênis. E tinha gente na quadra”, completa Daniel.

Apesar dos tropeços da primeira experiência, pai e filho gostaram do novo esporte e foram procurar um lugar para treinar em Curitiba. Daniel começou meio que obrigado pelo pai e, depois de alguns meses, disputou o primeiro torneio. “Jogava tênis há seis anos e nunca tinha ganhado nada. Joguei o primeiro torneio de golfe e ganhei. Aí falei: ‘É aqui mesmo que eu vou ficar’”, lembra o atleta, que começou a se dedicar seriamente ao golfe aos 13 anos.

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Daniel Stapff investiu no novo esporte e foi estudar nos Estados Unidos. Ele cursou finanças na Universidade de Barry, passou quatro anos no circuito universitário e somou títulos como de jogador do ano da sua conferência, além de ser dono do recorde de vitórias e da maior pontuação da universidade. “Ainda no segundo torneio como profissional ou ganhei e aí entrei para o PGA Latino-América e comecei a marcar pontos no ranking”, completa.

Daniel pretende voltar a morar nos EUA para seguir com os treinos no alto nível
Reprodução/CBG
Daniel pretende voltar a morar nos EUA para seguir com os treinos no alto nível

Com diploma na mão, ele teve que voltar ao Brasil, mas por pouco tempo. “Quero me mudar no final deste ano ou no próximo, no máximo para os Estados Unidos. Não dá para manter o mesmo nível aqui no Brasil. Acho que para ser campeão mundial tem que morar lá ou na Europa”, afirma. 

O jogador quer seguir com o ritmo forçado dos Estados Unidos para conseguir uma vaga olímpica. Ele explica que os critérios ainda não foram definidos, mas que a classificação deve ser feita pelo ranking mundial.

“O que está dito até agora é que serão 60 jogadores. Os 15 melhores do ranking estariam classificados e, depois disso, pegam dois por país até completar os 60. Se for americano, tem que estar entre os primeiros porque já tem uns 6 ou 7 atletas de lá no top 15. O brasileiro teria que ficar entre 250 e 280 do mundo para ficar com essas outras vagas”, explica Daniel. Ele está confiante. “É um sonho possível. E muda tudo pensar em jogar no Rio. Tem torcida, uma atmosfera diferente. Desde que anunciaram que o golfe estaria nas Olimpíadas, é uma motivação a mais”, afirma.

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