Zanetti pede Copa do Mundo no Brasil, e técnico teme por pressão em 2016

Por Aretha Martins - enviada iG a São Caetano | - Atualizada às

compartilhe

Tamanho do texto

Ginasta campeão olímpico e agora também dono de ouro no Mundial diz que estrutura para ele no país melhorou, mas se preocupa com colegas na modalidade

Arthur Zanetti voltou do Campeonato Mundial de ginástica artística disputado na Bélgica com a medalha de ouro no peito e a tranquilidade de sempre .Ele afirma não se importar em ser o centro das atenções e diz conseguir se concentrar mesmo com todos os olhares. Mas será que os mais novos estão prontos para isso? Para Marco Gotto, técnico do ginasta em São Caetano, na Grande São Paulo, a pressão pode ser grande demais e isso preocupa quando se pensa nas Olimpíadas do Rio de Janeiro, em 2016. 

Deixe seu recado e comente com outros leitores

Zanetti e a clássica mordida na medalha de ouro do Mundial durante coletiva nesta quarta-feira. Foto: Aretha Martins/iGArthur Zanetti exibe sua nova medalha de ouro obtida no Mundial da Antuérpia. Foto: Aretha Martins/iGArthur Zanetti conquista o ouro nas argolas no Mundial de Ginástica na Antuérpia. Foto: APArthur Zanetti conquista o ouro nas argolas no Mundial de Ginástica na Antuérpia. Foto: APArthur Zanetti conquista o ouro nas argolas no Mundial de Ginástica na Antuérpia. Foto: APArthur Zanetti conquista o ouro nas argolas no Mundial de Ginástica na Antuérpia. Foto: Divulgação/CBGArthur Zanetti conquistou o ouro nas argolas no Mundial de Ginástica. Foto: APArthur Zanetti conquistou o ouro nas argolas no Mundial de Ginástica. Foto: APArthur Zanetti conquistou o ouro nas argolas no Mundial de Ginástica. Foto: APZanetti carrega a bandeira brasileira ao comemorar ouro em Londres. Foto: Getty ImagesZanetti beija a medalha de ouro ao lado da namorada. Foto: Gazeta PressArthur Zanetti exibe medalha de ouro após desembarcar em São Paulo. Foto: Gazeta PressZanetti beija medalha de ouro em Londres. Foto: APBrasileiro no lugar mais alto do pódio ao lado de chinês e italiano. Foto: AFPZanetti comemora ouro ao lado do técnico. Foto: Getty ImagesZanetti sai das argolas para finalizar a sua apresentação de ouro nas Olimpíadas. Foto: ReutersO primeiro medalhista da ginástica brasileira nos Jogos em sua apresentação nesta segunda. Foto: Getty ImagesArthur Zanetti com a camisa do São Paulo. Foto: Reprodução/TwitterZanetti foi prata no Pan de Guadalajara. Foto: APZanetti conquistou a primeira medalha nas argolas do Brasil em Pans. Foto: APGinasta nasceu e cresceu na cidade de São Caetano do Sul, São Paulo. Foto: AFPZanetti comemora a boa apresentação nesta quinta, em Londres. Foto: AFP


"Sendo campeão olímpico e agora mundial, para nós é mole. Pode vir a pressão que for. O problema são aqueles que não tem tanta experiência internacional. Em 2016 todo mundo vai cobrar. E com ginásio lotado gritando o nome, não sei se vão aguentar", analisa o treinador. 

Para ele, um exemplo de atleta que sucumbiu à pressão foi visto no Mundial. O chinês Yang Liu estreava na competição e avançou à final com a primeira colocação, com a nota 15.866. Na decisão, Zanetti ficou com o ouro com 15.800 e o asiático acabou em quarto, com 15.633. 

Leia também: Zanetti comemora ouro, ainda quer 16.000 pontos e descarta tatuagem pelo Mundial

"O chinês é muito bom e pode ter certeza que vai buscar uma medalha em 2016. Esse foi o primeiro mundial dele e ele não aguentou a pressão, mas o nível técnico dele é muito bom", comenta Marco Gotto. 

Uma solução para minimizar os efeitos durante a competição seria ter mais torneios no Brasil. "Eu gostaria muito de ter uma Copa do Mundo aqui. Teve em 2004, 2005, 2006 e, a partir daí, não teve mais. E no meeting que aconteceu no ano passado, o ginásio lotou, então se colocar uma Copa do Mundo, vai lotar também e vai ser muito bom para o esporte", diz Arthur Zanetti. Ele não participou de nenhuma das edições do campeonato por aqui. "Eu não tinha nível técnico e nem idade, então fiquei na expectativa mesmo", lamenta o campeão olímpico e mundial. 

E mais: Zanetti se orgulha de elemento com seu nome e deve treiná-lo até as Olimpíadas

Ricardo Bufolin/CBG
Zanetti e o técnico Marco Gotto posam com a medalha de ouro do Mundial

Entretanto, Zanetti diz que a sua estrutura para trabalhar melhorou. Ele treina desde criança em São Caetano, na Grande São Paulo, e vê progresso desde a conquista do ouro em Londres. O ginasta chegou a se preparar no exterior, mas agora segue no Brasil. "Treinar fora do Brasil foi um equívoco. Eu só queria estrutura. A estrutura veio e continuamos treinando", explica. "Para mim está tranquilo. Eu consigo viver bem e estou com uma estrutura boa. Não dá para reclamar", completa. 

Mas essa não é a realidade geral da ginástica. Alguns atletas de nome, como Diego Hypolito e Sérgio Sasaki, seguem sem clube e isso preocupa Zanetti. "É complicado porque teremos grandes eventos o Brasil e ainda não tem ginásio para os atletas. Isso pode prejudicar o nível técnico da ginástica no geral", avalia. 

Para Zanetti, seu papel nesse cenário e seguir se dedicando e buscando resultados para o Brasil. "O que eu posso fazer? Nada, eu tenho é que treinar. Quem pode fazer é a prefeitura, o COB (Comitê Olímpico Brasileiro), que já está ajudando, a confederação... A nossa parte como atleta é treinar e os outros órgãos tem que se responsabilizar e com certeza estão providenciando aparelhagem e equipamento para os ginásios". 

Marco Gotto faz mais críticas. "Desde a Olimpíada a nossa estrutura mudou 100%. Mas se lá fora está muito frio, aqui dentro está muito frio. Se lá for está calor, aqui também está. O objetivo hoje é aclimatar o ginásio. A aparelhagem não é ruim. O nosso solo é emprestado da confederação, mas com os resultados que estamos conseguindo, as chances de conseguir mais coisas são grandes", fala o técnico, que busca também parceiros na inciativa privada.

Blog Espírito Olímpico: o esporte do Brasil merece um campeão como Zanetti?

Ele ainda cobra um centro de treinamento. "Não adianta o país ter um centro em 2015. Eu vou fazer o que com o Arthur em seis meses? Em janeiro de 2015 ele tem que estar pronto para as Olimpíadas. Tem que ter um ano para ajustar, trabalhar a saída, limpar a série", afirma Gotto. 

O treinador ainda retoma a preocupação em relação à pressão e defende que é preciso ter estrutura para todos e também dar oportunidades para eles sejam testados. "Não é o atleta que amarela, é que o país prepara mal. Tem que preparar os atletas para a pressão e não só na ginástica". 

Zanetti conversa com o iG e diz que suas medalhas podem ajudar na ginástica. Assista:



compartilhe

Tamanho do texto

notícias relacionadas