O brasileiro resolveu não colocar o movimento na série final que rendeu o ouro no Mundial, mas técnico afirma que o “Zanetti” não será abandonado

Às vésperas do Campeonato Mundial de ginástica na Bélgica, Arthur Zanetti já havia conquistado uma vitória. A FIG (Federação Internacional de ginástica) havia homologado o novo elemento criado pelo ginasta e seu técnico e dado a ele nota F , a pontuação máxima. No torneio, Zanetti executou o elemento batizado com seu nome na classificatória e mudou a série na final. Voltou para casa com o ouro e orgulhoso de ver seu nome código. Apesar da alteração no Mundial, o “Zanetti” ainda deve ser visto nas apresentações do ginasta.

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Zanetti e o técnico Marco Gotto explicam porque deixaram o movimento de fora da decisão. “A arbitragem no Mundial estava muito rigorosa e como o elemento novo, que exige muita força logo no começo, ele fica sem resistência para o final da série”, afirma Gotto.

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“O objetivo era fazer a série mais limpa possível e cravar a saída, que é chegar e não se mexer. Com o desgaste, nem sempre se consegue ter uma visão boa do solo e a porcentagem de cravar é menor. Por isso optou, optamos pela série antiga, mas que seria mais limpa”, completa o ginasta.

A opção deu certo e, de fato, ele cravou a saída. E se na classificatória havia ficado em segundo com a nota 15.733, na decisão faturou o título e chegou aos 15.800 pontos. E mesmo com a alteração, Zanetti se orgulha de seu elemento.

“A sensação é boa. Além de ser um elemento que criamos aqui, eu consegui gravar o meu nome no código e com valor alto”, comenta.

No novo elemento, Zanetti começa abaixo das argolas e eleva o corpo até acima das mãos
Divulgação
No novo elemento, Zanetti começa abaixo das argolas e eleva o corpo até acima das mãos


E o “Zanetti” pode ser visto na série do campeão mundial até Rio 2016, quando ele irá defender o seu ouro olímpico conquistado em Londres 2012. “Vou continuar treinando”, resume o atleta. “Não pode é abandonar. Com o tempo e com treino ele vai ganhar resistência para fazer uma série boa”, projeta o treinador.

Mas Zanetti sabe que pode ver mais gente também realizando o mesmo movimento daqui para frente. “No Mundial ninguém veio falar comigo, mas só de observarem e ficarem filmando, podem fazer alguma coisa”, diz.

O que sabe é que não faltará trabalho até montar a série para as Olimpíadas em casa. O pensamento em 2016, inclusive, foi assunto logo depois do ouro no Mundial. “Temos tempo e vamos trabalhar diversos elementos, inclusive o novo. E já na viagem de volta da Bélgica começamos a conversar para tentarmos montar uma série completamente nova para 2016”, conta Marco Gotto.

Os treinos ainda incluem outros aparelhos além da argola, já que o ginasta também pode ajudar o Brasil nas competições por equipe. "Para um especialista em argolas, o Arthur têm solo e salto muito bons", avalia o treinador. "A partir deste ano já vamos dar ênfase maior para salto e solo e estou fazendo também paralelas. Isso é para ajudar ao máximo a equipe a pontuar, mas não é nada pensando em um dia finalista mundial. Isso está fora de cogitação", comenta Zanetti. Descanso ao campeão? Nem pensar.

Zanetti também fala ao iG sobre sentimento após Mundial e o que seu ouro significa para a ginástica. Assista abaixo:


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