Campeão olímpico revela segredo para lidar com a pressão: “Meu ouvido tampa”

Por Mauricio Nadal - iG São Paulo |

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Arthur Zanetti suportou a pressão em sua primeira Olimpíada da carreira e conquistou o ouro nas argolas em Londres

AP
Zanetti beija medalha de ouro em Londres

Arthur Zanetti não sentiu a pressão e conquistou o ouro nas argolas em Londres, primeira medalha da ginástica brasileira em Olimpíadas. Frio, o paulista de 22 anos revelou ao iG as suas estratégias para faturar títulos e espantar possíveis fracassos.

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“Muitas vezes o ginasta entra no ginásio e fica olhando. O meu ouvido tampa automaticamente, porque eu só me concentro na minha série e não penso em mais nada. O que tiver ao redor eu não escuto”, contou o ginasta.

Leia mais: Zanetti vê péssimas condições de treino no passado e celebra nova academia

Para faturar o ouro em sua estreia em Olimpíadas, Zanetti afirmou que levou a competição mais importante de sua vida como outra de nível intermediário.

“Tem de trabalhar muito a cabeça com um psicólogo. Isso é necessário ter. Encarar a competição como se fosse uma outra um pouco mais básica, foi o que eu fiz. Não uns Jogos Regionais, mas sim uma etapa de Copa do Mundo, que é um nível não muito alto, mas não baixo, se encaixando em um nível intermediário. Então, encarei as Olimpíadas como se fosse isso. Arquibancada eu isolei, nem fiquei prestando atenção”, disse o atleta, acompanhado por uma psicóloga desde o ano 2000, quando tinha dez anos de idade e ainda fazia as suas primeiras acrobacias nas argolas.

Veja as condições de treino de Arthur Zanetti:

Equipamentos de Arthur na musculação estão completamente enferrujados. Foto: Maurício Nadal/iGGinasta utiliza halteres enferrujados e antigos na musculação. Foto: Maurício Nadal/iGGinasta faz academia em espeço minúsculo. Foto: Maurício Nadal/iGInstalações em ginásio de São Caetano são precárias. Foto: Maurício Nadal/iGO campeão olímpico treina em condições ruins. Foto: Maurício Nadal/iGColchão para amortecer quedas é velho e está furado. Foto: Maurício Nadal/iGColchões usados no ginásio são antigos e obsoletos. Foto: Maurício Nadal/iGTelhas de amianto tornam o ginásio abafado em São Caetano do Sul. Foto: Maurício Nadal/iGPelo forte calor no ginásio, ginastas são praticamente forçados a treinar sem camisa. Foto: Maurício Nadal/iGSERC abriga mais de 300 praticantes de ginástica. Foto: Maurício Nadal/iG

Além do auxílio psicológico, Zanetti tem recebido apoio de um grupo multidisciplinar, formado por uma nutricionista, uma médica e fisioterapeutas. “Isso tudo foi bancado pelos pais no começo. Eles tiveram essa iniciativa”, disse o técnico Marcos Goto.

Veja também: Por técnico, Zanetti ameaça deixar a seleção e reclama de estrutura

Projetando os Jogos do Rio,em 2016, o treinador do ginasta sabe da cobrança em cima de Arthur, relata que já vem conversando com o atleta sobre o assunto e revela certa preocupação com o lado psicológico da equipe que irá representar o Brasil.

“Ele é disciplinado e tem um foco e sabe bem o que ele quer. É muito cedo ainda, mas já conversei com ele que a pressão dentro do país será maior e isso a gente já sabe. Qualquer atleta da ginástica hoje que queira estar em 2016 tem de saber. Ele vai ser mais cobrado, as exigências serão maiores. Se não conseguir suportar, não teremos uma boa equipe. A equipe para 2016 vai depender muito desse lado psicológico, de suportar a pressão”, afirmou o treinador, que teve contrato renovado com a CBG (Confederação Brasileira de Ginástica).

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