Ginasta não se conforma com a decisão do clube em terminar com as equipes de ginástica e de judô de alto nível, e fala em revanchismo político

Dentro de um carro, saindo de São Paulo e atravessando a Rodovia Dutra em direção ao Rio nesta tarde, Diego Hypólito estava revoltado. Ao lado de seu técnico Renato Araújo e dos companheiros Sérgio Sasaki e Petrix Barbosa, o ginasta ainda tentava assimilar o duro golpe recebido na manhã desta terça-feira, quando a diretoria do Flamengo anunciou oficialmente que iria encerrar as atividades das equipes de alto nível de ginástica e judô . Mas estava difícil conter a sentimento de que foi traído pelo clube.

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Diego Hypolito ficou revoltado como Flamengo pelo fim do time de ginástica
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Diego Hypolito ficou revoltado como Flamengo pelo fim do time de ginástica

“Estou decepcionado demais com o Flamengo. Estou nesse clube há 19 anos, defendendo suas cores, e saber disso pela imprensa é demais. Esperar até março, logo no primeiro ano do ciclo olímpico, para anunciar uma decisão como essa é para revoltar qualquer um”, disse Hypólito, por telefone, ao iG. Com o fim da equipe de ginástica, ficaram sem clube alguns dos principais atletas do Brasil na modalidade. Além de Diego, sua imã Daniele Hypóloito, Jade Barbosa, Sérgio Sasaki, Pétrix Barbosa e o treinador Renato Araújo estão sem clube no momento. E sem qualquer perspectiva a curto prazo.

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“Não faço a menor ideia do que irei fazer a partir de agora. Não é possível isso estar acontecendo em março, depois de eu passar três meses tentando uma reunião com esse vice-presidente [Alexandre Povoa] e o máximo que consegui foi ter um encontro com o o Marcelo Vido [gerente de esportes olímpicos], que ficou tentando me tranqüilizar. Um absurdo”, disse Hypólito.

Revanchismo político

O ginasta não descarta que a decisão pelo fim da equipe de ginástica artística tenha sido uma retaliação política da nova diretoria do Flamengo. “Não consigo aceitar a desculpa da falta de dinheiro. O salário dos seis integrantes somados é menor do que qualquer jogador de futebol, menor do que o César Cielo ganhava. Acho que pode ser um revanchismo pelo nosso posicionamento político nas últimas eleições”, disse Hypólito.

O ginasta admitiu que apoiou abertamente a candidatura de Patrícia Amorim, derrota no pleito realizado no final de 2012. “Apoiei mesmo, foi ela que trouxe essa mentalidade olímpica ao clube. Agora, o mais irônico de tudo é que essa diretoria, quando estava em campanha, disse que iria apoiar tanto ou mais do que a outra diretoria. Mas no Flamengo não se procura solução para as coisas, preferem destruir o que existe”, acusou.

Neste começo de 2013, os ginastas do Flamengo estavam treinado por cortesia nas dependências do Pinheiros, em razão de um incêndio que destruiu o ginásio da modalidade, no final de novembro passado. Tudo graça a um pedido especial do COB (Comitê Olímpico Brasileiro), que porém, segundo Hypólito, não teve o que fazer para evitar o fim da equipe olímpica do clube carioca. “O mais duro de tudo isso é que sempre tivemos muito apoio da torcida, que estão sensibilizados com a nossa situação. Vamos ver se algum clube se interessa agora pela equipe. Mas não sei o que será da gente”, afirmou.

No começo desta noite, Diego Hypólito e os demais integrantes da equipe de ginástica artística do Flamengo irão conceder uma entrevista coletiva no Rio de Janeiro, para falar sobre a situação de todos daqui em diante.

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