Organização e estratégia fazem torcedores trocar futebol por bola oval no Brasil

Por Luís Araújo - iG São Paulo |

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Apesar da distância, finalistas da NFL comovem fãs brasileiros, que não medem esforços para seguirem os times do coração

New England Patriots, de Tom Brady, disputa o Super Bowl contra o Seattle Seahawks
Getty Images
New England Patriots, de Tom Brady, disputa o Super Bowl contra o Seattle Seahawks

"Já gostei muito de futebol, mas acho que de uns dois anos para cá a minha prioridade virou o New England Patriots." A frase é de João Paulo Rodrigues, auxiliar administrativo de 24 anos que pouco se importa com o início dos campeonatos estaduais por todo o país. Para ele e uma parcela do público brasileiro cada vez maior, o que interessa mesmo neste fim de semana é o Super Bowl.

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A partida que define o campeão da temporada de 2014 da NFL acontece neste domingo, às 21h (de Brasília). O Patriots, time de João Paulo, é um dos finalistas e busca o quarto título de sua história. Do outro lado está o Seattle Seahawks, atual campeão e que também terá o apoio de brasileiros apaixonados pela bola oval.

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Um deles é o estudante Vinícius Souza, de 17 anos, que começou a seguir o futebol americano em 2011 e nunca mais deixou de se emocionar desde então. "Chega a ser ridículo. Sempre que vejo os jogos, vibro como se fosse uma final do Brasileirão. Meus pais zoam comigo, me dizendo que nem moro lá, mas eu adoro", relatou.

Na medida em que a paixão pela bola oval foi crescendo, o futebol passou a ficar cada vez mais de lado. "Quanto mais partidas eu via, mais pegava gosto pelo jogo, pois é muito estratégico e físico. Mas o que me fez gostar mais foi a parte coletiva, pois não tem como ganhar sem participação do time todo. No futebol, me irritava ver o cara jogando sozinho e achando que venceria assim, sem tocar a bola para ninguém", ponderou Vinícius.

Seattle Seahawks, de Richard Sherman, é o atual campeão da NFL e busca o bi
AP
Seattle Seahawks, de Richard Sherman, é o atual campeão da NFL e busca o bi

"O futebol brasileiro é mal organizado, ainda mais se comparado à NFL", analisou o também estudante Guilherme Alves, de 20 anos, outro torcedor do Seahawks. "Além de mais organizado, acho o futebol americano mais atraente e interessante. As pausas, a cadência, o nível de estratégia envolvida e a tensão em cada conquista de território me atraem mais", completou. 

Apesar de o Patriots ter virado prioridade, João Paulo ainda não abandonou o futebol completamente. Ele até continua acompanhando os jogos do Santa Cruz, mas desde que isso não o impeça de seguir a NFL. "Já deixei de ir ao estádio aos domingos porque tinha jogo de futebol americano na TV", admite. 

"A emoção que o futebol americano proporciona é muito diferente do futebol inglês", João Paulo prosseguiu. "É muito bom quando seu time ganha de 45 a 7 na NFL, mas não tem emoção comparada a vencer um jogo de virada restando um segundo para o fim, ou então quando o cronômetro está zerado e a bola oval ainda voa na direção do recebedor. São segundos que parecem minutos. O tempo congela, tudo fica em câmera lenta, as batidas do coração desaceleram, o suor escorre e acontece o touchdown. Isso é que é esporte", finalizou.

Se João Paulo costuma deixar o Santa Cruz de lado em razão do Patriots, João Gabriel Valle, de 15 anos, já sacrificou uma viagem com a família por causa do Seahawks. O episódio aconteceu no dia da final de conferência de 2014, quando o time se classificou para disputar e vencer o Super Bowl daquele ano. 

"Eles foram para Cabo Frio (litoral do Rio de Janeiro). Perdi uma viagem sensacional, mas vi um dos grandes jogos da minha vida. Me passaram sermão, me disseram que deveria sair mais com a família. Mas não me arrependo da decisão", contou.

Fãs em Seattle foram às ruas festejar a conquista do Seahawks no Super Bowl de 2014
Getty Images
Fãs em Seattle foram às ruas festejar a conquista do Seahawks no Super Bowl de 2014

Pela distância dos Estados Unidos, não são todos os fãs da bola oval que podem sentir o gosto de assistir a uma partida no estádio. Mas isso não acaba sendo uma barreira para a paixão. 

"Com o nível de tecnologia que a gente tem hoje e a facilidade de acompanhar, via internet, as mesmas notícias que um torcedor médio de lá, considero que a distância influencia muito pouco na torcida. E também temos que dar os créditos para as emissoras que transmitem o futebol americano no Brasil", poderou Guilherme.

Como isso é possível? Para Antony Curti, um dos comentaristas de NFL dos canais ESPN, a explicação está no fato de o jogo ser tão estratégico quanto intenso. "As pessoas costumam gostar disso, está inerente a nós, humanos, a questão da conquista de território, e o futebol americano trata basicamente disso", analisou.

"Quando você alia isso ao espetáculo extra-campo e à competitividade da liga, que tem teto salarial para nivelar os times e recrutamento de jogadores universitários de acordo com as campanhas das equipes, é apaixonante. Entendeu as regras, não tem volta. Vai se apaixonar", encerrou.

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