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Filho de brasileiros, mas nascido nos Estados Unidos, Breno Giacomini defende o Seattle Seahawks e virá ao país para realizar clínicas de futebol americano

Os avanços que o ataque do Seattle Seahawks consegue nas partidas da NFL dependem também do esforço de Breno Giacomini. Ele é offensive tackle, jogador da linha ofensiva com a função de fazer bloqueios e evitar que a defesa rival ameace seu quarterback. Neste domingo, a missão ganha mais importância já que seu time, o Seattle Seahawks, tenta vencer pela primeira vez o Super Bowl, a final da liga profissional de futebol americano, contra o Denver Broncos, em Nova York. Caso triunfe, a conquista da franquia terá um pouquinho de Brasil.

Breno Giacomini festeja ida ao Super Bowl com torcedores do Seattle Seahawks
Otto Greule Jr/Getty Images
Breno Giacomini festeja ida ao Super Bowl com torcedores do Seattle Seahawks


Nascido em Cambridge, no estado de Massachusetts, Breno é filho de Conceição e João Giacomini. A família é de Minas Gerais e se mudou para os Estados Unidos um ano antes de ele nascer. Com descendentes no "país do futebol", a primeira tentativa no esporte foi com a bola nos pés. Jogou como atacante e goleiro, mas o porte físico, cada vez maior, passou a dificultar as coisas. Em entrevista à ESPN Brasil, Breno, hoje com 2,01 metros de altura e 144 quilos aos 28 anos, disse que parou de jogar futebol porque "comia demais".

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No colégio, Giacomini se mostrava um promissor jogador de basquete, com média de 21 pontos por jogo pela Malden High School. Porém, seus treinadores o convenceram a migrar de vez para o futebol americano. Quis ser quarterback, inspirado por um encontro casual: seu pai o levou ao hotel onde trabalhava para conhecer Drew Bledsoe, astro do New England Patriots na época.

Na universidade, em Louisville, começou como defensor mas logo passou a tight end - jogador usado tanto para bloqueios como para receber passes do quarterback. Em 2006, por excesso de peso, foi mandado à linha ofensiva até virar offensive tackle, função que o levou à NFL, selecionado no Draft de 2008 pelo Green Bay Packers.

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Mas a vida na liga não começou fácil. Breno Giacomini fez apenas um jogo em duas temporadas pelo Packers. Em outubro de 2010, mudou-se para Seattle mas acabou dispensado um mês depois. O Seahawks ofereceu um novo contrato, em 2011. Desde então, ele virou peça fundamental na linha ofensiva do técnico Pete Carroll. Na atual temporada, o "brasileiro" perdeu sete partidas por causa de lesão.

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Para proteger o quarterback Russell Wilson das investidas da defesa rival, Breno não costuma poupar energia, tanto que é um dos jogadores que mais sofrem penalizações na NFL. O próprio diz que se policia para controlar o ímpeto e evitar faltas pessoais.

Campeão ou não do Super Bowl, Breno está de malas prontas para o Brasil. Ele tem uma fundação, a American Football Without Barriers, criada em conjunto com Gary Barnidge, tight end do Cleveland Browns, com o objetivo de difundir a prática da bola oval pelo mundo. O grupo trará alguns jogadores da NFL ao Rio de Janeiro para uma clínica da modalidade no Rio de Janeiro, entre 15 e 16 de fevereiro, em ação conjunta com a Confederação Brasileira de Futebol Americano.

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Nunca um jogador nascido no Brasil disputou uma partida de temporada regular ou playoff da NFL. Maikon Bonani, paulista de Matão, selecionado pelo Minnesota Vikings em 2013, participou de três jogos de pré-temporada mas acabou dispensado. O kicker assinou um novo acordo para 2014 com a franquia, mas que ainda não garante um lugar no elenco principal. Eleito o melhor kicker da liga universitária em 2012, Cairo Santos, da Universidade de Tulane, pode participar do recrutamento de novatos deste ano. Enquanto espera por um representante genuíno, o país faz de Breno Giacomini seu elo com o futebol americano.

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