Futuro do quarterback do Seattle Seahawks, que disputa o Super Bowl neste domingo, foi bastante questionado pela altura abaixo da média para a posição

Russell Wilson, quarterback do Seahawks
Jeff Zelevansky/Getty Images
Russell Wilson, quarterback do Seahawks

Há quem considere o futebol americano o esporte mais democrático que existe. Seja você atlético, com alguns quilos a mais, alto, baixo... Todos têm espaço. Na prática, porém, não é bem assim. Certos requisitos físicos são bastante observados na hora de apostar num novo candidato a astro da bola oval. Russell Wilson que o diga.

Com carreira de destaque no futebol americano universitário e cobiçado no beisebol - ele chegou a ser selecionado pelo Colorado Rockies, da Major League Baseball, em 2010 - Wilson chamou pouca atenção dos olheiros da NFL mesmo tendo levado Wisconsin ao tradicional Rose Bowl. O motivo? Com 1,80m de estatura, ele era considerado baixo para quem almejava virar um quarteback de ponta da liga profissional. Isso explica o fato de ter sido apenas a 75ª escolha no Draft (recrutamento de novatos) da NFL em 2012.

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Contrariar expectativas é uma marca registrada de Wilson. No colégio, ele escrevia o que as pessoas diziam a respeito dele (sobre o que não conseguiria, principalmente) e colava papéis nas paredes do quarto, como se fossem notas mentais, uma forma de incentivo para se superar. Na University of Virginia, instituição pela qual seu pai jogou e se formou em Direito, foi preterido por um quarterback mais alto. Harrison Benjamin Wilson III queria que o filho jogasse beisebol, e dividir-se entre as duas modalidades gerou atrito com Tom O’Brien, técnico de NC State, que pediu para o garoto decidir o que queria da vida. Russell se desdobrou para agradar a todos. No dia seguinte em que foi selecionado pelo Colorado Rockies, seu pai morreu em decorrência de diabetes.

Russell Wilson em ação pelo Seahawks
Ronald Martinez/Getty Images
Russell Wilson em ação pelo Seahawks

Wilson abriu mão do beisebol. Superou a pressão, os obstáculos fisicos, a perda do pai e chegou à NFL, pelo Seatlle Seahawks. A performance acima do esperado na pré-temporada levou o técnico Pete Carroll a colocar o novato como titular. Com o quarterback mais baixo (ou menos alto) da liga, a franquia fez campanha de 11 vitórias e cinco derrotas e venceu um jogo de playoff pela primeira vez em 30 anos.

Na atual temporada, a segunda de Wilson, o Seahawks fortaleceu a já eficiente linha ofensiva para dar ao "baixinho" mais tranquilidade para fazer seu trabalho. A defesa se consolidou como a melhor da NFL. Após campanha de 13 vitórias e três derrotas, Seattle chegou ao Super Bowl, a final da liga, e vai encarar o Denver Broncos neste domingo, em Nova York, em busca do título inédito.

Na bola, Russell Wilson mostrou ser capaz de entrar no rol dos grandes quarterbacks da liga apesar da altura considerada desfavorável, com características comuns a jogadores rotulados como o "futuro da NFL", como Andrew Luck (Indianapolis Colts), Colin Kaepernick (San Francisco 49ers), Cam Newton (Carolina Panthers) e Robert Griffin III (Washington Redskins), capazes de serem decisivos tanto em lançamentos quanto resolvendo a jogada com as próprias pernas, no jogo corrido.

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"Meu principal objetivo era estar preparado (para o Super Bowl). A melhor forma de ter certeza de que você está pronto para esse momento é se preparar da melhor maneira", ressumiu Wilson, de 25 anos, em entrevista coletiva às vésperas do Super Bowl. "Nunca vimos nada em Russell que não fosse consistente. Ele tem sido como uma rocha sólida e está pronto", elogiou Pete Carroll.

Wilson não lidera estatísticas na NFL. Foi o 16º da liga em jardas lançadas (3.357), porém tem a terceira melhor média em jardas por passe tentado (8,25). Marshawn Lynch foi o sexto jogador que mais ganhou território correndo na temporada regular, 1.257 jardas, e o melhor nos playoffs (249 em dois jogos). Seattle tem a defesa que menos cedeu jardas (4.378) e pontos por jogo (média de 14,4). São alguns números que mostram a força coletiva do Seahawks, que para chegar ao título precisa superar Peyton Manning, quarterback do Denver Broncos e um dos melhores da história, autor de 59 passses para touchdown no campeonato.

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