Pupila de Jaqueline Mourão, musa lidera ranking no ciclismo, busca taça e 2016

Por Aretha Martins - iG São Paulo |

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“Desde que comecei no mountain bike, em 2009, falo em disputar as Olimpíadas do Rio. Não me sinto pronta, mas estou indo nessa direção”, afirma Isabella Lacerda

Reprodução/Facebook
Isabella Lacerda, melhor brasileira no ranking internacional do mountain bike crosscountry

A melhor ciclista de mountain bike no estilo cross country (prova olímpica) do Brasil no momento é uma mineira de 24 anos, sorriso fácil, que chama a atenção pela beleza e já convive com o assédio nas pistas. Isabella Lacerda começou a andar de bicicleta para acompanhar o pai, fez parte de um projeto de jovens talentos de Jaqueline Mourão e, agora, busca o título na Copa Internacional de MTB no começo de outubro.

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A atleta de Itaúna começou no esporte na natação e no futsal, mas se apaixonou pela corrida de aventura. Depois, decidiu competir apenas no mountain bike. “Eu amava, mas não tanto quanto amo o ciclismo MTB”, derrete-se Isabella. E a atleta tem um objetivo claro. “Desde que comecei no mountain bike, em 2009, falo em disputar as Olimpíadas do Rio. Não me sinto pronta, mas estou indo nessa direção”, afirma.

Em um bate papo com o iG, a ciclista conta como foi treinar ao lado de Jaqueline Mourão, referência até hoje na modalidade no Brasil, e ficar mais uma semana fora de casa pela primeira vez, fala do assédio nas provas e nas redes sociais e a aponta o que deve fazer para chegar aos Jogos de 2016.

“Meu pai ia correndo até o sítio. Eu ia pedalando”

Isabella andava de bicicleta para acompanhar o pai. “Quando eu tinha uns 8 anos, meu pai ia correndo até um sítio da família e eu ia pedalando. Dava uns 10 km”, lembra. A mineira, que diz gostar de tudo que tem relação com adrenalina ou natureza, seguiu pedalando e começou a fazer corrida de aventura. “A primeira foi com 17 anos e minha mãe teve que assinar para eu participar. E ganhamos no quarteto misto. Mas até na corrida de aventura, o que eu mais gostava era o mountain bike”, fala Isabella, que optou pela modalidade do ciclismo em 2009.

Isabella Lacerda comemora vitória em etapa da Copa Internacional. Foto: Facebook/Bruno SenaComemoração em uma das etapas da Copa Internacional de ciclismo MTB. Ela disputa o título da competição no começo de outubro . Foto: Reprodução/FacebookIsabella compete em Mogi das Cruzes no Shimano Fest com a bike número 56. Ela já fez natação e futsal e participou de corrida de aventura. Foto: Aretha Martins/iGDetalhe do pingente, presente de Jaqueline Mourão às jovens que participaram do MBTeen. Foto: Aretha Martins/iGMesmo nas competições, Isabella está sempre maquiada e com as unhas feitas. Foto: Reprodução/FacebookVaidosa, a mineira exibe brincos e piercing. Foto: Aretha Martins/iGIsabella é namorada de Daniel Grossi, também ciclista de mountain bike. Foto: Reprodução/Facebook/Keka BikeE fora das pistas, o coração da bela também é do Atlético-MG. Foto: Reprodução/FacebookA bela ciclista se formou em Educação Física em 2012. Foto: Reprodução/FacebookIsabella Lacerda ganhou título de mérito esportivo na sua cidade, Itaúna, em 2010. Foto: Reprodução/Facebook


Ainda aos 18 anos, ela correu na elite na Copa Internacional em Araxá, Minas Gerais, e mal conhecia o novo esporte. Entretanto, a dificuldade a motivou. “Foi uma das provas que mais sofri na minha vida, mas também foi a que mais aprendi. Cheguei chorando de tanta câimbra, a minha bike era pesada e de alumínio enquanto a das meninas era de carbono. Mas eu quase peguei pódio. Com aquela superação e vi que isso tudo era muito bom”, relata a atleta que ficou em 11º lugar na prova (os 10 primeiros subiam ao pódio).

Agora, Isabella é líder da Copa Internacional e disputa o título na etapa da Costa do Sauípe, no começo de outubro.

“Odeio correr sem ter feito a unha”

Reprodução/Facebook
Foto de Isabella no dia do aniversário rendeu mais de 200 comentários e 1200 curtidas no Facebook

Isabella chama a atenção não apenas pelos resultados, mas pela beleza. Mesmo após uma prova com poeira e lama, ela está com a maquiagem intacta e com as unhas perfeitas. “Odeio correr sem ter feito a unha”, revela. “Mas eu era assim, vaidosa, antes do esporte. Não preciso mudar o meu jeito por fazer um esporte radical. O MTB já é meio masculino, mas acho que dá para ir para trilha, se sujar, e se manter feminina”, afirma.

Com tanto cuidado, ela é assediada nas competições e nas redes sociais. Quem sofre com isso é Daniel Grossi, namorado de Isabella e também ciclista. “Ele morre de ciúmes. No meu aniversário, postei uma foto que estava mais arrumada, de vestido. Mas não era nada indecente, era um vestido normal. A foto teve mais de 200 comentários e umas 1200 curtidas. Ele ficou doido e queria que eu apagasse a foto”, conta a atleta. A imagem, entretanto, segue no perfil no Facebook.

“Nas corridas pedem para tirar fotos e fazem elogios. Mas sempre me respeitaram muito. E eu gosto e acho até importante para divulgar o esporte”, comenta a musa.

Treinos com ídolo e primeiro mês fora de casa

Quando Isabella Lacerda escolheu o ciclismo, Jaqueline Mourão havia se aposentado das pistas um ano antes. A veterana, que disputou o cross country no MTB nas Olimpíadas de Atenas 2004 e Pequim 2008, selecionou a novata para um programa de desenvolvimento do esporte, o MTBteen. As atletas fizeram treinamentos aqui no Brasil e um grupo de quatro ainda passou um mês Canadá.

“No mesmo ano eu tinha ido para o Pan-Americano sub 23 na Guatelama, mas nunca tinha passado uma semana fora de casa. Minha mãe quase teve um troço!”, brinca Isabella, única menina da família – ela tem dois irmãos mais velhos. “Foi muito bom para aprender. A gente via as provas, marcava o tempo e depois tentava descer na trilha também. Sem contar que a gente passeou, fez rapel, visitou canoyn. E isso com a Jaque grávida! Ela desmontou o quarto que estava preparando para o Ian (filho da ex-ciclista) para receber a gente”, conta.

Rio 2016 é possível, mas é preciso experiência do exterior

O objetivo de Isabella Lacerda e seguir os passos de Jaqueline e chegar às Olimpíadas. A corrida para 2016 começa no ano que vem e a mineira sonha com a vaga, mas reconhece que ainda precisa melhorar. Para ela, é preciso competir e treinar mais no exterior. “Lá é que você pega ritmo de prova e conhece as pistas. Aqui no Brasil a gente compete com 10 ou 15 meninas. No Mundial era mais de 60! É aquela luta e se respirar perde umas dez posições. Preciso mais disso, dessa experiência”, afirma Isabella.

Ela ficou em 35º no Mundial e atualmente é a 46ª no ranking da UCI e a melhor brasileira. “Não dá para pensar em ser campeã treinando só aqui”, completa.

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