Em entrevista ao iG, o deputado também falou das polêmicas do boxe brasileiro nas Olimpíadas e vetou voltar à carreira profissional

O retorno de gala aos ringues após cinco anos e o nocaute sobre Michael Oliveira não foram suficientes para Acelino “Popó” Freitas. À espera da revanche , o ex-campeão mundial quer agora uma luta relâmpago para exibir sua superioridade. Em entrevista ao iG , o baiano prometeu acabar com o duelo no terceiro round e disse ainda que sonha em enfrentar o rival na reinauguração do estádio da Fonte Nova em março de 2013.

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Popó quer mais uma luta contra Michael Oliveira, agora na Fonte Nova
AE
Popó quer mais uma luta contra Michael Oliveira, agora na Fonte Nova

A princípio, a revanche entre Popó e Michael Oliveira aconteceria em São Paulo, no meio de dezembro. Mas como a revelação do boxe brasileiro marcou luta para outubro contra adversário ainda a ser definido, ele deverá adiar o reencontro diante do deputado federal.

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“Já vi que ele não tem pegada nenhuma. Não teve nenhum golpe que me assustou. Vou atropelar e vou ganhar em três rounds no máximo”, prometeu Popó. “Talvez seja em Salvador, na reinauguração da Fonte Nova no ano que vem. Ai seria bem melhor, algo que eu gostaria muito”, completou.

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Popó também falou sobre a proposta rejeitada para disputar o cinturão do Conselho Mundial de Boxe e reiterou que não voltará à carreira profissional. O baiano ainda comentou a respeito da participação do boxe nas Olimpíadas e condenou as declarações polêmicas de Adriana Araújo contra a Confederação Brasileira.

Veja os principais trechos da entrevista:

iG: Como estão as negociações para a revanche contra o Michael Oliveira? Ela foi anunciada para dezembro, mas agora pode ser adiada. A data está definida?
Acelino “Popó” Freitas: Eu já aceitei, só não sei a data. Eles estão procurando desculpas para enrolar a luta, acho que estão com medo. O Michael viu que não aconteceu o que ele esperava. Achou que eu fosse perder, que iria cansar. Todas as estratégias que fizeram, não conseguiram por em prática. Achavam que eu estaria fora de forma, contrataram técnico cubano para treiná-lo e nada disso adiantou. Quando você desafia alguém e não consegue ganhar a coisa fica por ali. Quando chega a hora da revanche, não tem o que fazer. Ele deu tudo naquele momento, pode até tentar mudar alguma coisa, mas não tem muito o que melhorar.

iG: Mas a luta será em São Paulo, no Ginásio do Ibirapuera? Ou pode ir para outro lugar?
Acelino “Popó” Freitas: O pai do Michael disse que ia sentar e ver aonde seria. Se seria aqui em São Paulo, em Brasília ou Salvador. Talvez seja em Salvador, na reinauguração da Fonte Nova no ano que vem. Ai seria bem melhor, algo que eu gostaria muito.


iG: A melhor data para você seria mesmo em 2013?
Acelino “Popó” Freitas: Não, o problema é que o Michael deve lutar em outubro e acho que não aceitaria lutar tão em cima de novo. Se ele perder e for por nocaute ainda, tem que ficar no mínimo 60 dias sem lutar. Não dá nem para entender o que eles querem direito.

iG: Antes do primeiro confronto, você pediu para que a luta fosse em uma categoria abaixo dos 69 kg, mas foi em vão. Agora fará o pedido novamente?
Acelino “Popó” Freitas: Não. Pode ser um peso mais baixo, mais alto. Com ele não tem perigo nenhum. Ele é muito fraquinho. Pode ser no peso que quiser, no 66 kg, no 69 kg. Eu só tive que perder o excesso de peso que tinha para essa luta. Cheguei lá e colocaram uma balança de banheiro ainda para pesar, mas não adiantou.

Michael Oliveira possui um cartel com 17 vitórias e uma derrota - para Popó
Divulgação
Michael Oliveira possui um cartel com 17 vitórias e uma derrota - para Popó

 iG: Você divulgou alguns vídeos de treinamentos antes da luta em que parecia estar exausto com pouco esforço. Foi uma estratégia ou realmente se cansou daquele jeito?
Acelino “Popó” Freitas: (Risos). Foi estratégia mesmo, queria que pensassem que eu estava mal. Mas eu também me senti muito cansado realmente, até porque nunca tinha feito treino funcional. A preparação física foi bem diferente. Ficava balançando o elástico e depois acabava exausto. Até eu pegar o ritmo, a me habituar, foi difícil. Nunca tinha feito peso, barra, essas coisas. Antigamente só corria e treinava boxe, mas agora coloquei o funcional no meio e por isso fiquei cansado. É outro tipo de treino e agora vou repetir para a revanche.

iG: Tem interesse em voltar a lutar depois da revanche com o Michael?
Acelino “Popó” Freitas: Não, nenhum. Recebi até uma proposta para lutar pelo título mundial do Conselho Mundial (Saul Alvarez), mas não aceitei. Só a vitória sobre o Michael já foi suficiente para me colocar entre os 15 melhores do mundo, mas não tenho interesse em retomar a carreira.

iG: Como foi a conciliação dos treinos com as funções de deputado em Brasília?
Acelino “Popó” Freitas: Foi tranquilo. Treinava todo dia ao meio-dia e à noite. Terminava as sessões e depois ia correr. A parte técnica eu treinava à tarde. Vou repetir e programação para a próxima luta.

iG: E qual é a sua previsão para a revanche contra o Michael? Como será a segunda luta?
Acelino “Popó” Freitas: Agora vou pra cima, para o pau mesmo. Já vi que ele não tem pegada nenhuma. Não teve nenhum golpe que me assustou. Vou atropelar e vou ganhar em três rounds no máximo.

iG: O que você achou da polêmica envolvendo a Adriana Araújo após a conquista da medalha de bronze em Londres? O que achou dos comentários dela atacando a Confederação de Boxe?
Acelino “Popó” Freitas: Achei uma besteira, na verdade. O Brasil só conseguiu três medalhas porque teve muito trabalho. Sem trabalho, as medalhas não viriam. Sabemos que existe o lado da qualidade humana, os lutadores do Brasil são muito bons. Mas também tem uma boa estrutura. Quando eu fui prata no Pan de 1995, dormi debaixo da arquibancada. Não tinha fisiologista, nutricionista, alojamento, nada disso. Ganhei apenas US$ 100 pela medalha. Hoje não. Eles têm salário, boa estrutura e ainda reclamam. Ela deveria analisar a estrutura que teve e agradecer. Tá certo que não temos a estrutura do vôlei e de outros esportes, como deveríamos, mas meter o pau na estrutura é ingratidão.

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