Biamputado, Fonteles vê acessibilidade a deficientes no Brasil longe do ideal

Por Luís Araújo - iG São Paulo |

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Campeão paraolímpico e dono de três medalhas de ouro no Mundial de Lyon teve as pernas amputadas logo aos 21 dias de vida, por causa de uma sepsemia

Julian Finney/Getty Images
Alan Fonteles comemora vitória no Mundial de atletismo paraolímpico de Lyon

Campeão paraolímpico em Londres, Alan Fonteles sente na pele as dificuldades no que diz respeito à acessibilidade para os deficientes físicos no Brasil praticamente desde que nasceu. Isso porque uma sepsemia, originada por uma infecção intestinal, fez com que ele tivesse de amputar as duas pernas logo aos 21 dias de vida. Nos últimos anos, o atleta tem percebido uma melhora nesta situação, mas ainda vê o problema longe de ser resolvido.

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"Algumas cidades são bem difíceis para cadeirantes e até para quem está começando a usar as próteses", disse Fonteles nesta terça-feira, em entrevista coletiva concendida em São Caetano do Sul. "A acessibilidade não é tão grande no país. O Brasil ainda precisa melhorar muito nesse sentido. Na Europa, não tem muito essa dificuldade de subir nas calçadas."

Veja também: "Não faz parte dos meus planos hoje", diz Alan Fonteles sobre as Olimpíadas

A proximidade da Copa do Mundo e das Olimpíadas no Brasil faz com que Fonteles peça urgência na resolução destes problemas. "Muitas pessoas virão conhecer o país. Os lugares precisam estar preparados e acessíveis para todos", declarou o paraense.

E mais: Alan Fonteles ainda vê necessidade de melhora na largada para baixar marcas

Fonteles se firmou como uma referência no esporte paraolímpico ao longo do último ano. Em 2012, conquistou nos Jogos de Londres a medalha de ouro dos 200m rasos na classe T44 (para amputados). No Mundial de Lyon, disputado neste mês de julho, sagrou-se campeão nos 100m, 200m e 400m. Os recordes mundiais das duas primeiras distâncias para amputados pertencem a ele.

Embora tenha apenas 20 anos, Fonteles já planeja o que fazer quando a carreira chegar ao fim. "As minhas metas eram ter parcerias com empresas ou alguma instutição com meu nome para crianças carentes ou com deficiência. E, sem dúvida, tambem quero ser técnico, seja no atletismo paraolímpico ou no convencional", revelou.

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