A polícia sul-africana optou pela substituição, em razão de Hilton Botha estar respondendo a processos na Justiça

BBC


A chefe da polícia da África do Sul anunciou nesta quinta-feira que um novo investigador do país irá assumir os trabalhos para esclarecer o assassinato da modelo Reeva Steenkamp, morta pelo seu namorado, o atleta paraolímpico Oscar Pistorius. A decisão da comissária Riah Phiyega de substituir o atual investigador, Hilton Botha, foi tomada após vir à tona o fato de que Botha responde a processos na Justiça e está sofrendo ameaças de morte por seu envolvimento em um outro caso.

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Em um episódio ocorrido há dois anos, Botha, supostamente bêbado, disparou vários tiros contra uma van com sete pessoas. Ele responde a sete processos por tentativa de homicídio. A porta-voz da polícia, Neville Malila, confirmou que Botha e outros dois policiais devem ser julgados em maio. Phiyega disse que o novo investigador, Vinesh Moonoo é o "principal detetive" do país e irá "reunir uma equipe de detetives altamente competentes e experientes".

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Na quarta-feira, Botha reconheceu, no tribunal em Pretória, que não tinha provas que contradissessem a versão dada por Pistorius sobre os eventos que levaram à morte de Reeva Steenkamp. As acusações contra o policial podem dar peso a argumentos da defesa de Pistorius, que acusa o investigador de "interpretar" os indícios envolvendo a morte de Reeva Steenkamp. Ambos, Pistorius e Botha, participam de audiências para determinar se o atleta terá ou não direito de pagar fiança e responder em liberdade pela acusação de assassinato.

A modelo, que tinha 29 anos (e não 30, como havia sido informado anteriormente), foi morta a tiros na semana passada por Pistorius, de 26 anos, em um caso que chocou a África do Sul.  Pistorius nega as acusações da promotoria - baseadas nas investigações de Botha -, de que teria premeditado o crime, e diz que atirou pensando que um ladrão havia entrado em sua casa.

Versões conflitantes

Botha disse no tribunal que a trajetória dos tiros que mataram a modelo indicavam que Pistorius, que tem as pernas amputadas, teria colocado suas próteses, caminhado e atirado contra a porta do banheiro. A acusação contradiz a versão de Pistorius. O atleta disse que no momento estava sem a prótese. Ele conta ter se se sentido vulnerável e então atirado, quando pensou que um ladrão havia entrado em sua casa.

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O investigador, por sua vez, disse que uma testemunha teria ouvido uma discussão na casa de Pistorius na mesma noite. Ele tinha dito inicialmente que esta testemunha estava a 600 metros de distância. Mas depois disse que eram 300 metros. A família de Pistorius disse que a mudança na versão do detetive é "extremamente preocupante". O investigador também foi questionado pelo fato de não ter vestido roupa adequada na cena do crime (o que poderia alterar as provas).

Pistorius ganhou várias medalhas nas Paraolimpíadas de Atenas, em 2004, e em Pequim, em 2008. O sul-africano ganhou notoriedade ano passado, em Londres, onde foi o primeiro atleta com a disputar com próteses uma prova das Olimpíadas. Ele chegou à semifinal nos 400 metros.


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