Namorada de Pistorius condenou violência de gênero antes de morrer

Por Reuters |

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No dia 13 de fevereiro, Reeva Steenkamp pediu no Twitter para os sul-africanos usarem preto, em homenagem a mulheres estupradas e mortas no país

Reuters

Um dia antes de ser morta a tiros pelo astro paraolímpico Oscar Pistorius, Reeva Steenkamp proclamou publicamente seu apoio a uma campanha contra a violência que deixa milhares de mulheres mortas na África do Sul a cada ano.

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Em sua página no Twitter em 13 de fevereiro, Steenkamp postou seu apoio à campanha "Sexta-feira Negra", pedindo aos sul-africanos para usar preto em homenagem a milhares de mulheres estupradas e mortas no país, muitas vezes por seus parceiros.

Cena do crime na casa de Oscar Pistorius. Foto: Sky News/ReproduçãoOscar Pistorius deixa a prisão ao lado da irmã na sexta-feira, dia 22 de fevereiro. Foto: APOscar Pistorius conseguiu liberdade sob fiança nesta sexta-feira, dia 22 de fevereiro, e permaneceu imóvel e de cabeça baixa no tribunal . Foto: APFamília de Oscar Pistorius se abraça no tribunal após justiça sul-africana ter concedido liberdade sob fiança ao paratleta. Foto: ReutersDurante a semana, Oscar Pistorius comparece todos os dias ao tribunal em Pretória, na África do Sul. Foto: APNesta quinta-feira, dia 21 de fevereiro, imprensa divulgou que investigador do caso, Hilton Botha, responde processo por tentativa de assassinato . Foto: APNa quarta-feira, dia 20 de fevereiro, promotoria mostrou desenho de planta do banheiro onde Reeva Steenkamp foi morta na semana passada. Foto: ReutersJornais na África do Sul estampam morte da modelo Reeva Steenkamp, que era namorada de Pistorius, em suas capas. Foto: ReutersOscar Pistorius segue preso pela morte da namorada, a modelo Reeva Steenkamp. Ele compareceu ao tribunal nesta terça-feira, dia 19 de fevereiro. Foto: ReutersModelo Reeva Steenkamp foi velada na terça-feira, dia 19 de fevereiro. Mulher levou uma foto dela à cerimônia. Foto: APBarry Steenkamp, pai de Reeva (esquerda), vai ao velório da filha em Pretória, África do Sul. Foto: APAimee e Carl, irmãos de Oscar Pistorius, esperam para mais um dia de procedimentos na corte em Pretoria, nesta terça-feira, sobre a morte da modelo Reeva Steenkamp. Foto: ReutersDo lado de fora, pessoas protestam contra Oscar Pistorius, que teria atirado e matado a namorada em casa. Foto: ReutersOscar Pistorius chora no tribunal, no dia 15 de fevereiro, após ser acusado de matar a namorada. Foto: APVista aérea da casa de Oscar Pistorius. Namorada do corredor paraolímpico foi morta no local. Foto: APCarros de polícia são vistos na entrada do condomínio de Oscar Pistorius na cidade de Pretoria no dia do crime, quinta-feira, 14 de fevereiro. Foto: APCabixbaixo, Oscar Pistorius deixa a delegacia após prestar depoimento no dia da morte da namorada. Foto: APReeva Steenkamp era modelo sul-africana. Foto: DivulgaçãoPistorius posa com a namorada na entrada de evento em novembro de 2012. Foto: APOscar Pistorius comemora sua vitória na prova dos 400 m nas Paraolimpíadas de Londres. Foto: Getty ImagesO sul-africano Oscar Pistorius tornou-se o primeiro atleta a disputar as Olimpíadas e as Paraolimpíadas. Foto: EFEPistorius recebe a medalha de prata, após ser superado pelo brasileiro Alan Fonteles nos 200 m em Londres. Foto: Getty ImagesOscar Pistorius e Alan Fonteles se cumprimentam após a prova dos 200 m nas Paraolimpíadas. O brasileiro levou a melhor. Foto: Getty ImagesOscar Pistorius carrega a bandeira da África do Sul na cerimônia de abertura das Paralimpíadas. Ele também disputou os Jogos Olímpicos, nos 400 m rasos. Foto: Getty ImagesPistorius foi o primeiro atleta biamputado a disputar uma edição das Olimpíadas. Ele participou das semifinais em Londres 2012 nos 400 m. Foto: Getty ImagesPistorius ganhou o prêmio Laureus devido ao seu grande destaque em 2011. Foto: Getty ImagesDetalhe das próteses utilizadas por Oscar Pistorius. O maior problema que ele enfrenta é na largada, para manter o equilíbrio. Foto: Getty ImagesOscar Pistorius competiu no Mundial de Daegu 2011. Foi a primeira vez que um atleta paraolímpico disputou um mundial para atletas sem deficiência. Foto: Getty ImagesPistorius disputou sua primeira prova contra atletas sem deficiência em  2007, em Norwich (Ing), terminando em oitavo lugar. Foto: Getty Images

Steenkamp, de 29 anos, que morreu na madrugada do Dia dos Namorados, queria usar sua fama como modelo e namorada de um dos esportistas mais reconhecidos da África do Sul para levantar a questão, disse sua melhor amiga, Gina Myers.

"Alguns dias antes de morrer, ela estava dizendo como as pessoas eram ignorantes sobre o fato de que (a violência contra mulheres) está por aí", afirmou Myers à Reuters nesta quinta-feira. Steenkamp morou com Myers e sua família nos cinco meses antes de sua morte.

"Ela estava começando a ter estas conversas com as mulheres. Era algo que ela sentia de maneira muito forte e ela queria fazer alguma coisa sobre isso."

Criada na cidade de Port Elizabeth, Steenkamp considerava os Myers como sua "família de Johanesburgo" e ela aparece em muitas fotos espalhadas pela casa.

Seu quarto, simples, com cortinas branco-e-pretas, ainda tinha a evidência da ocupação de Steenkamp nesta quinta-feira, com uma bolsa meia aberta sobre a cama e os cosméticos sobre uma cômoda.

Pistorius, biamputado apelidado de "Blade Runner" por causa de suas próteses de fibra de carbono, pode pegar prisão perpétua se for condenado pelo assassinato premeditado de Steenkamp.

Ele nega a acusação, dizendo que a confundiu com um intruso em sua casa de alto padrão.

Promotores acreditam que Pistorius atirou em Steenkamp após uma discussão. Os vizinhos disseram à polícia que ouviram "gritos incessantes" antes do tiroteio.

Steenkamp tornou-se mais uma estatística num país descrito como um dos mais violentos fora de uma zona de guerra.

"Eu acordei em um lar feliz seguro nesta manhã. Nem todo mundo o fez. Falo contra o estupro de pessoas", ela escreveu no Twitter em 10 de fevereiro, na sequência do estupro, mutilação e assassinato de Anene Booysen, de 17 anos, perto da Cidade do Cabo.

Uma pesquisa recente sobre a violência de gênero do grupo Gender Link em quatro províncias sul-africanas descobriu que uma em cada duas mulheres sofreu alguma violência de forma sexual ou física pelo menos uma vez na vida, incluindo os relacionamentos íntimos.

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