Técnico lamenta colchão em 'lugar errado', mas achava medalha difícil

Elson Miranda, treinador de Fabiana Murer, diz que posição do equipamento na pista piorou a condição da prova, graças ao vento forte. Ele também acha que brasileira sentiu falta de ter disputado mais provas este ano

Marcelo Laguna - iG São Paulo | - Atualizada às

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Elson Miranda orienta Fabiana Murer neste recomeço de treinamentos, já de olho em 2013

Um detalhe, aparentemente inofensivo, ajudou a transformar a participação da saltadora brasileira Fabiana Murer em uma grande frustração. Considerada como uma das grandes favoritas a ficar com a medalha de ouro no salto com vara nas Olimpíadas de Londres 2012, a brasileira acabou eliminada ainda na qualificação. Além do forte vento que atingiu o Estádio Olímpico naquele 4 de agosto (principal explicação de Fabiana para seu fiasco), o técnico e marido da atleta, Elson Miranda, culpou a posição na pista do colchão da caixa de salto como um dos fatores que ajudaram no resultado negativo.

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"Era simples para resolver o problema do vento: bastava terem trocado a posição do colchão. A Svetlana Feofanova chegou a sugerir isso na prova. Eles sabiam que ventava, tinham noção da situação, mas não queriam atrapalhar a saída dos 100 m, que correria as eliminatórias naquele dia. Afinal, o Usain Bolt é mais importante do que o salto com vara. Mas isso é normal acontecer", disse o treinador do clube BM&F Bovespa, pelo qual compete Fabiana Murer.

Segundo Miranda, a colocação do colchão dos saltos próximo à largada dos 100 m poderia atrapalhar os competidores e por isso a organização optou por inverter a colocação. Só que com isso, as atletas ficariam sujeitas a enfrentar um vento contrário, como de fato aconteceu.

Veja também: 'Foi difícil me reerguer novamente', diz Fabiana Murer sobre fiasco em Londres

"Na Olimpíada, eles organizam a prova daquele jeito e quem quiser competir, vai lá e compete, quem não quiser, não compete. Eles não estão preocupados com o atleta em si ou com a performance, eles estão preocupados é que o evento aconteça. Um campeão vai sair dali, com certeza", afirmou Miranda.

A questão do vento, segundo ele, acabou sendo decisiva por causa da variação de velocidade. "A variação era muito grande. Diziam que o vento era para todo mundo, mas é só olhar a variação e vai ver que não é para todo mundo. Na hora do seu salto, se você der sorte, vai pegar um vento melhor. Seria vento igual para todo mundo nos 100m, por exemplo. No caso da vara, não. A reação do vento, naquele caso, é individual", explicou.

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Elson Miranda é marido e técnico de Fabiana Murer

O vento traiçoeiro em Londres pegou todas as atletas de surpresa, segundo Elson Miranda. "Estive no Mundial Juvenil antes dos Jogos e conversei com um dos responsáveis pelo salto com vara da Grã-Bretanha. Ele me disse que no estádio era pouco vento no local e que era um vento a favor. Mas ele indicou a favor na saída dos 100 metros. Mas os organizadores, na hora de montar a pista, não pensam nisso. 'Os 100 m vão sair aqui? Coloca o colchão do outro lado', é o que eles falam. O cara vai sair, o sarrafo cai, então para proteger a concentração do atleta dos 100 m, eles mudam a colocação do colchão", disse Elson.

Falta de ritmo

Mas ao comentar o episódio da colocação do colchão na prova do salto com vara, o treinador não quer encontrar justificativa para o péssimo resultado de Fabiana Murer. "Mesmo se ela tivesse feito o salto na primeiro tentativa, em 4,55 m, se fosse para a final, não iria adiantar muito, não. As condições da final estavam muito ruins também. Acho que ela não chegaria à medalha. Talvez ela tivesse condição da fazer um ou dois bons saltos, mas não chegaria a 4,70 m, 4,75 m, que foi a zona de medalha", afirmou.

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A falta de um maior número de competições nesta temporada - ao contrário de anos anteriores, Fabiana Murer priorizou os treinamentos e diminuiu o número de provas na fase pré-Londres - pode também ter contribuído para o mau resultado da brasileira. "Hoje, se formos analisar, podemos dizer que ela perdeu ritmo em não participar das provas em pista coberta. O pensamento nosso era que se ela não disputasse o Mundial Indoor, teria mais tempo para treinar e depois faria cinco competições antes das Olimpíadas. Talvez tenha faltado ritmo", analisou Elson, lembrando que se Fabiana tivesse disputado mais provas após seu melhor resultado em 2012 (4,77 m, no GP de Nova York), talvez ela chegasse com mais confiança a Londres.

Além de já começar a planejar firme o trabalho de Fabiana Murer para 2013, quando chegará ao Mundial de Moscou na condição de atual campeã do salto com vara, Elson Miranda já faz planos ainda mais distantes, com objetivo nas Olimpíadas do Rio, em 2016. "Mesmo com 35 anos, ela chegará em um nível competitivo. A Fabiana não é tão forte e veloz, mas a gente espera que tecnicamente se mantenha neste alto nível. Se saltar entre 4,80m e 4,95m, isso seria medalha na próxima Olimpíada", afirmou.

Veja fotos da carreira de Fabiana Murer:

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