Fernando Fernandes sofreu um acidente de carro em 2009 e, sem poder mais andar, dedicou-se a canoagem paralímpica; hoje o atleta é tetra mundial

Fernando Fernandes de Pádua, de 34 anos, é um dos destaques brasileiros na canoagem paralímpica. Mas a fama do atleta começou bem antes, longe do esporte. Em 2002, ainda desconhecido do público nacional, ele participou da segunda edição do reality show "Big Brother Brasil". Mas a grande mudança começou a acontecer em 2009.

Naquele ano, Fernando sofreu um acidente de carro na Avenida República do Líbano, na zona sul da cidade de São Paulo. Na batida contra uma árvore, o modelo que já fazia algumas campanhas internacionais fraturou duas vértebras e precisou passar por uma cirurgia de descompressão da medula e fixação da coluna. O acidente tirou Fernando das passarelas e o colocou em uma cadeira de rodas. 

Fernando Fernandes em ação na canoagem
Leonardo Bosco
Fernando Fernandes em ação na canoagem

Mesmo antes do acidente, o esporte sempre fez parte da vida do paratleta. "Desde criança meu sonho era ser jogador profissional de futebol. Passei por categorias de base de alguns times grandes, joguei futsal, mas acabei desistindo logo depois de ter me tornado profissional por um time da 3ª divisão de São Paulo", conta Fernando ao iG .

"Então parti para outro esporte, o boxe, e fui cursar faculdade de educação física. No boxe, fui campeão carioca amador e cheguei a disputar um Campeonato Brasileiro, mas parei por aí com as lutas. Continuei praticando por qualidade de vida e prazer", relata.

Vida pós-acidente

Fernando não desanimou com o fato de ter de mudar radicalmente seu estilo de vida. O esporte serviu como apoio para ele se reerguer. Ainda no Hospital de Reabilitação de Brasília, onde começou a recuperação depois das cirurgias, o ex-modelo descobriu a modalidade que o consagraria no mundo todo.

"Logo que me acidentei vi que a maior ferramenta que tinha em mãos era o esporte, e o que poderia me tirar daquela situação seria exatamente o esporte, só não sabia como e nem qual", recorda. Aos poucos, Fernando conta que começou a entender o "novo corpo", sabendo lidar como uma nova realidade. "Naquele início ainda havia muita esperança em voltar a andar, mas eu não podia esperar aquilo acontecer, eu teria de estar pronto pra tocar a vida seja lá como for, sentado ou em pé", diz.

A musculação e a fisioterapia ajudaram Fernando, mas ele sentia que precisava de mais. "Meu espírito era competitivo, eu precisava me testar. Então, lá mesmo no hospital, fui conhecendo vários esportes adaptados, mas um deles me chamou a atenção: a canoagem", explica.

Amor à primeira vista

Os primeiros contatos de Fernando com a canoagem trouxeram, segundo ele, a sensação de liberdade perdida depois do acidente automobilístico.

A canoagem deu uma
Reprodução
A canoagem deu uma "sensação de liberdade", diz o atleta

"Quando eu sentava naquela embarcação, além da sensação de capacidade, eu estava reconquistando a sensação de liberdade. E naquele momento, não sei dizer o porquê, eu decidi que seria um canoísta e que aquele esporte seria a minha vida, a minha ferramenta de comunicação com o mundo", conta.

Após o período de fisioterapia em Brasília, Fernando voltou a viver em São Paulo para adquirir conhecimento e se aprimorar ainda mais na modalidade. Ele conheceu Diana Nishimura, responsável pelos primeiros contatos do atleta com a canoagem, e também o técnico Paulo Barbosa. Logo começou a participar de competições. "Fomos conhecendo todo caminho das pedras e me tornei campeão mundial de paracanoagem."

Leia também :

Ex-participante do "Master Chef": "Resolvi mostrar oa mundo que não tinha uma mão"

De lá para cá, Fernando se tornou um vencedor na canoagem paralímpica: tricampeão sul-americano, tetracampeão mundial, bicampeão panamericano, pentacampeão brasileiro e campeão da Copa do Mundo. Mas o atleta quer mais: "No ano que vem vou em busca da medalha mais importante da minha vida, a dos Jogos Paralímpicos.".

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.