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Presidente do COI, Thomas Bach, anunciou um pacote de 40 recomendações com objetivo de reduzir os altos custos e tornar os Jogos Olímpicos mais atrativos e sustentáveis

O COI (Comitê Olímpico Internacional) abriu as portas nesta terça-feira para que mais de uma cidade ou país recebam uma mesma Olimpíada, em busca de maneiras de reduzir os custos e tornar os Jogos mais atrativos.

O COI resistiu por muito tempo às tentativas de países e cidades em sediar conjuntamente o maior evento poliesportivo do mundo, alegando que isso poderia deixar a experiência de fãs e atletas menos intensa, mas o presidente do COI, Thomas Bach, disse que a medida agora faz sentido.

Thomas Bach, presidente do COI, fala aos jornalistas após anunciar as propostas de mudanças para as Olimpíadas
REUTERS/Jean-Christophe Bott/Pool
Thomas Bach, presidente do COI, fala aos jornalistas após anunciar as propostas de mudanças para as Olimpíadas


Ao apresentar 40 recomendações do COI para mudanças nos Jogos a serem votadas em dezembro, durante a próxima Assembleia Geral da entidade, em Monaco, Bach disse a um pequeno grupo de repórteres que, por razões de sustentabilidade, seria possível ver outra cidade ou até mesmo país sediando alguns dos eventos da Olimpíada. Nenhuma das mudanças propostas irá ocorrer nos Jogos do Rio de Janeiro, em 2016.

"O que vemos é a oportunidade, por razões específicas, e as razões são para a sustentabilidade... de se ir às cidades para uma parte de uma competição ou para toda uma competição", disse.

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"A porta está bem mais aberta e nós examinamos isso até mesmo pelo lado legal, e observamos que em tais casos podemos ter mais de um contrato de parceria", acrescentou.

Bach, que tem pressionado por modificações no COI desde que assumiu o comando da entidade em 2013, disse que a ideia central de uma vila olímpica para atletas e uma sede principal não iria mudar.

"A unidade de tempo, lugar e ação, como num drama grego, não pode mudar", disse ele. "Mas se dois países compartilham uma montanha, por que não compartilharem uma candidatura? Você pode ter nos Jogos de Inverno uma cidade ou região que proporcione 95 por cento das instalações, mas esses cinco por cento ficam faltando. Por que não abrir então a porta para eles (outra cidade ou país)?", completou Bach.

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A última candidatura conjunta enviada ao COI foi a de Cracóvia, na Polônia, que planejava a realização de algumas competições na vizinha Eslováquia, antes de retirar sua candidatura para a Olimpíada de Inverno de 2022, no início deste ano.

"Se você tem um país menor que não tem um lago para provas de vela, por que não ir a um país vizinho?", disse Bach. "Continuaria a ser uma candidatura da cidade, mas poderia ser complementada com parceiros."

Novas modalidades

Nas recomendações anunciadas por Thomas Bach, também está uma proposta para flexibilizar o programa esportivo dos Jogos, permitindo que cada cidade-sede possa incluir modalidades mais populares para aquele país. Isso não invalidaria, contudo, a necessidade das futuras sedes olímpicas respeitem os limites de atletas credenciados, cerca de 10.500. 

Para os Jogos de Tóquio 2020, isso já seria possível. Como o blog Espírito Olímpico havia antecipado no final de setembro , Jorge Otsuka, o presidente da CBBS (Confederação Brasileira de Beisebol e Softbol), dizia que a inclusão do beisebol e do softbol no programa olímpico dos Jogos de 2020 seria votada na Assembleia geral do COI, em dezembro.

O COI também pretende criar um canal próprio de TV, para poder divulgar seus eventos e difundir os valores olímpicos durante o ano todo, e não apenas a cada quatro anos, com a realização dos Jogos Olímpicos. 

* Com Reuters