Além de não ter o repasse da verba da Lei Agnelo/Piva antes do Pan, entidades dizem que o Comitê Olímpico exige resultados e estabelece regras rígidas até para a devolução de uniformes

O dinheiro contado nos cofres das confederações dos esportes não-olímpicos que integram a delegação do Brasil nos Jogos Pan-Americanos não é o único problema destas entidades, embora seja talvez o maior deles. Uma queixa bastante comum entre eles é que existe uma cobrança de performance destas modalidades por parte do COB (Comitê Olímpico do Brasil), o que é considerado injusto pelos dirigentes.  

Confira as modalidades não-olímpicas que estarão no Pan de Toronto, em 2015, e alguns brasileiros já classificados para a competição


"A seletiva da partinação artística ocorreu em Orlando (EUA), no Pan da modalidade e não tivemos apoio algum. O COB não nos deu nenhuma verba, os próprios atletas que bancaram suas despesas. Se não tivéssemos participado do Pan de Orlando, não teríamos mais chance de disputar o Pan-Americano de Toronto. E aí, sabe de quem seria a culpa? Da Confederação. Seríamos cobrados pelo COB se não tivéssmos nos classificado", reclama Moacyr Neunshwander Filho, presidente da CBHP (Confederação Brasileira de Hóquei e Patinação).

"Nós já solicitamos uma ajuda de custo para o classificatório, que será o Sul-Americano do Peru, e eles já negaram. Acho isso errado, o COB deveria nos ajudar", repete Jorge Otsuka, que comanda a CBBS (Confederação Brasileira de Beisebol e Softbol). "Eles estão focados apenas nos esportes olímpicos, por causa do Rio 2016. Já tivemos uma sinalização de que o apoio será menor no ano que vem", disse Guy Igliori, presidente da CBBOL (Confederação Brasileira de Boliche).

Veja também: Fora do Rio 2016, primos pobres do esporte encaram Pan de Toronto como Olimpíada

Entre os atletas destas modalidades, existe também uma certa revolta pela forma com a qual o Comitê Olímpico trata os "primos pobres" do esporte brasileiro. "O COB não nos ajuda em nada, logo não tem direito de fazer qualquer cobrança. Só nos ajudaram bastante na preparação quando ocorreu o Pan do Rio, em 2007", afirmou Caio Neves, do esqui aquático e cotado para disputar a prova de rampa em Toronto.

Neves também guarda uma mágoa da entidade por conta de seu corte, no Pan de Guadalajara, em 2011. "Há 20 dias dos Jogos, sofri um acidente e quebrei meu pé. Não tinha como participar. Só que recebi um email do COB pedindo que eu mandasse um atestado médico comprovando a minha contusão e também que eu devolvesse os uniformes que já havia recebido deles", disse o esquiador.

Acompanhe a preparação dos Jogos Rio 2016 no blog Espírito Olímpico

Procurado pelo iG Esporte , o COB, por meio de sua assessoria de imprensa, contestou as reclamações a respeito de investimentos. "Dentro do limite orçamentário do COB, o foco principal do plano estratégico da entidade para este ciclo olímpico são os Jogos Olímpicos Rio 2016. Para as modalidades olímpicas, os Jogos Pan-americanos fazem parte desse caminho, tendo como objetivo principal a preparação do Time Brasil para 2016", disse a entidade.

"A possibilidade de ajuda a alguma modalidade não olímpica para Toronto 2015 será analisada de acordo com a situação e com a disponibilidade financeira do COB, sem prejuízo às modalidades que estarão nos Jogos Rio 2016. Vale ressaltar que as Confederações são autônomas e possuem suas próprias receitas", afirmou o Comitê Olímpico ems eu comunicado

Na questão do caso de Caio Neves, o COB alega ter apenas cumprido uma exigência legal. "Para o processo de substituição de um atleta por motivo de contusão, sempre é necessária a apresentação de um atestado médico comprovando a lesão. Nestes casos, o COB solicita os exames ou atestados, para justificar a não ida ou a troca do atleta junto ao Comitê Organizador. Os uniformes da delegação brasileira são de direito dos atletas e oficiais que integram a delegação", explicou o COB.

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