Medalhas inéditas em modalidades sem tradição, como tiro com arco e luta olímpica, aumentam a confiança do Ministério do Esporte na política esportiva após os Jogos Olímpicos

O secretário de alto rendimento do Ministério do Esporte, Ricardo Leyser, deu palestra nesta terça-feira no Pinheiros
Divulgação/Ministério do Esporte
O secretário de alto rendimento do Ministério do Esporte, Ricardo Leyser, deu palestra nesta terça-feira no Pinheiros

Considerada a maior preocupação para muitos atletas e dirigentes, a "vida após as Olimpíadas", como muitos se referem ao destino do esporte brasileiro assim que terminarem os Jogos do Rio de Janeiro, em 2016, pode não ser tão dramática assim. Ao menos essa é a percepção do Ministério do Esporte, especialmente após recentes resutados positivos em modalidades nas quais o Brasil não tem tradição alguma. Foi o caso da luta olímpica, que teve viu Aline Ferreira da Silva conquistar uma medalha de prata no Mundial do Uzbequistão, e o vice-campeonato de Marcus Vinícius D'Almeida na Copa do Mundo do tiro com arco, na França.

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"Os resultados obtidos pela Aline e o Marcus Vinicius são dois exemplos de legados que ficarão após as Olimpíadas. O sucesso esportivo dos atletas reforçará que os investimentos no futuro não sejam completamente cortados", analisou Ricardo Leyser, secretário de alto rendimento do Ministério do Esporte, que nesta terça-feira deu uma palestra sobre o legado esportivo após os Jogos de 2016, no Pinheiros.

Parte do otimismo também tem a ver com a ótima largada que o país deu no começo do ciclo olímpico para as próximas Olimpíadas. Em 2013, nada menos do que 27 medalhas foram conquistadas em Mundiais e competições olímpicas de alto nível, sendo oito de ouro, dez de prata e nove de bronze. Nas modalidades paraolímpicas, foram conquistadas 71 medalhas em provas que integram o calendário dos Jogos.

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Em conversa com o iG Esporte no final de 2013 , o próprio Leyser admitiu que a realidade esportiva brasileira será diferente assim que as Olimpíadas e Paraolimpíadas de 2016 forem encerradas. Em outras palavras, a torneira de investimentos será fechada. Mas pelo desempenho que várias modalidades estão obtendo desde a última temporada, ele não imagina que o corte seja tão radical assim.

"Haverá uma redução de investimentos, especialmente na área de infraestrutura. Mas se eu não conseguir entregar mais um centro de treinamento como o que estamos construindo em Fortaleza, paciência. O importante é que boa parte destes CTs já terão sido entregues nesta fase de preparação olímpica. E para continuar investindo em viagens de treinamentos e competições para os atletas de alto rendimento, imagino que será possível manter 50% do que estamos aplicando atualmente", calculou.

Desde que o Brasil adquiriu o direito de organizar as Olimpíadas de 2016, no Rio de Janeiro, o governo federal vem intensificando o apoio ao esporte olímpico, com o plano de colocar o país em um inédito "top 10" do quadro de medalhas (e top 5 nas Paraolimpíadas), literalmente "abrindo o cofre" através de diversos programas e ações, como Bolsa Atleta, Bolsa Pódio, Plano Medalhas e convênios do Ministério com confederações e clubes. Apenas em 2014 estão sendo investidos R$ 967 milhões em todos estes programas.


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