Comitê organizador das Olimpíadas traça plano de ação com autoridades brasileiras para não ter problemas iguais aos da Copa do Mundo; preços serão anunciados até o fim do mês

As cenas de pessoas desesperadas atrás de um ingresso para acompanhar jogos da Copa do Mundo de 2014 e de cambistas sendo encarcerados pela polícia às vésperas da final entre Argentina e Alemanha dificilmente se repetirão daqui a dois anos, nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro . Pelo menos esta é a esperança do comitê organizador Rio 2016, que para evitar problemas semelhantes já traça um plano de ação em relação ao sistema de vendas e distribuição de tíquetes para as Olimpíadas. A estratégia envolve o Ministério Público, Polícia Federal e Procuradoria Geral da República.

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Torcedor exibe cartaz pedido ingresso antes da partida entre Argentina e Bósnia, no Maracanã, pela Copa do Mundo
Getty Images/Clive Rose
Torcedor exibe cartaz pedido ingresso antes da partida entre Argentina e Bósnia, no Maracanã, pela Copa do Mundo


“É claro que a prática do cambismo, como ocorreu na Copa, é uma preocupação nossa e justamente por isso já estamos desenhando um esquema para evitar ao máximo problemas nessa área. Assim, procuramos com antecedência as autoridades que estão analisando o nosso plano, apontando possíveis brechas que possam ser corrigidas a tempo”, diz Mario Andrada, diretor de comunicação do comitê Rio 2016. “Mas o ponto principal é que estamos preparando um esquema mais focado e que tentará impedir falhas mais graves”, afirmou.

A maior preocupação do comitê organizador dos Jogos do Rio é deixar uma imagem completamente diferente daquela apresentada pela Fifa na organização e distribuição de ingressos da última Copa do Mundo. Se no Mundial de futebol a falta de entradas disponíveis e farta presença de cambistas foram os pontos negativos do mega evento, nas Olimpíadas a ideia é fazer tudo diferente. E o primeiro passo será fornecer uma quantidade maior de tíquetes e com preços mais acessíveis ao torcedor que quiser acompanhar os eventos olímpicos. Os organizadores inclusive pretendem anunciar até o final deste mês a lista completa de preços de todas as cerimônias e eventos esportivos de 2016.

Torcedores encaram fila para retirada de ingressos durante os Jogos Olímpicos de Londres
Getty Images/Jeff J Mitchell
Torcedores encaram fila para retirada de ingressos durante os Jogos Olímpicos de Londres


“A principal diferença das Olimpíadas em relação ao Mundial é filosófica. A Fifa é quem vende os ingressos, a Fifa tem lucro com patrocinadores e eventos, enfim, a Copa do Mundo é da Fifa. Mas os Jogos Olímpicos são do Rio de Janeiro, que opera, vende, produz os ingressos e fica com os lucros de seus patrocinadores locais. Conseguimos convencer o COI [Comitê Olímpico Internacional] e será a lei brasileira que irá prevalecer sobre a venda das entradas”, disse Andrada.

Segundo o diretor do Rio 2016, a entidade tem como política criar formas de “democratizar” a venda e distribuição de ingressos, com preços mais justos. Estão previstos para serem colocados à venda cerca de 7 milhões de entradas para os Jogos Olímpicos e quase 2 milhões para os Paraolímpicos, que ocorrerão na sequência. “Estamos prevendo que teremos à disposição pouco mais do que o dobro de ingressos com preço social, não superando os US$ 30 [cerca de R$ 67,00]”, imagina Mário Andrada.

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Embora os valores ainda não sejam conhecidos oficialmente, os bilhetes para o Rio 2016 deverão ter o preço variando entre US$ 30 e US$ 150, de modo geral. Não estarão incluídos nesta conta os chamados “eventos top” olímpicos, que contemplarão as cerimônias de abertura e encerramento; a final dos 100 m rasos masculino no atletismo; a final dos 100 m livre masculino, na natação; as finais da ginástica artística feminina; e a decisão da medalha de ouro no futebol masculino. Todos estes eventos terão um preço mais caro, por causa do maior procura pelo público.

Os organizadores já contam também com a empresa que será encarregada pela criação do sistema de venda de ingressos online, controle de acesso e estrutura de call center. Será a alemã CTS Eventim, segunda maior no setor de ingressos em todo o mundo e que foi a responsável pelo programa de ingressos da Copa do Mundo de 2006, na Alemanha, dos Jogos Olímpicos e Paraolímpicos de Inverno de Turim 2006 e Sochi 2014. “Mas eles apenas serão responsáveis em nos fornecer o software do programa e implantação dos sistemas. Toda a operação será feira aqui no Brasil”, explicou Mario Andrada.

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