Ouvidos pelo iG, parte dos integrantes da comissão de atletas quer iniciar uma discussão ampla sobre a maior proteção aos esportistas, após o grave acidente com Laís Souza

Isabel Clark acha que é necessário existir um seguro que cubra morte e invalidez também no período de treinamento
Cameron Spencer/Getty Images
Isabel Clark acha que é necessário existir um seguro que cubra morte e invalidez também no período de treinamento

Nas diversas trocas de mensagens entre os integrantes da comissão de atletas do COB (Comitê Olímpico Brasileiro), especialmente após o acidente que vitimou a ex-ginasta Laís Souza, em sua preparação para as Olimpíadas de inverno de Sochi, no final de janeiro, o presidente do órgão Emanuel Rego percebeu que um dos pontos mais levantados foi sobre a questão da criação de um seguro de vida e invalidez com maior abrangência dos que existem atualmente.

No caso do COB, por exemplo, os atletas estão cobertos apenas durante as competições oficiais, tais com o Jogos Olímpicos, Pan-Americanos e Sul-Americanos, a partir do momento em que integram a delegação brasileira.

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"Não sei de onde exatamente poderia sair este seguro, mas acredito que negociando as cláusulas do contrato que o COB tem com o seguro atual. Que o seguro também cubra invalidez durante treinos oficiais, já que o atleta se arrisca da mesma forma durante treinos e competições", diz Isabel Clark, atleta do snowboard e que disputou os Jogos de Sochi.

Por participar de uma modalidade de alto risco, Isabel diz que costuma sempre viajar para as competições com seguros particulares, independentemente dos que são feitos pela CBDN (Confederação Brasileira de Desportos na Neve). "De qualquer forma, defendo a idéia de que um atleta, pelo menos de categoria olímpica, ou que esteja lutando por uma classificação olímpica, tenha seguro saúde com cobertura total. É um assunto que o atleta não deveria se preocupar, pois ele não está pensando em se lesionar e sim dar o melhor de si e superar seus limites", afirma a atleta.

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Procurados pelo iG outros integrantes da comissão de atletas do COB a respeito do caso Laís Souza e da necessidade de um seguro mais abrangente. Confira abaixo:

Fabiana Murer (atletismo)

"A comissão de atletas está conversando sobre isso, os atletas estão dando ideias, opiniões. Estamos discutindo o assunto, vendo o que é possível fazer, o que podemos falar com o COB sobre isso. Acho que o atleta tem de ter um seguro mesmo. É preciso pensar não só nas coisas boas do esporte, como as conquistas, mas também é preciso pensar que o atleta pode sofrer lesões, acidentes, e vai ficar um tempo afastado." 

Renzo Agresta (esgrima)

"Acho favorável a criação de qualquer instrumento que possa tutelar o atleta. Ainda mais quando uma pessoa se machuca exercendo o esporte, como foi no caso da Laís, e ainda mais treinando para participar dos Jogos Olímpicos. Sem dúvida, sou favorável a se estudar uma maneira mais abrangente de proteger o atleta, que dedica a vida para defender o país. É justo ter uma preocupação maior em como amparar um atleta que passa por uma situação como essa."

Além do seguro de morte e invalidez integral, Arthur Zanetti defende uma aposentadoria para os atletas dos esportes olímpicos
Ricardo Bufolin/Divugação
Além do seguro de morte e invalidez integral, Arthur Zanetti defende uma aposentadoria para os atletas dos esportes olímpicos


Arthur Zanetti (ginástica artística)

"Os atletas de alto rendimento deveriam ter um seguro de invalidez e morte sim. Todos nós sabemos que nos esportes de alto rendimento os acidentes podem acontecer. Deveremos colocar o assunto em uma das reuniões, usando o caso da Laís como exemplo, para ouvir as opiniões. Seria necessário uma discussão mesmo para um posterior posicionamento. Acho também que os atletas teriam de ter uma aposentadoria para quando param de competir e encerram a carreira."

Robert Scheidt (vela)

"Acredito que, nos esportes que envolvem mais riscos, como é o caso do esqui, é importante, sim, o atleta ser coberto por um seguro de vida e invalidez mais completo. Há um seguro que vale para missões olímpicas e pan-americanas. Agora, expandir esse seguro para a fase de treinamento implica em uma cobertura de praticamente 365 dias ao ano, pois atletas de elite treinam todos os dias. Portanto, acredito que é indispensável abrir um debate mais amplo sobre o assunto, a fim estabelecer como dividir este ônus extra entre o atleta, seu clube, sua confederação e o COB."

Rafael Silva (judô)

"Acredito que isso [seguro mais abrangente] precisa ser discutido com muita calma. Imagino que para o COB seria muito complicado montar uma estrutura que atenda a todas as modalidades, além de decidir quais seriam os beneficiados, pois são milhares de atletas no Brasil. Particularmente, eu sempre tenho seguros completos tanto da CBJ, quando represento a seleção brasileira como do meu clube, o Pinheiros, em competições dentro do país."

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