Atleta vai representar o Brasil nos Jogos de Sochi no esqui cross country e pela primeira vez fará a prova mais curta

Leandro Ribela será o brasileiro na prova do esqui cross country nas Olimpíadas de Inverno
Reprodução/Facebook
Leandro Ribela será o brasileiro na prova do esqui cross country nas Olimpíadas de Inverno

Leandro Ribela disputa a sua segunda Olimpíada de Inverno, mas os Jogos de Sochi 2014, que começam nesta sexta-feira, têm gosto de estreia. O brasileiro, que conheceu a neve em uma viagem em família a Bariloche e foi o único a gostar do frio, segue no esqui cross country, assim como em Vanvoucer 2010, mas agora fará uma prova diferente. A novidade motiva o atleta.

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Há quatro anos, Ribela competiu na prova de longa distância (15 km) e, agora, conseguiu o índice para o sprint, prova de apenas 1,4km e que dura em média 3 minutos, segundo o atleta. “Gosto muito das provas curtas porque todo segundo conta e você está o tempo todo no limite. Também sou muito detalhista e perfeccionista em tudo o que eu faço e tem que ser assim nessa prova”, explica o atleta, que ainda diz gostar de todo o estudo necessário para a modalidade. “Teve a ver com meu estilo e a mudança foi bem legal”, completa. Entre as mulheres, Jaqueline Mourão representará o Brasil na modalidade.

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Outra diferença estreia olímpica em Vancouver e agora foi a preparação, dessa vez bem mais tranquila. “Hoje eu sou um atleta muito mais maduro e encurtei o caminho na preparação. Até 2010 eu estava começando e desbravando o esporte e bati cabeça em busca de informações e pessoas certas com quem trabalhar”, lembra. 

“Neste ciclo para Sochi tudo funcionou melhor porque eu já conhecia as provas, os percursos e até a logística para as viagens, coisa que sempre gera muito estresse para se programar, saber onde vai ficar. Sem isso, pude focar energia no esporte e foi uma mudança muito positiva pode trabalhar assim”, afirma Leandro Ribela.

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Os resultados dessa mudança já apareceram. O esquiador lidera, pela primeira vez na carreira, o ranking latino-americano. “Isso serve para saber que eu fiz tudo o que estava ao meu alcance para Sochi, que evolui e incorporei tudo o que precisava nesse ciclo”, comenta.

Leandro Ribela também foi atleta do biatlo, mas hoje compete no cross country
Divulgação/CBDN
Leandro Ribela também foi atleta do biatlo, mas hoje compete no cross country


Ele ainda não conhece a pista que irá competir nas Olimpíadas, mas todos os treinos lhe dão confiança. “O evento teste não encaixou no meu calendário, mas chego à Rússia essa semana e minha prova é só dia 13. Vai ser um circuito duro, mas eu acho que estou preparado para qualquer pista como meu treinamento”, diz.

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Entretanto, Ribela evita falar em resultados e se explica. “Não coloquei meta e nem nada disso porque é uma prova nova. O nível também será muito alto e de mais de 100 atletas que largam, apenas 30 avançam e a diferença no tempo do primeiro para o 30º deve ser de 6 segundos. Quem está no topo tem um nível muito parecido”, explica o atleta, que vai para Sochi com o índice B e que acou em 95ª lugar na prova de longa distância em Vancouver.

Ainda assim, ele tem objetivos pessoais. “Eu quero poder sair satisfeito com a técnica que apliquei, sabendo que estava super focado na prova e que rendi 100% do meu físico. Esses são referenciais controlados por mim”, conta.

Abertura é momento inesquecível

Leandro Ribela treina no asfalto e tem um projeto social em São Paulo para jovens
Reprodução/Facebook
Leandro Ribela treina no asfalto e tem um projeto social em São Paulo para jovens

Para Leandro, o melhor momento da carreira foi a cerimônia de abertura das Olimpíadas de Vancouver. “Não sei como será em Sochi, mas em 2010 a abertura foi muito emocionante a marcou a carreira. Escutar o narrador chamando o seu país, você entrar no estádio lotado com umas 50 mil pessoas... Nessa hora passa um filme na cabeça e você só escuta um barulho em volta. É uma sensação muito boa que mostra que valeu a pena e valeria fazer tudo de novo”, recorda.

No pessoal, o melhor momento também está ligado ao esqui. Leandro Ribela, depois de passar férias na neve, começou a trabalhar como professor de esqui. “Essa época que dava aulas nos Estados Unidos e morava na montanha foi o melhor período. Era um estilo de vida e ia para o trabalho esquiando. Ali realizei o sonho de viver de esqui”, fala.

Como atleta profissional, ele se divide entre a temporada na neve na Europa e a vida em São Paulo. No Brasil, para manter os treinos, usa esqui com rodinhas e já criou até um projeto social com o roller esqui para descobrir novos talentos no esporte. Agora, está na Áustria para últimos treinos e competições antes de Sochi. Ele embarca para Rússia nesta semana. 

Aos 34 anos e às vésperas da segunda Olimpíada, Leandro mantém a calma. Ele fala que não sofre de nervosismo nem nas provas ou na véspera. “Não tem por quê, é o que gente faz todos os dias”, resume.

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