Atleta vai competir no biatlo e no esqui cross country nas Olimpíadas de Inverno e se prepara para, pela primeira vez, ficar longe do filho em um campeonato

Jaqueline Mourão volta ao cross country e estreia no biatlo em Sochi 2014
Divulgação/CBDN
Jaqueline Mourão volta ao cross country e estreia no biatlo em Sochi 2014

A expressão “primeira vez” poderia ser sinônimo de Jaqueline Mourão. Em 2004, ela foi a primeira atleta do mountain bike do Brasil a disputar uma Olimpíada. Mais tarde, mudou para o esqui e foi a primeira brasileira a somar duas participações em Jogos de Verão na modalidade do ciclismo (Atenas e Pequim) e duas nos Jogos de Inverno com o cross country (Turim e Vancouver).

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Agora, vai para a quinta Olimpíada em Sochi e, de novo, conseguiu um feito inédito. Pela primeira vez uma brasileira vai competir em dois esportes, já que além do cross country, Jaqueline confirmou vaga nesta sexta-feira no biatlo (modalidade que reúne esqui e tiro de carabina). E será a primeira do país a somar três modalidades olímpicas diferentes.

Aos 38 anos, Jaqueline Mourão não se cansa e ainda se vê como uma novata. “A sensação é de dever cumprido e felicidade por ter conseguido mais um esporte inédito para o Brasil nas Olimpíadas de Inverno e ainda me manter em primeiro na classificação do cross country”, afirma a atleta em entrevista exclusiva ao iG. “E apesar da idade, sou uma estreante nesses esportes e tenho muito que aprender”, completa.

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Jaqueline começou no mountain bike e passou a esquiar por acaso. Ela já era casada com Guido Visser, ex-esquiador e hoje seu técnico, e estava no Canadá. Caiu uma tempestade de neve fora de época e não restava opção a não ser se aventurar no esqui sob o auxílio do marido. A ex-ciclista estreou no esqui cross country em 2005 e, em 2006, estava nas Olimpíadas de Turim. Há três anos, durante a gravidez de Ian, ela, que já tinha aposentado a bicicleta, conheceu no biatlo.

“Fiquei grávida depois dos Jogos de Vancouver e tinha que cortar parte do meu treinamento. Um amigo nosso, treinador da equipe do Canadá de biatlo, me ensinou a atirar e pensei: Por que não aprender?’. Eu sou capricorniana e gosto de desafio e de aprender coisa nova. O biatlo foi um prato cheio!”, lembra Jaqueline.

Guido Visser, marido de Jaqueline Mourão, com Ian em uma etapa da Copa do Mundo
Getty Images
Guido Visser, marido de Jaqueline Mourão, com Ian em uma etapa da Copa do Mundo

Se Ian de alguma maneira a aproximou do biatlo, ele também já causa apreensão na mãe atleta. Sochi 2014 será a primeira competição de Jaqueline Mourão sem o filho. Ela e Guido sempre levaram o pequeno Ian para provas e foram juntos para o evento-teste na Rússia, no ano passado. A experiência não foi nada agradável e a família passou horas presa na polícia federal por conta da carabina e da munição que Jaqueline carregava para a competição. Dessa vez, para evitar problemas, a criança ficará com uma amiga do casal.

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“O Ian sempre foi comigo e isso aumenta os custos de viagens, mas apertamos o orçamento familiar para ter ele por perto. Na Rússia não teria como ele ficar conosco na Vila Olímpica e então apareceu essa amiga anjo que mora na Suíça. Ele ficará lá com a minha mãe. Vai ser duro ficar longe dele, mas vou para Sochi sabendo que ele estará bem e vou focar nas provas. E não ficarei até o final das Olimpíadas. Assim que acabar a minha competição, vou para Suíça”, explica.

Jaqueline levará lembranças de Ian na mala para as Olimpíadas. “Separei fotos e alguns presentes que ele me fez. E também vou levar uma concha que achamos juntos em Sochi no evento do ano passado”, revela.

Não cair e atirar bem

Jaqueline focou os treinos no biatlo neste ciclo olímpico, mas evita fazer projeções para as Olimpíadas. “Meu objetivo é dar o melhor e, como são provas que nunca participei, nem tem como pensar em resultado. Quero estar focada para não cair e atirar bem”, afirma.

Às vésperas da quinta edição dos Jogos Olímpicos, ela ainda diz que se sente a mesma vontade da estreia em Atenas 2004. “Não mudou nada. É sempre uma honra representar o Brasil. Mudou um pouco o mental. Em 2004 eu era muito nervosa, nem conseguia dormir. Isso pode acontecer agora também, mas eu consigo lidar com essas coisas e voltar para a minha bolha de concentração. Acho que agora sou menos estressada do que eu era”, analisa.

Pensar em deixar o esporte ainda nem passa pela cabeça da veterana e pode vir mais depois de Sochi 2014. “Adoro o que eu faço e isso é frustrante porque sei que um dia terei que parar de competir em alto nível. Mas com a idade aprendi a não fazer planos a longo prazo. Vamos um ano após o outro”, comenta Jaqueline.

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