Em artigo, diretor executivo de Esportes do COB comenta o trabalho da entidade para as Olimpíadas

Marcus Vinícius, diretor executivo do COB
Fernando Dantas/Gazeta Press
Marcus Vinícius, diretor executivo do COB

Em 2014, o Brasil será o centro das atenções no esporte. Afinal, o país receberá a Copa do Mundo de futebol. Enquanto o Brasil inteiro estiver vivendo e celebrando uma de suas maiores paixões, o Comitê Olímpico Brasileiro, as Confederações Brasileiras Olímpicas e nossos principais atletas olímpicos seguirão no processo de preparação para outro grande evento esportivo no país: os Jogos Olímpicos Rio 2016. Faltando pouco menos de mil dias para os primeiros Jogos Olímpicos realizados na América do Sul, o COB segue trabalhando intensamente para colocar o Brasil entre os dez países mais bem colocados no quadro geral de medalhas do evento, conquista inédita para o esporte brasileiro. Estamos cientes do tamanho desse desafio e trabalhando arduamente para cumpri-lo.

A meta estipulada pelo COB é ousada, mas o Brasil já vem evoluindo qualitativamente no desempenho em Jogos Olímpicos nas últimas edições. Entre 1920 e 1992 (16 edições) o país ganhou 39 medalhas (9 de ouro, 10 de prata e 20 de bronze); média de 2,4 medalhas por Jogos. Já entre 1996 e 2012 (5 edições) foram 69 medalhas (14 de ouro, 20 de prata e 35 de bronze), o que dá uma média de 13,8 medalhas por Jogos.

Para os Jogos Olímpicos Rio 2016, o planejamento do COB e das Confederações Brasileiras Olímpicas visa ampliar as conquistas de medalhas olímpicas para cerca de 13 modalidades, superando a média histórica de oito que o Brasil vem alcançando. Nas últimas edições olímpicas, ser Top 10 significou alcançar algo em torno de 26 e 28 medalhas. Em Londres 2012, o 10º colocado foi a Ucrânia com 28 medalhas, e em Pequim, foi a Itália com 27. O Brasil ganhou 17 medalhas em Londres, ocupando a 16ª colocação pelo total de medalhas.

Para alcançarmos o Top 10, temos que ampliar o número de atletas capazes de conquistar medalhas; aumentar o número de medalhas nas modalidades em que já temos tradição de conquistas olímpicas (estratégia que já funcionou em Londres 2012, quando vôlei e judô ganharam quatro medalhas cada uma); e conquistar medalhas em novas modalidades, como já ocorreu no boxe, ginástica artística e pentatlo moderno.

Dentro do planejamento estratégico do Comitê Olímpico Brasileiro, os primeiros anos deste ciclo olímpico estão voltados para a qualificação técnica das equipes brasileiras. Para isso, o COB investe em três ações básicas: contratação de treinadores de ponta, brasileiros ou estrangeiros; desenvolvimento de equipes multidisciplinares e ações diretas de ciências do esporte na preparação dos atletas.

Com quase um ano e meio após o fim dos Jogos Olímpicos Londres 2012, os últimos resultados em competições internacionais demonstram que o esporte olímpico brasileiro está no estágio planejado. Em termos de resultados, este foi o melhor primeiro ano brasileiro em um ciclo olímpico. Estamos administrando essa preparação junto com as Confederações, com auxílio financeiro do Ministério do Esporte, principalmente em relação aos Campeonatos Mundiais, que têm demonstrado um crescimento relevante do Brasil. Hoje temos mais atletas individuais classificados entre os 20 melhores do mundo, em todas as modalidades, do que tínhamos no primeiro ano do ciclo olímpico de Londres 2012. É uma curva crescente, na qual cerca de 200 atletas estão sendo atendidos detalhadamente em cada uma de suas necessidades.

O foco de 2014 será no investimento em detalhes da preparação dos atletas, pois isso fará a diferença em 2016. No ano que vem, o COB intensificará o processo de qualificação técnica das equipes brasileiras e começará a formar a delegação olímpica. Em março, o Brasil disputará os Jogos Sul-americanos de Santiago, no Chile, com cerca de 500 atletas. Muitos deles estarão nos Jogos Olímpicos do Rio. Em 2015, será a vez dos Jogos Pan-americanos de Toronto, no Canadá, quando a delegação estará ainda mais próxima daquela que disputará o Rio 2016.

O ano de 2013 foi muito bom para o esporte olímpico brasileiro, mas isso não traz a garantia de medalhas para 2016. No entanto, além de comprovarem a evolução do esporte olímpico brasileiro, os resultados conquistados este ano mostram que estamos no caminho certo.

Entraremos em 2014 torcendo muito para que a Seleção Brasileira de Futebol seja hexacampeã do mundo, e trabalhando firme para colocar o Brasil entre os dez primeiros países pelo quadro total de medalhas nos Jogos Olímpicos Rio 2016.

*Marcus Vinicius Freire é diretor executivo de Esportes do COB e medalhista de prata com a seleção masculina de vôlei nos Jogos Olímpicos Los Angeles 84.

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