Dirigente da canoagem diz que ‘lei se cumpre’, mas defende mandato maior

Por Marcelo Laguna - iG São Paulo |

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João Tomasini Schwertner, que comanda a Confederação Brasileira desde sua fundação, argumenta que 12 anos é o período ideal para alguém ficar à frente de entidades esportivas

Divulgação/Confederação Brasileira de Canoagem
O presidente da CBCa, João Tomasini, abraça o canoísta Nivalter dos Santos, durante o Mundial de Duisburg. Ele está na presidência há 24 anos

Sancionada pela presidenta Dilma Rousseff há uma semana, a Medida Provisória 620, que limita em oito anos (com direito a uma reeleição) o mandato de dirigentes esportivos, está longe de ser uma unanimidade entre os cartolas que estão à frente das confederações brasileiras. Ao contrário, muitos entendem que o prazo proposto é enxuto demais. “Lei é feita para ser cumprida, qualquer discussão tem que ocorrer na fase de elaboração. Mas em minha opinião, oito anos é um prazo muito curto. Acho que 12 anos seria o período ideal”, afirmou João Tomasini. presidente da CBCa (Confederação Brasileira de Canoagem).

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E de longevidade Tomasini entende. Ele é um dos três dirigentes que há mais tempo estão no poder de uma entidade esportiva. Ele assumiu em abril de 1988 a presidência da então Associação Brasileira de Canoagem, que tornou-se Confederação Brasileira em março de 89. No mesmo ano, Manoel Luiz Oliveira assumiu como presidente da Confederação de handebol. O cartola que está há mais tempo no cargo é Coaracy Nunes, que comanda a CBDA (Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos) desde 1988.

Mas o próprio comandante da canoagem brasileira ressalta que não critica o prazo de oito anos por interesse próprio. “Em nossa assembleia realizada em março, quando mudamos o estatuto e o mandato do presidente foi estabelecido para 12 anos, fiz questão de informar que deixaria o cargo em 2017”, afirmou o dirigente, que concorda com a tese de que não se pode eternizar uma pessoa no comando de uma entidade esportiva.

Blog Espírito Olímpico: Limitação de mandatos de cartolas é a maior vitória do esporte brasileiro

“Eu também acho que o tempo dos mandatos precisa ser reduzido, mas entendo que o prazo de 12 anos, que inclusive é o que existe no COI [Comitê Olímpico Internacional] acaba sendo mais produtivo. Especialmente no que diz respeito à projeção que um dirigente precisa ter no cenário internacional”, explicou. Tomasini usa como exemplo o que acontece na federação de canoagem do Canadá. “Eles têm uma alternância no poder a cada quatro anos. Só que quando esse dirigente chega na assembleia da federação internacional e tenta reivindicar alguma coisa, quase sempre não tem sucesso. Ele é desconhecido no cenário internacional”, afirmou.

Citado por Tomasini, o COI permite apenas uma reeleição a seu presidente. Porém, o mandato é limitado a 12 anos, sendo oito para o primeiro período e quatro no segundo. Por isso, o alemão Thomas Bach, recém-eleito para o comando da entidade, terá que deixar obrigatoriamente o cargo em 2025.

Sobre outros pontos existentes na MP 620, como dar voz aos atletas para participarem do processo eleitoral de suas entidades, por exemplo, João Tomasini diz que a CBCa já está enquadrada há um bom tempo. “Desde 1998, a confederação permite a participação de clubes, além das federações estaduais, em suas eleições. Temos uma proposta para a próxima assembleia de ampliar nosso colégio eleitoral para 154 votos, sendo que 20 seriam de atletas, e fomos além do que pede a nova lei, incluindo oito técnicos e quatro árbitros. Isso é inédito no Brasil”, disse o dirigente.

Sem polêmica com Isaquias

Divulgação/Confederação Brasileira de Canoagem
No Mundial de Duisburg, João Tomasini e Isaquias Queiroz (no centro) festejam a medalha de ouro

No final de setembro, uma postagem no Facebook colocou a CBCa em evidência, com um desabafo feito por Isaquias Queiroz, medalha de ouro na canoagem velocidade C1 500 m (prova não olímpica) e bronze na C1 1.000 m, durante o Campeonato Mundial da modalidade, realizado em Duisburg, na Alemanha. Na ocasião, em sua página na rede social, Isaquias reclamou de falta de reconhecimento financeiro pela CBCa, lembrando até um caso ocorrido em 2011, quando foi campeão junior e que recebeu como “prêmio” um lanche no McDonald’s.

Veja ainda: Isaquias Queiroz dispara contra CBCa e ameaça deixar o esporte

A CBCa tratou de desmentir qualquer acordo prévio de premiação para o Mundial de Duisburg e chegou a insinuar que o atleta poderia receber uma punição pelas declarações. Esse fato não ocorreu, de acordo com João Tomasini, que mostrou contrariedade em ter que falar sobre o assunto.

E mais: Presidente da CBCa divulga nota oficial e rebate declarações de Isaquias Queiroz

“Para mim, esse caso está encerrado. A partir do momento em que o próprio atleta fez sua retratação, mesmo com a imprensa insistindo em tirar dele novas declarações, não há o que dizer sobre isso”, afirmou o presidente da CBCa, lembrando que teve uma “conversa séria” com o atleta. “Sei que alguém encheu a cabeça dele. O que não faz sentido é reclama de falta de apoio. Ele será um dos contemplados do Bolsa Pódio e ainda receberá um bônus pelo patrocinador da entidade. Até eu gostaria de receber os valores que ele terá”, afirmou.

O Bolsa Pódio é um programa do Ministério do Esporte para auxiliar na preparação dos atletas brasileiros para as Olimpíadas de 2016, no Rio. Atletas selecionados pelas confederações poderão receber uma bolsa de até 15 mil por mês, valor que será pago a Isaquias. Além dele, outros três canoístas também serão contemplados: Nivalter Santos, Ronilson Oliveira e Erlon de Souza.

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